VIDA E OBRA DE HELENA KOLODY

CADEIRA 04 – CLEUSA PIOVESAN

PATRONA: HELENA KOLODY

APRESENTAÇÃO

A poetisa Helena Kolody nasceu a 12 de outubro de 1921, em Cruz Machado (PR), e faleceu em 14 de fevereiro de 2004, em Curitiba. Seus pais, Miguel e Vitória Kolody, foram imigrantes ucranianos que se conheceram no Brasil. Helena passou parte da infância, até 1920, em Três Barras, e depois, 1922, na cidade de Rio Negro, onde concluiu o curso primário. Além de seus dotes poéticos, estudou piano, pintura e, aos doze anos, escreveu seus primeiros versos. O primeiro poema de Helena Kolody, publicado, foi A Lágrima, aos 16 anos de idade, e a divulgação de seus trabalhos, na época, foram na revista Marinha, de Paranaguá.

Aos 20 anos, Helena iniciou sua carreira de professora do Ensino Médio e foi, também, inspetora de ensino em escola pública. Lecionou no Instituto de Educação de Curitiba por 23 anos. Helena Kolody foi professora da "Escola de Professores", em Jacarezinho/PR, onde lecionou por vários anos. Também lecionou em Ponta Grossa, administrando aulas de metodologia e biologia.

Em 1928, Kolody publicou seu primeiro poema "A lágrima", na revista O garoto, editada por um grupo de estudantes. Cruz, (2010, p. 38) resgata para os anais da literatura essa preciosidade:

Oh! lágrima cristalina,

Tão salgada e pequenina,

Quanta dor tu não redimes!

Mesmo feita de amargura,

És tão sublime, tão pura

Que só virtudes exprimes.

Ao coração torturado,

pela saudade magoado

Pelo destino cruel,

Tu és a pérola linda

do rosário que não finda,

Feita de tortura e fel.

O primeiro livro, publicado por Kolody, em 1941, foi Paisagem Interior, dedicado a seu pai, Miguel Kolody, que faleceu dois meses antes da publicação.

Helena se tornou uma das poetisas mais importantes do Paraná, principalmente porque foi pioneira no Brasil na composição do haicai, em 1941, forma poética de origem japonesa que prima pela concisão, ou seja, dizer o máximo com o mínimo de palavras. Foi a primeira mulher a publicar haicais no Brasil. Em 1993, foi homenageada pela comunidade nipônica brasileira, que a intitulou “haicaísta”.

Helena Kolody faleceu em 2004, aos 91 anos, por problemas cardíacos, e seu corpo foi enterrado no Cemitério Municipal de Paraná.

OBRAS DE HELEMA KOLODY

 Paisagem Interior (1941)

 Música Submersa (1945)

 A Sombra no Rio (1951)

 Poesias Completas (1962)

 Vida Breve (1965)

 Era Espacial e Trilha Sonora (1966)

 Antologia Poética (1967)

 Tempo (1970)

 Correnteza (1977, seleção de poemas publicados até esta data)

 Infinito Presente (1980)

 Poesias Escolhidas (1983, traduções de seus poemas para o ucraniano)

 Sempre Palavra (1985)

 Poesia Mínima (1986)

 Viagem no Espelho (1995, reunião de vários livros já publicados)

 Ontem, Agora (1991)

 Reika (1993)

 Sempre Poesia (1994, antologia poética)

 Caixinha de Música (1996)

 Luz Infinita (1997, edição bilíngue).

 Sinfonia da Vida (1997, antologia poética com depoimentos da poetisa)

 Helena Kolody por Helena Kolody (1997, CD gravado para a coleção Poesia Falada)

 Poemas do Amor Impossível (2002, antologia poética)

 Memórias de Nhá Mariquinha (2007, obra em prosa)

 Prêmios e homenagens

 1985 - Recebe o "Diploma de Mérito Literário da Prefeitura de Curitiba".

