Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Vivemos a beleza dos melhores sonhos por alguns anos. A inclusão social, o combate eficiente à miséria absoluta, um presidente nascido do ventre das classes mais humildes e que ganhou destaque internacional. Descobrimos a valorização espontânea de uma autoestima que nos conduziu aos ricos debates que desvelaram preconceitos, apontando para a esperança progressista que impõe a evolução das mentes e corações.

Por fim, elegemos a convicção de uma mulher valente para nos guiar. É difícil reconhecer, mas fomos ingênuos imaginando que tudo isso iria perdurar, desprezamos nossa própria história, esquecemos das rédeas atentas do capataz. O Brasil não é um país de avanços, é um feudo de retrocessos.

Nas sombras, os tutores do poder chocaram seus capitães-do-mato, vestiram-lhes de verde e amarelo, deram-lhes voz, bonecos infláveis e símbolos sagrados para defenderem. O mais importante, condenaram-lhes à cegueira para que escolhessem um caminho de trevas. Nestes dias de escuridão, uma alta representante da justiça declara “ou a democracia ou a guerra”. Quando começamos a perder a identidade, é o maniqueísmo que prevalece.

A democracia que nos foi concedida nunca passou de uma frágil parafernália para entregar o poder às castas dominantes ou para devolver-lhes o controle dos próprios e exclusivos interesses quando estivessem em risco. Para manter a perversidade do status quo é preciso fomentar a intolerância, o ódio, a irracionalidade. Democracia ou guerra, diz a líder do STF. Irracionais não gostam da liberdade que escolhe trilhar seus próprios caminhos, não aceitam compartilhar o leme. Medíocres enxergam o mundo como um sistema binário. Ameaçados, preferem lançar o navio às rochas crendo que irão sobreviver. Qualquer baixa é uma fatalidade irrelevante da operação, desde que tudo continue como está. Democracia ou guerra, range a ministra. A infecção institucional não oferece opções, é como uma faca, e toda faca traz em si uma única sugestão: o golpe, o corte, o rasgo, o rompimento.

 
 
Alexandre Coslei
Enviado por Alexandre Coslei em 06/12/2016
Reeditado em 11/12/2016
Código do texto: T5845073
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Alexandre Coslei
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
259 textos (23310 leituras)
3 áudios (658 audições)
2 e-livros (1140 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/19 04:18)
Alexandre Coslei