Estado Policial: PF de Moro "investiga" Greenwald
Basicamente a Polícia Federal, sob o comando do ministro Sérgio Moro, resolve "investigar" os vazamentos1 por suposto(s) hacker(s) solicitando ao COAF informações financeiras do jornalista que noticiou conversas que segundo o próprio Moro não possuem nenhuma ilicitude.
O "investigar" entre aspas significa que não há denuncia formal contra ele, mas que a PF esta em busca de rastros e informações que possam servir para embasar uma denúncia contra ele.
Trata-se de uma forma não só de intimidar o jornalista, como também de reforçar a narrativa que criminaliza e difama o jornalista pelas revelações divulgadas.
É triste ter que lembrar que a constituição garante o sigilo da fonte na atividade jornalística e que ele não se torna cúmplice por simplesmente produzir notícias com base em informações que lhe foram passadas. Se foi por hackeamento ou não, não faz diferença.
O jornalista também disponibilizou parte do material para outros meios como Folha de São Paulo, Veja, Reinaldo Azevedo. Testemunhas citadas foram encontradas e um promotor envolvido confirmou o diálogo.
O jornalista profissional sempre se resguarda conferindo se as informações que lhe foram passadas são confiáveis. Se possuem contradições com outros fatos, se apresentam contradições internas e falhas grosseiras. Não é simplesmente ouvir alguém e botar no papel.
Uma fonte que deseja ficar anônima, inteligente o bastante para hackear por anos um juiz e uma equipe de promotores federais, simplesmente faria um depósito na conta do jornalista para noticiar o que outros fariam até de graça?
Esta claro que o propósito é retaliar e seguimos com a democracia, o pouco que temos, ladeira a baixo com ajuda do gado amarelo que não vê problema algum em juiz auxiliar, ou melhor, comandar a acusação.
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional. Constituição de 1988.
1- https://jornalggn.com.br/noticia/abuso-de-poder-diz-glenn-greenwald-sobre-a-pf-sob-moro-investigar-suas-financas/