NO BRASIL TUDO ACABA EM SAMBA

As Olimpíadas acabaram e assistindo aos noticiários constatei que foi impossível não vibrar com as vitórias obtidas pelos brasileiros; impossível não se emocionar com as lágrimas de Diego Hypólito, na ginástica artística, ou com a conquista sofrida de Rafaela Silva, no Judô, ou com Izaquias Queiroz, na canoagem, ou com Thiago Braz, Rafael Silva, Robson Conceição, enfim, com cada um dos brasileiros, que conquistaram uma medalha durante a competição, que trouxe para o Brasil os maiores atletas de todo o mundo.

É muito bom ver um brasileiro subir ao pódio. A emoção é muito grande e fica difícil desfazer o nó na garganta ou mesmo segurar as lágrimas, no momento em que o Hino Nacional Brasileiro é entoado. Não assisti a todas as competições. Não tenho tempo nem tampouco disposição para tal. Mas, não posso deixar de afirmar que torci, vibrei e me emocionei junto com cada um dos atletas que subiram ao pódio e ainda chorei junto com aqueles que não conseguiram conquistar a tão sonhada medalha.

Também fiquei muito contente em ver, que apesar dos pesares, o Brasil conseguiu sediar com distinção, um evento de tamanha magnitude, uma vez que os olhos do mundo inteiro estavam voltados para o nosso País. Além de sediar a Copa do Mundo, o sucesso das Olimpíadas no Brasil acabou mostrando a capacidade que o povo brasileiro tem para enfrentar desafios.

Uma coisa, porém, não escapou ao meu olhar de mera observadora da cena nacional: O Brasil é um País onde tudo acaba ou

pizza ou em samba. A Olimpíada, que encantou a todos, acabou em samba. O Maracanã transformou-se num verdadeiro sambódromo onde os brasileiros, atletas ou não, se esqueceram de todos os problemas que o País enfrenta e mostraram que têm samba não apenas no pé, mas também no sangue. O povo precisa de pão e circo. E quando se trata de oferecer o circo, nossos políticos são muito bons.

Enquanto durou a competição, o Brasil se transformou num País de contos de fada: As Forças Armadas estavam na rua para dar segurança aos ilustres visitantes. Uma segurança que não foi suficiente para preservar a vida do soldado da Força Nacional, Hélio Andrade atingido com um tiro na cabeça durante ataque na favela da Maré, no Rio de Janeiro. Uma segurança a qual o brasileiro que vive e mora aqui parece não ter direito, já que diariamente inúmeras vidas são ceifadas por bandidos que permanecem impunes, fazendo crescer o índice de violência no País.

Violência que nada mais é do que uma guerra constante. Porém, como se trata de defender a vida de míseros brasileiros, trabalhadores e pagadores de impostos, para nossos governantes não existe a menor necessidade de manter as Forças Armadas nas ruas para defender suas vidas. Afinal, como muito bem afirma o adágio popular, “santo de casa não faz milagres”.

Como brasileira também me sinto orgulhosa pelo sucesso da Olimpíada, mas penso que o Brasil poderia muito bem passar sem esse evento. Aliás, penso que nós, brasileiros, temos necessidade de outras coisas mais importantes do que o simples orgulho de sediar uma Olimpíada ou uma Copa do Mundo. Na minha insignificante opinião este é um orgulho muito besta.

E ainda fico me questionando: Se o Brasil tem dinheiro para garantir o sucesso de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíada, por que não investe mais em Segurança, Educação, Saúde e Transporte, por exemplo? Eu questiono, mas tenho a resposta: É para, de forma desumana e irresponsável, manter o povo com sua vidinha de gado.

Agora que passou a euforia e que estamos às vésperas de uma eleição, seria bem interessante que o povo brasileiro pensasse bastante se realmente vale a pena votar, para reconduzir os mesmos nomes às cadeiras de prefeito e de vereadores nos mais diversos municípios do Brasil.

Num País como o Brasil, onde tudo acaba em samba, urge que nós, os eleitores que iremos escolher os políticos que conduzirão nossos destinos nos próximos quatro anos, usemos nosso bom senso na hora do voto. Caso contrário vamos continuar dançando. (22/08/2016)