PT e PSDB são aliados

PT E PSDB SÃO ALIADOS
Miguel Carqueija


Um fator que prejudicou muito o nosso país foi a polarização eleitoral entre PT e PSDB, dois grandes partidos (grandes em termos de influência mas não moralmente falando) que, há mais de vinte anos, vêm chegando ao segundo turno das eleições. Duas ganhas pelo PSDB e as quatro seguintes pelo PT. Por uma reviravolta do destino, com a ajuda do PMDB que fica por cima do muro, o PSDB voltou ao poder em 2016, graças ao afastamento de Dilma Rousseff, pois Temer, do PMDB, pôs gente do “tucanato” no ministério.
Muita gente anda convencida de que o PSDB é um partido de direita e inimigo do PT. Na verdade isso me parece um engôdo, pois os pontos de contato entre os dois são muitos, e mais importantes que as possíveis divergências.
FHC sempre foi conhecido como intelectual e político de esquerda, tido até como comunista. O fato de ter privatizado não o põe, e nem ao partido, como direitista. Se assim fosse a ditadura militar teria sido esquerdista, pois estatizou a granel. Na verdade o socialismo petista também privatizou. Pelo mundo afora, sem deixar de massacrar o povo, o socialismo adotou a economia de mercado simplesmente porque, no campo econômico, socialismo puro não dá resultado. Veja-se o caso da China... e ate Cuba teve de fazer suas conceções ao capitalismo.
Direitizar uma corrente de esquerda pode ser apenas um truque para que, demonizando uma parte da esquerda (apesar de que jamais alguém provou que a esquerda seja melhor que a direita), obtem-se mais votos para a esquerda mais radical. Foi desse modo que Fernando Henrique Cardoso colocou Lula no poder, afinal os dois são amigos de longa data e não escondem o fato.
Mas é preciso frisar que PT e PSDB perseguem mais ou menos os mesmos objetivos. Vejamos. O PT é um partido socialista. O que o socialismo quer? Ele quer a Internacional, assim com inicial maiúscula como eles usam. E o que quer o neoliberalismo, doutrina do PSDB? O neoliberalismo quer a globalização. Ora, existe diferença considerável entre a Internacional e a globalização? Não me parece. As duas ideologias empurram a humanidade para o futuro Governo Mundial totalitário e ateu, onde a soberania das nações será destruída. Se e quando isso acontecer teremos a pior das distopias, pior mesmo que as piores da ficção, “1984”, “Nós”, “Admirável mundo novo”. A rigor será o Reino do Anticristo, que destruirá a família e a liberdade, inclusive a liberdade religiosa, pois entre as metas do Estado Mundial inclui-se a extinção do Cristianismo e por tabela das demais religiões, permitindo-se apenas uma, a teologia da libertação, atéia.
Ora, para que não pensem que eu esteja delirando, consideremos que essa tendência já existe visivelmente e não é de hoje. Quando a Rússia esteve sob regime comunista (por mais de 70 anos) já deu início a uma tentativa de governo mundial. Ela coletou dezenas de países em volta e formou um super-país, a União Soviética, o maior império da História, que ainda tinha satélites em volta, cercados pela Cortina de Ferro, que não era um símbolo, tinha existência física: as barreiras de arame farpado. Polônia, Hungria e outros estados faziam parte da Cortina de Ferro.
Atualmente a União Européia vai pouco a pouco sufocando a soberania dos estados-membros inclusive tentando impor leis anticristãs. Bem faz a Inglaterra caindo fora.
Os Estados Unidos, reconhecidamente o mais rico país do mundo, têm dívida externa. Ora, se são a nação mais rica, a quem devem? Aos bancos. O sistema financeiro internacional tornou-se um poder à parte, uma autopia, ou seja, um poder político sem território geográfico.
Voltando ao Brasil, consta mesmo que o PSDB quis entrar para a Internacional, o que teria sido vedado pelo Leonel Brizola. Este, apesar de ser um líder esquerdista (e a esquerda como ficou aqui implícito tende a ser apátrida) defendia idéias nacionalistas semelhantes às do Dr. Enéas Carneiro, líder direitista, um grande homem. Uma afinidade curiosa que parece ter passado despercebida.
Assim, nas eleições que se aproximam, entendo que é preciso impedir que esses três partidos funestos e esquerdistas — PT, PSDB e PMDB — cheguem ao segundo turno. O ideal será eleger gente do centro (como Marina Silva ou José Antônio Reguffe, ambos sensatos, corajosos e inteligentes). Não recomendo votar na chamada direita; no passado tivemos excelentes políticos direitistas, como Carlos Lacerda. Hoje o que temos é Jair Bolsonaro, um machista arrivista. Não tem como apoiá-lo. Mas também é de bom senso barrar Lula e Geraldo Alkmin.

Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 2018.