 1987 - Recebe o título de "Cidadã Honorária de Curitiba".

 1988 - Criação do "Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody", realizado anualmente pela Secretaria da Cultura do Paraná, em sua homenagem.[5]

 1989 - Gravação e publicação de seu depoimento para o Museu da Imagem e do Som do Paraná.

 1991 - Eleita para a Academia Paranaense de Letras.

 1992 - O filme A Babel de Luz, do cineasta Sylvio Back, homenageia os 80 anos da poetisa, tendo recebido o prêmio de melhor curta-metragem e melhor montagem, do 25° Festival de Brasília.

 2002 - Exposição em homenagem aos 90 anos da poetisa, na Biblioteca Pública do Paraná.

 2003 - Recebe o título de "Doutora Honoris Causa" pela Universidade Federal do Paraná.

(https://pt.wikipedia.org/wiki/Helena_Kolody)

A GRANDE DAMA DA POESIA PARANAENSE

Helena Kolody, a grande dama da poesia paranaense, inova no gênero poema, em 1941, com a obra Paisagem interior, instigando outras autoras a adentrarem o universo da poesia. Sua obra poética é permeada de referência à vida, à solidariedade, à natureza e à inquietude da alma humana. Há um trocadilho com as letras iniciais do nome da poeta, HK, consoantes da composição da palavra haicai, como uma marca que a identifica.

Para celebrar a importância de Kolody no cenário literário nacional, o Centro Paranaense Feminino de Cultura, propôs a Lei 14.821/2005, de autoria do Deputado Hermas Brandão, que instituiu o dia 12 de outubro, dia de nascimento de Helena Kolody, como Dia da Poesia Curitibana. A lei, outorgada em 19 de setembro de 2005, foi pensada com o objetivo de reconhecer a grandeza da poetiza no cenário da poesia paranaense e em sua representação no cenário nacional, nome ainda de relevância no cenário contemporâneo.

A obra de Helena Kolody é objeto de pesquisa de muitos estudiosos da literatura nacional e estrangeira, e de acadêmicos de cursos Stictu sensu, na atualidade, como é o caso da tese de Doutorado do argentino Cristian Javier Lopez, intitulada Idea Vilariño e Helena Kolody: Cantos à vida - Encontros poéticos na América Latina (2020), na qual fez uma análise comparativa da poesia de Helena Kolody com a obra de Idea Villariño, autora argentina, e dos estudos acadêmicos do professor Doutor Antônio Donizeti da Cruz, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) que possui um livro publicado a respeito da obra dessa distinta poetisa, Helena Kolody: a poesia da inquietação (2010); além de vários artigos, explorando os nuances da obra de Kolody. Cruz (2010, p. 22) afirma que “Na poesia de Helena Kolody, há uma certa inquietação do sujeito lírico, ao tratar da questão da Ucrânia e da sua cultura. Nota-se uma nostalgia e um constante retorno às origens, referenciando os imigrantes e descendentes ucranianos”, comprovando a forte ligação da autora com suas origens.

A simplicidade, não apenas nas expressões poéticas, mas em seu estilo de vida, fez de Kolody uma autora admirada pelo meio literário. Sua ausência de vaidade revelava-se no carisma com que recebia as homenagens. Sua primeira publicação, Paisagem interior, surge num momento em que no Paraná a presença de representantes da corrente simbolista ainda é bastante marcante, porém a autora imprime traços da modernidade em seus poemas (versos livres e brancos e poemas sintéticos), embora mantenha-se bastante ligada aos temas mais presentes no Simbolismo, como a espiritualidade, a expressão máxima dos sentimentos, por meio de um lirismo exacerbado. Kolodi (1986) declara:

Venho de um tempo em que a poesia era rigorosamente metrificada, do tempo do soneto, embora sempre procurando caminhos novos. Hoje, meus versos são polimétricos e, ainda, têm ritmo. Embora não pareça, o verso moderno é muito mais sutil do que o tradicional. Na poesia moderna, os ritmos são livres, nascidos da ideia a expressar-se; o poema tem um ritmo interno, ajustado ao corpo da ideia. Esse modo de versejar não é tão novo como parece. Até os versos da Bíblia são de ritmo leve (KOLODY, 1986, p.15).

