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Dois Erros de Evo Morales

Se Evo Morales tivesse analisado a conjuntura brasileira dos protestos de 2013 a eleição de Jair Messias Bolsonaro, teria evitado a situação armada contra seu governo, golpe de Estado, que culminará em seu exílio no México.

Primeiro erro: ter acreditado, assim como o PT, que os benefícios dados a classe média como financiamentos imobiliários,  expansão das redes técnicas e superior de ensino federal e créditos estudantis os tornariam simpáticos a setores mais elitistas e conservadores da classe média.

Evo, assim como o PT, acreditou que um cenário de economia favorável e políticas públicas para esta classe dariam ao seu governo a confiança para fazer também pelos mais desfavorecidos sem que se ressentissem como classe.

Substimou que tais setores, herdeiros dos valores da escravidão e do elitismo colonial, aceitariam de bom grado um governo que promovesse alguma inclusão dos mais pobres. Faltou leituras sociológicas, pouco conhecidas no Brasil como de Fred Hirsch e Boudon sobre as relações entre classe e consumo.

Não entenderam que estes setores, que generalizamos as vezes injustamente como classe média, que o diga Marilena Chauí, se avaliam basicamente a partir da distância entre eles e as classes mais baixas.

Pobre melhorando de renda e vida significa que eles estão empobrecendo. Carros demais nas ruas, pobre comprando apartamento,filas nos aeroportos, filho da empregada na universidade, cotas ...foi demais pra eles.

Este cenário estrutural casou bem com uma narrativa velha, mas que reelaboradas por ideólogos charlatães, deu a versão que os descontentamentos de classe precisavam para se tornarem públicos: o PT que tornar o Brasil uma Venezuela, PT é comunista e por ai vai.

Toda aquela política inclusiva, existentes até em países como Estados Unidos, em um dos paises mais desiguais do mundo, passou a soar como comunismo, Foro de Sao Paulo e por ai vai.

O erro de Morales foi achar que o consenso era óbvio e que qualquer erro seria relevado pelos vários beneficiários de sua politica econômica.

Segundo erro: acreditar que um povo acostumado a cabresto, tal como o brasileiro, o sustentaria no poder sem se apoiar em movimentos sociais organizados. Tal como fez o PT, que se distanciou das bases e confiou muito no carisma de Lula: falar diretamente com a massa ao invés de organizar o povo para defender seus direitos.

Tanto Evo Morales quanto Lula cometeram erros, mas é óbvio que estes erros não passam de desculpas para que outro grupo acostumado a ver o povo como meros empregados e serviçais abrisse uma brecha para voltar ao poder.

Não vemos indignação contra Temer, Aécio e tantos outros corruptos a solta e sem julgamento. A corrupção do PT é que indigna...

Não vemos o cidadão "de bem" ensinando o filho a jogar pedra na foto de Dias Toffoli por que este anulou investigações com base na COAF, beneficiando o filho do presidente. O motivo foi o cumprimento de uma cláusula pétrea que não permitia prisão em segunda instância.

Erros que o PT ainda cometerá:

Acreditar que é possível promover inclusão somente econômica e não educacional e política.

Acreditar que sem mobilização dos movimentos sociais e com alianças com gente que tem nojo de pobre será possível governar novamente o Brasil. Rodrigo Maia já avisou, a traição de Temer, antigo aliado foi um aviso.

Acreditar em conciliação de classes e não em correlação e equilibrio de forças. Menos Getúlio Vargas e mais Diretas Já, povo na rua fazendo pressão.

Acreditar que sem uma mudança estrutural na economia, do agronegócio a industrialização e serviços, não seremos reféns da mesma classe média e elite que tem nojo do que o Lula representa, pelo menos como narrativa: a justiça social.

O que Evo e Lula não entenderam:

A riqueza de alguns grupos só se faz com a miséria de outros: menos direitos, salário mínimo baixo, pouco investimento em saúde e educação, privatizações de serviços e empresas que poderiam alavancar as reformas estruturais que precisamos para incluir os mais pobres na economia de uma forma mais justa.

O mesmo podemos falar dos que tomaram o poder na Bolívia e no Brasil pelo golpe de 2016.

Grupos como a Rede Globo são rentistas. Vivem de especulação financeira querem um Estado que possa garantir o pagamento de Títulos da dívida publica e manter o cassino a todo vapor.

Querem atrair para o Brasil empresas interessadas em mão de obra barata e domesticada: livre de sindicatos e influência de partidos de esquerda. Querem botar as estatais na roda da especulação.

Não estao nem ai com a pobreza e concentração de renda que este modelo neoliberal possa causar. Só interessa a este tipinho de gente o dinheiro no bolso, mesmo que para isto avacalhem a vida de milhões de brasileiros.
Wendel Alves Damasceno
Enviado por Wendel Alves Damasceno em 11/11/2019
Reeditado em 11/11/2019
Código do texto: T6792647
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Sobre o autor
Wendel Alves Damasceno
Barbacena - Minas Gerais - Brasil
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