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38 vidas em cima da ponte - E desigualdade social acima de tudo

                                                         38 VIDAS EM CIMA DA PONTE
                                     E DESIGUALDADE SOCIAL ACIMA DE TUDO

POR VALÉRIA GUERRA REITER

          Um dia nublado no Rio de Janeiro, no mês de agosto do ano 2019.

          Para alguns desavisados poderia estar rolando uma gravação artística de um longa ou curta metragem. “Afinal a Cidade Maravilhosa é funcionalmente uma metrópole recheada de beleza e caos; e um dos “atores” da Cena portava uma arma de brinquedo”.
   
           O ritmo é frenético nesta URBE brasileira, que formiga de vidas desempregadas, depressivas, e desalojadas. Existem professores mendigando (eu já vi) tanto no centro, como na zona sul da antiga capital do Brasil – outrora sede de governo federal.

           Na calçada do Museu da República, caminho percorrido muitas vezes pelo mulato Machado de Assis (que carregava seu cãozinho Zero no bolso da casaca) – atualmente esbarramos com pessoas em estado de indigência, muitas delas são professores, engenheiros, advogados, pintores, escritores. E o velho LARGO DO MACHADO – homenagem ao ilustre morador – que residiu na Rua do Catete 206 e na Rua Cosme Velho 174, com sua amada Carolina; também abriga humanos sob extrema penúria.

          Indigência é um estado de inópia e amplitude de desdém e segregação.  Pois é, e deveria ser um caso abominável. Recentemente a Fundação Getúlio Vargas divulgou pesquisa que demonstra um crescimento da Desigualdade econômica e social no Brasil com índice de 0,6257, valor mui próximo de 1,0, lamentavelmente.

           E voltando ao escritor Machado de Assis, que nasceu no Beco do Livramento, no centro do Rio de Janeiro, no século XIX, filho de mestiços, comemoramos seu ingresso para a história. “Assim como Machado, William Augusto da Silva era mestiço e pobre; e uma de suas falas antes de morrer através dos tiros que partiram da ponta dos fuzis de snipers foi:” Eu não quero machucar nem levar os pertences de vocês, só quero entrar para a história”.



         Neste momento eu não conheço toda a biografia deste jovem brasileiro, abatido na operação empreendida hoje cedo no Rio, o que sei é que vendo a foto dele, achei seu rosto com traços similares ao do fundador da Academia Brasileira de letras: Joaquim Maria Machado de Assis, um talentoso escritor que também tinha depressão, era epilético e nasceu muito pobre; Augusto e Machado são palavras que significam respectivamente: “sagrado” e “seguidor de São Francisco de Assis”.

Valéria Guerra
Enviado por Valéria Guerra em 20/08/2019
Código do texto: T6724957
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Sobre a autora
Valéria Guerra
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