RELATIVISMO, ORDEM MUNDIAL E NOVA RELIGIÃO CIVIL

Há algum tempo escrevi sobre meu interesse em relação às “teorias da conspiração”. Tentei deixar claro que, acreditando nelas ou não, via na sua simples existência uma alternativa à igualmente absurda idéia da História como ciência exata, como mecanismo de engrenagens conhecidas e como sequencia de fatos previsíveis uma vez descoberto seu “motor”. Acredito ser uma espécie de consenso em todo meio acadêmico ocidental a ideia de que esse “motor” seja a luta de classes – noção capaz de dotar os historiadores modernos de um entendimento “transversal” do problema eterno que se resume na pergunta – afinal, o que é a História??

Meus amigos, eu já disse uma vez que não tenho a “mínima idéia” de como responder à questão acima e hoje acrescento o seguinte – vejo com olhar de desconfiança quem afirma ter a resposta!

O objetivo nesse pequeno artigo vai ser apresentar algumas reflexões sobre a conexão entre a Teoria Conspiratória da Nova Ordem Mundial e a idéia – aqui distorcida por mim - de Religião Civil.

Em 1762 aparece pela primeira vez na obra de Rosseau a noção de que o cidadão deveria ter uma conjunto de valores e dogmas capazes de sustentar as relações em um mundo novo independente de seu credo original. Um dos conceitos fundamentais é a aceitação “da existência da divindade poderosa, inteligente, benfazeja, previdente e provisora; a vida futura; a felicidade dos justos; o castigo dos maus; a santidade do contrato social e das leis - eis os dogmas positivos. Quanto aos dogmas negativos, dizia Rosseau, “limito-os a um só: a intolerância, que pertence aos cultos que excluímos”. Lembra ainda o autor do Contrato Social que "importa ao Estado que cada cidadão tenha uma religião que o faça amar seus deveres; os dogmas dessa religião, porém, não interessam nem ao Estado nem a seus membros, a não ser enquanto se ligam à moral e aos deveres que aquele que a professa é obrigado a obedecer em relação a outrem". Faço aqui uma pausa para esclarecer o seguinte – desse ponto do texto em diante eu faço uma deturpação daquilo que originalmente se entende por “religião civil” e cujo conceito tentei apresentar nos parágrafos acima. Peço ao leitor que substitua a definição de Rosseau pela do puro relativismo. Pegunto a vocês – como imaginar um mundo em que o relativismo fosse a nova “religião civil”? Que espécie de contrato social poderia surgir daí?? Como eu disse antes, a pegunta em si é pura especulação. Mais do que isso: é utilizar de uma expressão com um sentido muito específico (criada ainda no século XVIII) para designar um fenômeno contemporâneo completamente distinto – no caso o relativismo moral, mas aí começo a me dar conta de algumas coisas e acabo me assustando sozinho.

Em 1987, Allan Bloom deixou claro que nada poderia fazer mais sucesso em qualquer universidade americana do que a idéia de que “a verdade é relativa”. Qualquer pessoa inteligente que leu o texto até aqui poderia me mandar um e-mail perguntando: “Milton, se a verdade não é relativa então o que vem a ser, na tua opinião, a verdade??”Cheque-mate contra mim! Não tenho, se quero ser intelectualmente honesto, condição alguma de responder isso, mas novamente preciso fazer alguns comentários. Toda história da humanidade, até hoje, trabalhou esse problema de uma maneira muito mais instrumental do que propriamente filosófica. Em outras palavras, mesmo sem ter certeza absoluta de uma verdade eterna (como por exemplo Deus) o homem construiu sua vida social fundamentada nela! Esse foi o papel civilizador da religião em qualquer tempo e em qualquer lugar – formar as bases morais da sociedade e a partir delas um código de conduta. Pois bem, volto a pergunta – e se ninguém mais acreditasse em absolutamente nada, como seria o mundo??

Meus amigos, a idéia que originalmente me moveu a escrever isso tudo foi de que nunca vai haver Nova Ordem Mundial sem antes uma Religião Civil que sacramente o relativismo moral. Não tenho aqui o mínimo interesse em provar como verdadeira ou falsa a ideia de um mundo governado por maçons, illuminatis, judeus ou seja lá quem for..Não é esse o objetivo do texto, mas de uma coisa estou completamente convencido – da EXISTÊNCIA aqui no Brasil de um novo tipo de “religião civil tupiniquim” cujo fundamento é, sim, o relativismo moral. Quem vai ver o Papa Francisco que me desculpe, mas “Nunca antes nesse país” tantos acreditaram em tão poucas coisas! Com exceção das idéias de que “política não se discute”, “Deus cada um tem o seu”, e “brigar por causa de mulher é besteira”..quais são as crenças do Brasil Petista? Pior do que isso: vocês já notaram como os nossos “intelectuais” celebram o relativismo como sinônimo de progresso?? Como é “chique” ir na Igreja Católica aos domingos, Centro Espírita na quarta e Terreiro de Umbanda na sexta-feira?? E ainda dizem que esse absurdo todo não é ele mesmo uma “nova religião civil”?? E ainda escutamos “sociólogos e filósofos do B” financiados com dinheiro publico definir isso como “sincretismo democrático”?? ...Como a própria essência da formação cultural brasileira ???

Se dessa religião que apresentei por último resultará ou não uma Nova Ordem caracterizada por um só idioma, uma só moeda, e um só governo não tenho a mínima idéia, mas garanto a vocês – o primeiro passo já foi dado..Quando finalmente já não houver mais absolutamente NADA para se acreditar, quando as pessoas inconscientemente implorarem por algum sentido nessa vida é que há de nascer a verdadeira Nova Ordem - Um só Partido, um só Estado e um só Governo – são eles que virão para preencher o vazio do relativismo moral e são eles que serão ao mesmo tempo Ordem Mundial e Nova Religião Civil.

Porto Alegre, 21 de julho e 2013.

cardiopires
Enviado por cardiopires em 21/07/2013
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