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UM PASSADO APAGADO

Prólogo

É claro que você leitor (a) muitas vezes ouviu o axioma: "Águas passadas não movem moinhos". Há quem considere essa frase uma tolice, mas isso NÃO É bobagem! Em se tratando de águas (poderia ser outra força motriz) que movem um moinho, de fato, significa que, ao passarem, se não houver um retorno e reaproveitamento eficaz dessas mesmas águas, elas se perdem e não voltam mais.

Todavia, não podemos rechaçar o passado de forma tão radical quando nos referirmos aos fatos históricos, aos momentos vividos no dia a dia entre os seres vivos de um modo geral, nas relações interpessoais. O passado deixa cicatrizes fortes e experiências que, se bem aproveitadas, aperfeiçoam o caráter, exorcizam o amor próprio e induzem ao progresso e crescimento interior.

Entendo ser necessário pensar em boas realizações e aproveitar o momento atual! É preciso querer e poder transformar o passado em algo bom e gratificante de lembrar. A história não existiria se o passado não houvesse acontecido. Os bons planos, quando estribados no passado, mantêm a confiança no presente e no futuro. Infelizmente, muitas pessoas vivem o hoje presas ao ontem sofrido; com isso, perdem muitas oportunidades concedidas pelo agora.

A RADICALIZAÇÃO DO AMANTE

Henrique (Zé Preto) resolveu terminar um longo relacionamento afetivo escrevendo para sua consorte algo semelhante a um poema. O tema do insólito escrito foi: “UM PASSADO APAGADO” e esse arguto, mas radical cidadão iniciou sua mensagem ou simples missiva de despedida escrevendo da forma que se segue:

“Hoje darei início a uma tarefa nada fácil, deveras muito difícil e por isso sinto e sentirei muito. Ocorre que essa decisão trará, apesar de parecer ruim, uma sonhada privacidade e liberdade necessária não apenas para os que se querem bem, mas principalmente para outros envolvidos.".

"O passado será apagado, o presente esquecido, o futuro precisa ser, infelizmente, descartado. Os momentos bons e alegres cairão no esquecimento porque o amanhã é incerto. Hoje, segundo o meu entendimento e convicção tudo está consumado.”.

“As provações no planeta Terra, profícuas ou não, sempre foram e continuarão sendo temporárias porque felizmente não há bem ou mal que não exista um início, meio e fim. Sei também de uma verdade: Para quem cultua a posse do que nada teve e nunca terá, excedendo-se em deslealdade e/ou ingratidão, o resultado é ou será indiferente.".

"Ambos sabemos: Cedo ou tarde este velho irascível e ranzinza será negligenciado, seus insossos escritos não mais serão lembrados, assim como seus espontâneos, calorosos e instigantes abraços cairão no esquecimento. Tenho uma outra convicção: É assim que se faz UM PASSADO APAGADO.”. – (SIC) – Assina: Zé Preto.

UMA OUSADA ANALOGIA

Quando eu li o texto “UM PASSADO APAGADO”, escrito por um dos meus dicotômicos (Henrique também conhecido por Zé Preto), lembrei-me do que um dia escreveu o “poetinha” Marcus Vinicius de Moraes (poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, cantor e compositor brasileiro).

Lembrei-me desse saudoso poeta porque eu também estudei e me formei na mesma faculdade na qual ele se formou. Vinicius iniciou o curso de Direito na Faculdade Nacional de Direito – FND (Hoje um núcleo, por fusão, da UFRJ) do Rio de Janeiro, sito na rua Moncovo Filho, número 8, Centro, perpendicular ao Parque de Santana.

Em 1933 Vinicius concluiu o curso e se formou Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, mas nunca exerceu a nobilíssima função em advocacia. Sessenta anos depois, isto é, em 1993 eu me graduava também na mesma conceituada instituição de ensino. Mas não foi só por isso que me lembrei do “poetinha”. Lembrei-me porque gosto sobremaneira dos poemas: “Soneto de Fidelidade” e “Soneto de Separação”.

