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A Medicina na Índia Antiga

    A Medicina na Índia Antiga


Mohenjo-Daro (lit. “Monte dos Mortos”), é um sítio arqueológico situado na província do Sinde, no Paquistão. Construído por volta do século XXVI a.C., foi um dos maiores centros populacionais da antiga Civilização do Vale do Indo, civilizações pré-arianas de Mohenjo-Daro e Harappa, e um dos primeiros grandes povoados urbanos do mundo, onde a higiene — como medicina preventiva — tinha um lugar preponderante. Contemporâneo às civilizações do Antigo Egito, Mesopotâmia e Creta, e mesmo antes do surgimento de uma civilização como a grega, tinha pensadores científicos do subcontinente indiano.1 Basta dizer que na Índia a ciência foi produzida mais à frente do seu tempo.1
Mohenjo-daro foi abandonada no século XIX a.C., e só foi redescoberta em 1922. Escavações importantes têm sido conduzidas no sítio da cidade, que foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1980. Atualmente, no entanto, o sítio tem sofrido com ameaças de erosão e restaurações indevidas.1
Moenjodaro situa-se aproximadamente a 400 milhas de Harapa. Foi construída por volta de 2 600, e foi abandonada por volta de 1 700 a.C., provavelmente devido a uma mudança do curso do rio que suportava esta civilização. Moenjodaro foi redescoberto na década de 20 do século XX pelo arqueólogo Sir John Marshall. A linguagem da Civilização de Harapa ainda não foi decifrada e o verdadeiro nome da cidade, assim como o de outras cidades escavadas em Sinde, Punjabe e Guzerate, é desconhecido. Moenjodaro significa em sindi “Monte dos Mortos.”
É provável que a Medicina, na Índia antiga, já estivesse sistematizada séculos antes da invasão pelos arianos vedas, em torno do ano 2.000 a.C. A suposição é baseada nos estudos arqueológicos feitos na cidade Mohenjo-Daro, no noroeste da Índia, nas margens do rio Indo. Nessa cidade foram encontradas ruas bem traçadas com rede de esgotos, canalização para água e banhos públicos. Os achados colaboram na confirmação de que essa civilização tinha ideia bem precisa da importância dos cuidados de saúde pública na profilaxia das doenças.2
.O povo Ariano trouxe consigo os Vedas, seus antigos livros que continham toda a sabedoria e rituais de sacrifício. Do mais recente dos Vedas, o Atharva-Veda, desenvolveu-se o Ayurveda; este por sua vez gerou 6 grandes tratados médicos, em épocas diversas, entre eles o Charaka Samhita (tratado de medicina interna) e o Sushruta Samhita (tratado de cirurgia), escritos inicialmente para treinar médicos para tratarem de reis e princesas. O Ayurveda já estava bastante desenvolvido no tempo de Buda (563-483 a.C.), mas a medicina ayurvédica viveu uma fase grandiosa pois o próprio Buda era um grande estimulador de sua prática e estudo. O grande desenvolvimento desta ciência médica decorreu também de interesses políticos: nesta época a saúde do rei refletia a saúde do Estado, assim os serviços do médico real eram essenciais para a manutenção da estabilidade política.
Ayur Veda  é o caminho com o qual os antigos hindus chamavam a medicina; é traduzido como “ciência da longevidade” ou "ciência da vida". Posteriormente, eles extraem do livro Rig Veda de hinos que os invasores arianos levaram para o subcontinente - uma série de palavras que se referem a órgãos e secreções do corpo humano, a fim de mostrar o avançar em termos de observação que os médicos Hindus tinha cerca de dois mil anos antes da nossa era. Surpresa, por exemplo, a fato de que esses médicos vieram para fabricar prótese.
A primeira sistematização da Medicina na Índia antiga está contida no Ayurveda, escritos originalmente em sânscrito e plenos de religiosidade. O Ayurdeda significa o Veda da Longevidade e constitui a base teórica da Medicina tradicional da Índia. O texto original tem no seu conjunto mil capítulos divididos em cem mil versículos ou Shlokas, divididos em Ashtânga, palavra que até hoje é utilizada na Índia como sinônimo de Medicina.2  A Ayurveda baseia-se no sistema filosófico samkhya nos cinco elementos que formam toda a manifestação material do universo. São eles éter, ar, fogo, água e terra. Toda a matéria que existe no universo provém destes 5 elementos, inclusive o corpo humano. De acordo com o Ayurveda, quando algum dos 5 elementos está em desequilíbrio no corpo do indivíduo, inicia-se o processo da doença.
