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A CENA


“...é tempo de tempo / que o sonho ainda existe /
e que a vida é roda do mundo a girar”  (Lise M.R.Fank)

Abro a porta que tem vista para a praia e vejo pulsar o ritmo do cotidiano ao se embrenhar nas águas do mar. Compartilho a paisagem quando mergulho no reflexo do espelho. Não há conceito, apenas imagens que ocultam minhas palavras. Não há espelho, há o reflexo da consciência de que o pensamento me persegue em único instante de liberdade. Como revela Gilberto Mendonça Teles, “... No seu espelho a realidade / se vê mais espessa e infinita, / porque ali o tempo se bate / no centro da árvore da vida”.
Nesta fresta a memória soa como eco entre uma palavra e outra; uma lembrança e outra; um pensamento e outro. Sorvo o ritmo do ar marinho ao olhar para o barco deslizando; como em Jaime Vaz Brasil, “... Quando a palavra / amanhece // desaba / e fusiona tudo // à fenda de um pesadelo / que espia seu conteúdo”.
Sem história, costuro o horizonte em seu infinito percurso e partilho a praia com o albatroz. De uma forma ou de outra, retiro a máscara e renego o que o vento demarca. Então, volto ao dia a dia onde encaro o sonho como sonho. Regresso aos meus sentimentos e recuso a paisagem, o barco e o mar que trama em ondas.
Espantada, acordo!
Tânia Du Bois
Enviado por Tânia Du Bois em 07/09/2016
Código do texto: T5753749
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Tânia Du Bois
Balneário Camboriú - Santa Catarina - Brasil, 63 anos
418 textos (50498 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 25/09/20 04:45)
Tânia Du Bois