A Candidatura Tiririca


Há muito que uma candidatura a cargo político não provocava tamanho rebuliço, como do duble de humorista que diz palhaço, embora sempre fique a dúvida de se tratar de sua profissão ou adjetivo pejorativo, antes que os defensores dos fracos e oprimidos venham taxar-me de preconceituoso, me permita como simples eleitor avaliar que se propõe a exercer a tarefa de gestão pública, tão sacralizada como ideal, e tão promíscua como prática, ora não sou eu que faço este julgamento mais o próprio candidato no seu discurso de esculhambação, afinal o seu slogan se baseia na virtuosa frase, que por si só mostra as suas sublimes intenções: "Vote Tiririca, pior que tá, não fica". Vejamos o que ele quer dizer com isto, primeiro a coisa não deve estar boa, pois ele fala em pior e não melhor, mais do que isto ele não propõe em melhorar nada, pois como ele não ficar pior, mas também não vai melhorar, o que me permite o subentendido de que ele se considera no mesmo nível dos que estão por aí, que por sinal ele mesmo julga não serem grande coisa, no mais uma coisa é clara não se trata de apenas de uma piada de mau gosto, pois segundo o próprio candidato Francisco Everardo Oliveira Silva: “Não é piada, é realidade”, o que seria até interessante como set de humor, mas que ao transformar-se em plataforma acaba ofendendo a cidadania daqueles que ainda querem ter o direito de pleitear alguma dignidade. Algo que deve ser notado é que a ilustre figura com os seus inúmeros serviços prestados a comunidade pleiteia cargo para deputado federal representando em vaga paulista com o número 2222 o que mostra que o seu partido mais do que nunca o tem em alta conta, pois para ele for reservado o número normalmente reservado as estrelas do partido, o que dá para imaginar que o seu PR o tem como modelo de liderança, e digno de representar as propostas da dita cuja agremiação, que deve ir além da síntese proposta com galhardia patética por este que amanhã poderá ser Vossa Excelência Tiririca, pago as custas do bolso do contribuinte brasileiro para promover a contribuição a Câmara de Deputados, onde afinal ele quer fazer parte por sentir que lá estão os seus iguais. Ele quer, o partido quer, basta o eleitor querer, e teremos o ilustre Deputado Tiririca, alguns comparam o fato ao rinoceronte cacareco eleito para vereador na cidade de São Paulo em 1958, mas quanto a isto há uma diferença como animais não podem se candidatar, em que pese sua popularidade, não tinha partido, nem candidatura, portanto, o quadrúpede em questão não assumiu, mas o bípede Tiririca em sendo eleito assumirá. O fato é um só, o Tiririca não representa, mas se identifica com um segmento da população brasileira, e o risco de fazer representante pelo voto não é pequeno, para parte do eleitorado é uma espécie de vingança, algo como um presente de grego a classe política, que infelizmente vai retornar aquele que presenteia, no mais é de se lamentar pois em citado cidadão, não tem ideais republicanos, o que também muitos não tem, o fato é que ele teve a franqueza, ou a cara de pau de afirmar que está aí para se arrumar, basta lembrar outra parte de sua proposta, em uma ele diz: “estou aquilo para ajudar os mais necessitados, inclusive a minha família” e diz se não for eleito em tom jocoso que “ele vai morrer”, ou ainda quanto ao seu preparo ele mesmo pergunta: “o que faz um deputado federal, na realidade eu não sei, mas vote em mim que eu te conto”, parece bobagem, mas é um meio para ter intimidade, parecer de casa, no mais é realmente falar eu não estou nem aí, você também não, então já que tem que mandar alguém para aproveitar, manda eu, eu sou legal, faço você rir. Deve ser isto, pois em outra ele diz, depois de se dizer o candidato lindo “esta cansado de quem trambrica, vote Tiririca, votando em mim, eu vou estar em Brasília, e vô esta na realidade fazendo o coisa da vida do nosso Brasil, a nossa vida, o nosso momento, o nosso coisa que nós temos” e termina conclamando “vote no abestado” se referindo a si. Seja como for o cidadão em questão corre o risco de ter a candidatura caçada, isto porque o Ministério Público Eleitoral baseado em notícia publicada na revista "Veja", que informou que o humorista declarou ao TSE não possuir nenhum bem, pois teria colocado todo o seu patrimônio em nome de terceiros, depois de responder a processos trabalhistas e de sua ex-mulher, o que caracterizaria mentira que é crime eleitoral, ao mentir sobre o patrimônio, enfim eis aí algo para avaliar o ilustre gozador. Se é certo ou errado, não é tão simples assim, mas o ideal será ver um dia a população indignada com um fato destes, enquanto a jocosa piada for mais importante que a cidadania haverá lugar para os muitos Tiriricas, seja dos mais disfarçados, seja dos mais descarados.

Autor - Gilberto Brandão Marcon, Professor e Pesquisador da UNIFAE, Ex-Presidente do IPEFAE (2007/2009), Economista graduado pela UNICAMP (1982/1985), pós-graduado 'lato sensu' em Economia de Empresas pela FAE (1986/1988), com Mestrado Interdisciplinar em Educação, Administração e Comunicação pela UNIMARCO (2006/2008), Comentarista Econômico TV União, Escritor, e com aperfeiçoamento como aluno especial no Mestrado de Filosofia da UNICAMP na área de Filosofia da Psicanálise (2002/2003). Membro da Academia de Letras de São João da Boa Vista, Cadeira nº 06, Patrono: Mario Quintana.
Gilberto Brandão Marcon
Enviado por Gilberto Brandão Marcon em 25/09/2010
Reeditado em 28/04/2012
Código do texto: T2520597
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