MINHA INTERPRETAÇÃO

Aprecio esses poemas porque um enaltece a fidelidade à autoestima (amor próprio) enquanto o outro a dor e o sofrimento de uma separação. Podemos observar que no “Soneto de Fidelidade” nos dois primeiros versos da primeira estrofe o eu-lírico fala sobre sua fidelidade em relação ao amor que sente.

Entendo, salvo outro respeitável juízo, que Vinicius nesse poema sussurra, fala e até grita seu amor próprio, isto é, a si mesmo e não a quaisquer outras pessoas embora diga: “De tudo ao meu amor serei atento” e “Mas que seja infinito enquanto dure.”.

Já no “Soneto de Separação” a expressão “última chama” simboliza a fugacidade da paixão e não algo relacionado ao fogo em seu sentido denotativo. No poema aparece também uma figura de contiguidade no terceiro verso em que a expressão “bocas unidas” representa o beijo e “a espuma” pode ser entendida como representante do sentimento de ira, ressentimento e/ou frustração, sendo, por tanto, metonímias.

CONCLUSÃO

Aplaudo de pé e concordo com o que com muita proficiência escreveu o nobre economista, advogado, professor da UEPB e membro da Academia de Letras de Campina Grande Ailton Elisiário. Ailton escreveu:

“(...) “a desesperança se agiganta, pois não há mais nada em que se possa sustentar. A sociedade está enlouquecida, fruto da insanidade das pessoas. Pior, não existe bom senso, pois só vale a vontade de cada um. A prevalência do indivíduo sobre o coletivo, do desperdício sobre o comedimento, do desejo carnal sobre o do espírito, enfim, do eu sobre todos, tornou-se a regra central da vida, pela qual as pessoas hoje se guiam (...)”. – (SIC) – (Ailton Elisiário: Insanidade Social).

MINHA CERTA OU EQUIVOCADA DECISÃO

Em virtude da leitura do texto escrito por Zé Preto (Henrique)... De hoje em diante serei e me comportarei como um ermitão! Não abrirei mão dos atos de urbanidade e cidadania, mas decidi, sem culpas, nem tampouco arrependimentos, sair de cena onde por demasiado tempo me comportei como se fosse a “tábua de salvação” para quem não sabia, não quis e/ou não pode aprender a nadar.

Deixei o passado para viver o presente, sepultei as mágoas para viver em harmonia, longe dos hipócritas; esquecerei amizades ingratas e ignorantes, de má-fé, para encontrar as leais, verdadeiras e fiéis; enfim, deixei tudo o que me fez, por demasiado tempo, mal para encontrar a paz no Éden perfumoso, iluminado e florido de minha imaginação.

E como escreveu o saudoso supracitado poeta Vinicius... “Quem sabe a morte, angústia de quem vive” ...  “Quem sabe a solidão, fim de quem ama” possa me encontrar com um sorriso de felicidade no rosto glabro, expressando excelsa juventude, por não haver aprisionando o espírito atormentado pelas paixões terrenas?

Quem sabe a carruagem divinamente iluminada possa me encontrar radiante, à espera de ser perdoado e melhor orientado por não haver introjetado ressentimentos em forma de letal veneno? É disso que eu preciso! É isso o que eu espero tendo radicalmente UM PASSADO APAGADO.
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NOTAS REFERENCIADAS
– Textos livres para consultas na web supostamente escritos por Zé Preto e outros;
– Assertivas do autor que devem ser consideradas circunstanciais e imparciais.
Wilson Muniz Pereira
Enviado por Wilson Muniz Pereira em 22/10/2019
Reeditado em 02/11/2019
Código do texto: T6776301
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Wilson Muniz Pereira
Campina Grande - Paraíba - Brasil
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Wilson Muniz Pereira