Na década de 1980, pela primeira vez um livro de Helena Kolody, Sempre palavra, é publicado por uma editora, a Criar Edições, de Roberto Gomes. A publicação dessa obra levou a escritora a conquistar o público nacional, sendo apreciada por leitores de todas as idades. Um dos poetas que rendeu homenagens a Kolody foi Paulo Leminski, outo haicaísta paranaense de renome nacional e internacional. Leminski, declara Kolody “é o poeta mais moderno de Curitiba, de uma modernidade de quase oitenta anos”, e diz que

quando, em 1941, Helena publica, em Curitiba, as suas próprias custas, a coletânea ‘Paisagem Interior’, seu primeiro buquê de poemas, Bilac ainda é um Deus, o Modernismo de 22 ainda é apenas um escândalo e a poesia só é reconhecível nos trajes de gala do soneto. [...] o rico movimento simbolista [...] presente no Brasil todo, tinha tido em Curitiba o seu centro mais ativo: É Brito Broca quem diz, em 1910, Curitiba era cidade literalmente mais importante do Brasil. Basta ver que oito das quinze revistas do Simbolismo brasileiro foram editadas aqui, entre 1895 e 1915. Mas quando Helena começa a produzir e publicar, esse momento já tinha passado, deixando atrás de si apenas um perfume e uma vibração (LEMINSKI, 1985, p. 11).

Como constata Leminski, Helena Kolody firma-se na literatura nacional, entre os grandes poetas que a precederam e demarca seu lugar de honra não apenas na literatura paranaense, mas na literatura brasileira, figurando entre os poetas clássicos, exaltados pelos críticos literários.

A vasta de Helena Kolody é apresentada por CRUZ (2010), em livros de sua autoria e em vários artigos acadêmicos, nos quais situa a trajetória da autora, num período de 20 anos, no quais recebeu muitas avaliações de críticos literários, sempre elogiando sua sagacidade e a inovação que Kolody apresentava nas composições e a simplicidade com que seus versos chegavam ao público:

Em 1945, publica Música submersa e em 1951, é publicado A sombra no rio. Em 1957, publica a segunda edição de A sombra no rio. Em 1959, o "Centro Paranaense Feminino de Cultura" publica Trilogia, separata de Um século de poesia. Em 1964, publica Vida breve. Lacerda Pinto, em seu artigo "Helena Kolody e Vida Breve", publicado no Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, a 20 de setembro de 1964. [...] Em 1965, publica 20 poemas e, em 1966, Helena edita em um único volume dois novos livros: Era espacial e Trilha sonora. [...] e Era Espacial, em 1966. [...]

Em 1967, publica Antologia poética. Nesse ano, aposenta-se como Inspetora de Ensino. Em 1970, publica Tempo. Miguelina Soifer, em seu artigo, "Tempo e instantaneidade em Kolody", publicado na Revista Letras, de Curitiba, afirma que Tempo é um "livro-resumo", em que o poeta ascendido e despojado para a visão retrospectiva, pronuncia seu "Benedicite" à vida, e também lança seu "olhar interior à procura de resposta para as grandes interrogações: sentido da arte, missão do poeta, poesia como destino. Kolody 'situa-se' na vida como poeta” (CRUZ, 2010, p. 41/42).