A medicina ayurvédica é conhecida como a mãe da medicina, pois seus princípios e estudos foram a base para, posteriormente, o desenvolvimento da medicina tradicional chinesa, árabe, romana e grega. Houve um intercâmbio de informações com o Japão, que tinha a mesma necessidade dos indianos: criar uma medicina barata para atender às suas populações muito pobres e gigantescas, por essa razão existe muito da medicina japonesa nos conceitos de ayurvédica. As duas desenvolveram técnicas muito eficientes e de baixo custo para o tratamento.3
No século III a.C., Ashoka (figura ao lado), imperador sanguinário do norte da India, converteu-se ao Budismo e, motivado pelos ensinamentos de Buda, que ensinava compaixão por todos os seres humanos, construiu hospitais de caridade, com setores de cirurgia, obstetrícia e problemas mentais, por todo o seu reino, não somente para seres humanos, como também para animais. Além disso, enviou emissários para países vizinhos, o que ajudou muito a difundir ainda mais o Budismo e o Ayurveda: provavelmente foi desta forma que a ciência médica indiana chegou ao Sri Lanka. Durante os dois reinados posteriores, houve grande incentivo à medicina: o governo patrocinava hortos de plantas medicinais, construía hospitais e maternidades e punia charlatões que tentavam praticar medicina sem permissão imperial.4
Toda essa Era foi intelectualmente fértil. Os budistas apoiavam todas as formas de aprendizado; construíram verdadeiras universidades onde eram ensinados, além do Budismo e da ciência védica, história, geografia, gramática, literatura sânscrita, drama, poesia, leis, filosofia, matemática, astrologia, astronomia, comércio, artes bélicas e medicina.4
A Era de Ouro acabou entre os séculos X e XII, quando o norte da India sofreu repetidas e violentas invasões dos muçulmanos, assassinando monges budistas, destruindo universidades e queimando bibliotecas. Aqueles que conseguiram escapar fugiram para o Nepal e para o Tibete levando poucos textos ayurvédicos; alguns destes são preservados hoje apenas na tradução tibetana. Os conquistadores muçulmanos trouxeram para a India seu próprio sistema médico, mas o Ayurveda mesmo assim sobreviveu. No século XVI, Akbar, o maior imperador mongol (imagem à esquerda), notavelmente esclarecido, ordenou que todo o conhecimento médico indiano fosse compilado, contribuindo ainda mais para a preservação do Ayurveda.4
Durante os séculos XVI e XVII, quando foram abertas as rotas para o Oriente, os europeus, além de levarem novas doenças para a India, como a sífilis, desferiram golpes que foram quase fatais para o Ayurveda, difamando a sabedoria tradicional, fazendo o povo acreditar que ela seria causa de atraso no desenvolvimento da India. O resultado foi que, após 1835, somente a medicina ocidental tinha reconhecimento legítimo nas possessões inglesas. A cultura e a medicina indianas foram ativamente desencorajadas entre o próprio povo indiano; a tradição do ensinamento oral de mestre para discípulo se perdia, os mestres morriam, e seu valioso conhecimento com eles.
No início do século XX, com a ascensão do nacionalismo indiano, a arte e a ciência indianas ressurgiram e o Ayurveda voltou a renascer. Atualmente é um dos seis sistemas médicos reconhecidos na India: Ayurveda, alopatia, homeopatia, naturopatia, Unani, Siddha (variedade de Ayurveda praticada ao sul da India).

Referencia
1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Moenjodaro
2. http://www.historiadamedicina.med.br/?p=149&print=pdf
3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ayurveda#A_massagem_ayurvédica
4. http://www.medicinaindiana.com.br/oasite/home/default.asp
Norberto Lima
Enviado por Norberto Lima em 15/08/2019
Código do texto: T6720602
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Sobre o autor
Norberto Lima
Olinda - Pernambuco - Brasil, 54 anos
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