COMO SAIR DA CRISE DO COMBUSTÍVEL?

Trocaram mais um presidente da Petrobrás. Faz mais de 50 anos que nos acostumamos a ter crises com o petróleo. Os motivos foram dos mundiais, como OPEP, guerras (Irã-Iraque, do Golfo e Ucrania) ou internos como disparadas do dólar, Petrolão, greves de caminhoneiros, crises da Petrobrás. Com alguns períodos de baixa depois, esquecemos do problema, que sempre volta e parece que nada aprendemos, nunca nos preparamos.

 

A principal ação de efeito imediato e baixo custo a fazer é incentivar o uso transporte público. Só exige investimento propaganda e têm grande potencial para reduzir o consumo de combustível. Uma campanha importante seria para incentivar que cada pessoa ficasse ao menos um dia da semana sem carro. Se mais gente usar o transporte público, principalmente a classe média, maior será a exigência e este terá de melhorar.

 

Outra coisa que tem enorme potencial é incentivar o teletrabalho. Menos gente circulando desnecessariamente reduz o consumo de energia, a poluição e aumenta a qualidade de vida. Lógico que nem todas as atividades se prestam a esta forma e que o contato presencial é importante, porém, um modelo híbrido com ao menos um dia de teletrabalho por semana quando possível seria de enorme relevância, tira gente das ruas.

 

Pensando nos combustíveis e não na redução geral do gasto de energia, a celeuma maior é com o preço da gasolina. Não deveria ser, é combustível poluente e usado principalmente em lazer e por gente de poder aquisitivo. Não é produto essencial, tem substitutos bons no álcool e no GNT para táxis e uso profissional. O álcool é menos poluente, é combustível renovável e de produção local. Há alternativas, quem não quiser mais por gasolina, que use alternativas. Seu consumo ou não é decisão das pessoas, não do governo.

 

O gás (GLP) é o maior problema, precisaria ser vendido com margem mínima e custo local da Petrobrás, ao menos para a população de baixa renda com o menor lucro possível. É usado para cozinhar, atender à necessidade mais básica do ser humano. Tem gente voltando ao fogão à lenha ou pior, usando álcool combustível na cozinha e sofrendo acidentes para a Petrobrás lucrar, o que é absurdo. A ideia do vale gás para famílias que recebam o auxílio emergencial pode amenizar bem o problema.

 

O diesel tem uma demanda enorme, forte impacto na economia, pois se seguir o preço internacional e o dólar aumenta os custos de quase todos produtos, gerando inflação e o biodiesel ainda é pouco representativo. Para ele, seria necessário que a Petrobrás reduzisse suas margens e investisse em refinar mais localmente.

 

Além de preços base, o governo tem de analisar a forma que faz reajustes e seria importante aumentar a previsibilidade. O governo poderia tratar produtos diferentes de formas distintas. Uma possibilidade seria tratar gasolina repasse integral mensal, diesel trimestral ou quadrimestral e GLP com repasses semestrais.

 

Outra área em que o governo pode agir é na tributação. Pode-se pensar em várias opções, conforme o tipo de consumidor e uso. Por exemplo, pode-se tornar o transporte público isento, diesel para caminhões com alíquota máxima inferior a 10%, aumentando para utilitários. Já a gasolina para veículos particulares poderia ter alíquota mínima de 20% e necessariamente maior que a do álcool.

 

Com toda certeza, cada uma das minhas ideias teria consequências boas e também efeitos colaterais ruins e nem todas são de fácil implementação. O que quis mostrar é que é possível gerir energia de formas diferentes das já tentadas. Mais importante do que conhecer e validar minhas ideias, é entender como os vários candidatos pensam e considerar isso em seu voto. Porque se continuar como está, a única certeza é que o preço dos combustíveis vai consumir sua renda e que a cada crise do petróleo você vai ficar mais pobre.

 

Paulo Gussoni
Enviado por Paulo Gussoni em 29/03/2022
Reeditado em 29/03/2022
Código do texto: T7483294
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