Helena Kolody publicou seus textos em dezenove de seus números, da revista Nicolau, e concedeu uma entrevista numa das edições (n. 8, entrevista concedida a jornalista Telma Serur). Também teve uma caricatura sua publicada em outra (n. 33, ao lado de Dalton Trevisan, Wilson Bueno e Paulo Leminski, caricaturas de Paixão). Resumindo, participou de um terço de todos os exemplares do periódico, o que contribuiu para que se tornasse uma autora conhecida, e apreciada por seu notório talento. E não foi apenas sua contribuição na Nicolau que a popularizou, o governo do Estado do Paraná de grande importância para a divulgação da obra da autora, como registrado em sua biografia:

em 1985, Helena Kolody recebeu o Diploma de Mérito Literário da Prefeitura de Curitiba. Em 1988, foi criado o “Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody”, realizado anualmente pela Secretaria da Cultura do Paraná. Em 1989, o Museu da Imagem e do Som do Paraná gravou e publicou um depoimento da poetisa. Em 1991 foi eleita para a cadeira nº 28 da Academia Paranaense de Letras. Em 2003, Helena recebeu o título de “Doutora Honoris Causa” pela Universidade Federal do Paraná (https://www.ebiografia.com/helena_kolody/).

Uma autora contemporânea, que estava sempre atualizada com o que se passava no cenário literário nacional, Helena Kolody participou de inúmeras antologias ao lado de outros grandes nomes da literatura. Seu prestígio e reconhecimento, ainda em vida, foi engrandecido por seu estilo conciso e pelo enfoque de suas temáticas, tão pertinentes em relação à observação do mundo.

A CONSTRUÇÃO POÉTICA DE HELENA KOLODY

Helena Kolody, foi uma poetisa, herdeira da uma tradição modernista, que procurava fazer do quotidiano um laboratório de análises para sua lírica, entrelaçando poesia e vida, para expressar o quanto seu “eu” pulsava, ao deparar-se com o inconstante cotidiano, seja nas pessoas, seja nas paisagens, seja nas transformações socioculturais. Segundo Linhares (1986),

a sua trajetória de poeta já percorreu várias estradas. Não porque tenha vindo do romantismo, ainda presente em muitos de nossos poetas, ou porque tenha desembocado em qualquer tipo de poesia de vanguarda. As suas mudanças têm sido realizadas mais através de suas hesitações secretas, à custa de muito esforço, com a sua arte reduzida a alguns raros signos concretos: a estepe que ela não viu, a infância, a solidão, a voz das raízes, entre outros (LINHARES, 1969, p. 1).

A primeira publicação de Kolody, Paisagem interior, é composta numa época de conflitos, representados pela II Guerra Mundial, com o presente sem visão de perspectivas, num contexto social marcado pela opressão e pela de falta de liberdade, além da instabilidade política e econômica, gerada por crises nas democracias liberais. Cruz (2006), analisa a poesia de Helena Kolody, sob essa ótica, e reforça o preceito de a obra de arte estar ligada a seu contexto social, ao afirmar que

o significado da produção literária, a reação do material escrito com sua época, a intemporalidade da obra de arte se imbricam, e tomam formas a partir de uma tomada de consciência por parte do artista, fundamentada na questão estética tendo como eixo norteador da relação do eu com o mundo. Nessa perspectiva, a história está interligada à vida e ao fazer poético, uma vez que a produção literária se insere no campo da história literária (CRUZ, 2006, p. 265/266).

A literatura do Modernismo brasileiro contesta a produção literária centrada em padrões pré-estabelecidos e prima por maior liberdade criadora. Nesses aspectos, toda a obra de Helena Kolody apresenta momentos privilegiados na percepção da realidade, tanto interior quanto exterior, podendo seu olhar se fixar numa paisagem do mundo e/ou numa realidade próxima, comum ou inusitada, configurando-se num modo peculiar de expressar o que lhe ia por dentro.

