AO DIA DAS MÃES... UMA PUBLICIDADE "TIRO NO PÉ"!

...a gente até dá um desconto pra você..."

Nessa semana que precede o próximo " dias das mães" é notória a necessidade de se turbinar a publicidade na tentativa de alavancar as vendas em surreal época de "vacas magras".

Foi assistindo a uma publicidade de tela direcionada à tal data, a duma rede de FARMÁCIA que se anuncia com tendo os melhores preços de medicamentos do "pedaço", que fiquei perplexa com o conteúdo da propaganda e, então, resolvi escrever.

O dono da rede, num primeiro momento da publicidade, sugere que, para presentear as nossas mães que não ligam para presentes, basta irmos à tal rede de farmácia para que as mesmas obtenham descontos nos seus medicamentos.

Que mães gostam mesmo é de ofertas e de descontos.

Inacreditável a infelicidade desse "marketing", à minha óptica de MÃE.

Quando resolvi prestar mais atenção no conteúdo da publicidade, até para escrever melhor sobre, a propaganda já havia mudado totalmente. Ou eram duas?

Será que me enganei?

Parece que desconfiguraram a primeira publicidade.

E claro, com toda fundamentação.

Alguém percebeu o lamentável, assim como eu, talvez.

Mas o triste é que o contexto não mudou muito.

Gravaram outra publicidade sem o vocábulo "medicamentos", onde apenas sugerem os descontos da rede de farmácias como presentes às mães; e que se mãe gosta de ofertas, então a oferta já estava ali na tela: o dono da rede nos dá um sorriso, estica os braços e nos oferece uma rosa.

Olha, com todo respeito, que coisa chata, hein?

QUE FALTA DE CRIATIVIDADE PUBLICITÁRIA.

As mães e o "seu dia" reduzidos ao interesse mercantilista sempre vigente, mas agora escancaradamente vinculado ao dia.

Pior do que presentear com panelas e fogão!

Se bem que , para quem curte cozinha assim como eu e em época de pandemia, é bem mais saudável cozinhar no âmbito da casa da gente, do que comprar remédios a preço de ouro.

Somos muitas as mães, de todas as configurações possíveis.

Mas não somos objetos de sonho de vendas, principalmente dos MEDICAMENTOS baratinhos das farmácias, fica o esclarecimento.

Também longe estamos de acreditar na veracidade duma publicidade tão limitada, tão pequena, diante duma tradição tão grande da qualidade da publicidade brasileira.

De fato, um país quando cai, cai por completo.

Estamos muito adoentados, isso é fato.

Sem prognóstico porque , no momento, parece não haver remédios que curem nossas doenças "metáfísicas"

E advirto: não acreditem em descontos de medicamentos , quaisquer que sejam os dias!

Até para eliminar flatos está impagável! Principalmente se for com medicamento de grife!

Estão todos pela hora da morte dos lucros exorbitantes num país doente, holisticamente, por todos os lados...

Peço desculpas às rosas. Sinceramente.

Elas "não falam", mas sentem.

E choram ao observar o jardim das hipocrisias no qual tentam semeá-las.

Publicidade tiro no pé! Dentre tantos outros tiros por aqui...

E não adiantou remendar as vendas na tal publicidade que tenta nos homenagear, porque o soneto mercantilista não brotou.

Deixo aqui um abraço forte a todas as mães, cuja missão suprema vai bem além dos versos vazios duma publicidade que machucou toda a poesia da data.

Nós bem sabemos do nosso valor inenarrável, mesmo sem desconto algum.