Quanto à predileção da autora pelos haicais, poemas marcados pela concisão, tanto de ideias quanto de vocabulário, pela brevidade e pela concentração intensa de uma linguagem esteticamente organizada, como se fosse um flash de um momento que se tenta aprisionar com palavras, a própria autora declara:

os literatos e os críticos simplesmente ignoraram essa poesia que ninguém, ainda, estava fazendo no Paraná. No entanto, meus alunos, alunas principalmente, decerto porque eram muito jovens, e os jovens adoram novidades, gostaram muito. Tanto que a turma de 1943, se não me engano, ofereceu-me, como presente de aniversário, seis quadros, em pergaminho, com ilustrações dos três ‘hai-kais’ de Paisagem interior: três quadros de Guido Viaro e três iluminuras de Garbácio. Meus alunos sempre amaram minha poesia; divulgaram-na pelo Paraná afora (KOLODY, 1986, p. 27).

Helena Kolody foi uma mulher além de seu tempo. Ao mesmo tempo que estava atrelada a uma vida simples, em um Estado (Paraná) de ainda pouca notoriedade no cenário nacional, e com poucas mulheres adentrando o campo das artes literárias, a poetisa mantinha-se informada sobre as transformações que ocorriam no campo da Literatura e observava os novos movimentos como uma espécie de experimentação, à qual ela também aderiu, ao aventurar-se na composição dos haicais. Pela grande preocupação da poetisa em atrelar seu fazer poético ao contexto social, sem desvincular-se da preocupação com a estética da produção literária, Cruz (2011) afirma que

os poemas kolodyanos possuem uma relação de sentido que os mantêm interligados a uma constante temática: a construção do poema, o fazer poético e o uso de seu material, discutindo o valor das palavras, frases, linguagem, as dificuldades encontradas pela poeta na construção de seus poemas. Nota-se, também, a tentativa de Kolody em transpor muros e barreiras através do trabalho da linguagem, tendo em vista a livre expressão de seus anseios e desejos (CRUZ, 2011, P. 15).

Inventar é um modo de instaurar um diálogo entre o eu e o mundo (diálogo precioso percebido na obra de Kolody) é para o poeta, um exercício de reflexão e de inferências sobre uma realidade posta ou vivenciada que, no momento da criação, lhe permite o afloramento de uma consciência até então não percebida, de ver e de dar sentido às coisas e à vida. É nesse viés que a obra de Helena Kolody marca toda uma geração: a essência do fazer poético; transformar o poema no mediador entre o eu e o mundo. Ao analisar a base da criação kolodyana, Cruz (2006) constata que

estão o senso de trabalho poético e a noção de ritmo, entre outros procedimentos. Optar pelo verso livre, no final da década de 30 e início da de 40, quando começa a escrever e publicar, quando boa parte da poesia escrita no Paraná se resumia à arte poética metrificada e do soneto, significou para a poeta questionar a rigidez da métrica parnasiana e, ao mesmo tempo, levar adiante as pesquisas da musicalidade e do simbolismo brasileiro (CRUZ, 2006, p. 266).

Em Helena Kolody há toda uma preocupação com a linguagem e com os elementos que estruturam o fazer poético, não apenas a simples inspiração. Kolody, seguindo os moldes da poesia modernista, dedica-se à composição, principalmente, de poemas sintéticos, tais como os dísticos, tercetos, quadras, epigramas, tankas e haicais, escolhidas pela poetisa, justamente, pela concisão da linguagem e pela expressividade que pode ser extraída em versos de poucas palavras, com um amplo contexto de significação das vivências do ser humano. Muitos dos poemas de Kolody são de cunho intimista, revelando os conflitos existenciais que permeias=m as relações humanas. Como salienta Cruz (2011)

o movimento modernista, em nível nacional, legou à poesia brasileira o verso livre, a “liberdade de linguagem” sem estar presa às regras da gramática e da retórica, o humor, a naturalidade e a sinceridade de expressão, uma maior “humanização” através do aproveitamento lírico do cotidiano CRUZ, 2011, p.3).

A obra de Helena Kolody torna-se um marco conceitual dentro da literatura que se pretendia um estandarte de novas ideias, que promovessem reflexões sobre o eu e seu “estar no mundo”. Essa é uma das principais características da poesia modernista que condensa a função poética da palavra de modo que condense o texto em si ao ritmo e à melodiosidade sem perder a essência e a beleza do poema como expressão artística.

CONCLUSÃO

Na poesia de Helena Kolody, há uma constante preocupação do eu poético em relação ao cuidado na elaboração precisa da linguagem, uma maneira toda peculiar de a autora entrelaçar sua percepção do mundo às coisas que a cercam, impregnada de sentimentos. Kolody faz do ato de criação um comprometimento com a vida e com a arte, libertando o pensamento para representar o real, bem como para criar universos imaginários, nos quais a poesia faz morada.

Perpassando temas como o tempo, a contemplação da natureza e do ser humano, a permanência e a transitoriedade, a solidão, a memória, e tantos outros que permitem reflexões instantâneas, justamente, pela escolha dos gêneros poéticos que primam pela concisão, Kolody desfila diante do leitor um caleidoscópio de impressões pessoais, dando margens a interpretações das mais diversas, porque a poetisa consegue explorar os meandros das relações humanas, em seu contexto individual e coletivo.

Talvez seja marca de todo escritor em seus primeiros escritos apresentar um cunho mais intimista. Foi o que aconteceu com Helena Kolody também, mas, a partir de sua busca por apresentar ao público as inovações poéticas, tão caras aos modernistas, o caráter intimista e confessional é substituído por uma poesia mais comprometida com o social. O subjetivismo dá lugar ao universalismo, no qual a poetisa deixa transparecer sua consciência de mundo, tanto como sujeito social individual, observador de um lugar específico, quanto como sujeito coletivo, incorporando os sentimentos de outrem e, magistralmente, por meio de poemas sintéticos, consegue traduzir o que identifica o sujeito como humano.

Analisar Helena Kolody e tentar entender a dimensão de sua obra por meio de análises literárias e de interpretações de tudo o que ela produziu é tarefa que não se esgota. Sempre haverá algo a dizer sobre a grande dama da poesia brasileira, pois sua obra representa um divisor de águas no universo literário.

REFERÊNCIAS

CRUZ, Antônio Donizeti da. Helena Kolody: a poesia da inquietação. Marechal Cândido Rondon: Edunioeste, 2010.

________ . A construção poética em Helena Kolody. Revista Ciências & Letras, Porto Alegre, n.39, p.264-278, jan./jun. 2006. Disponível em: http://www.fapa.com.br/cienciaseletras/publicacao.htm

_________ . A POESIA DE HELENA KOLODY NO CONTEXTO DA LITERATURA DO PARANÁ. Revista Línguas & Letras. ISSN: 1981-4755 (eletrônica) — 1517-7238 (impressa) Número Especial – XIX CELLIP – 1º Semestre de 2011.

FONTES, Luísa Cristina dos Santos. Página em construção: Helena Kolody e a crítica. Fazendo Gênero: desafios atuais, 2013.

KOLODY, Helena. Helena Kolody: um escritor na Biblioteca. Curitiba: BPP/ SECE, 1986.

________, Helena. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Helena_Kolody. Acesso em 29/03/21.

________, Helena: poetisa brasileira. Disponível em: https://www.ebiografia.com/helena_kolody/. Acesso em 02/04/21.

LEMINSKI, P. Santa Helena Kolody. Gazeta do Povo, Curitiba, 26 jun. 1985, p. 11.

LINHARES, Temístocles. A poesia de Helena Kolody (I). Gazeta do Povo: Curitiba, 16 fev. 1969, p. 1.

Cleusa Piovesan - Cadeira 04
Enviado por ABLAM em 06/05/2023
Reeditado em 06/05/2023
Código do texto: T7781580
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