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OLHAR SEM LIMITE


“Os olhos são da alma as janelas, / Refletem do interior as emoções, / Mostram o furor das íntimas procelas / E algo do que sentem os corações...” (Mário V. Da Costa)

Olhar é a palavra chave para entender que, às vezes, preciso buscar na reflexão o que existe dentro de mim, porque muitas vezes olho e não vejo, faço vistas grossas por medo ou tristeza. Pedro Amaral diz que, “...meu olhar é triste: //...É tristeza (assim veja) / De alguém que viu / ...E não deteve o espanto.” E no romance O Homem Que Olha, de Alberto Moravia, “...Silvia não fala, fixa-me com olhos arregalados, mas parece que não me vê...”
O olhar é mais que postura e atitude que revela a maneira como olho no determinar o que procuro e persigo. É momento em busca de desvendar e enxergar novos rumos. Encontro n’O Dia nos Olhos, de Álvaro Moreyra, “Acordei com o dia nos olhos. E até agora tenho sido um cartaz de bom humor... Olhei, agradecido, as areias, as árvores, as janelas, as nuvens. Nunca vi mulheres tão bonitas!...”
A graça da vida está em olhar sem limite e procurar sem trégua algo e alguém que me leve a crer que o desejo é a miragem da perspectiva esperada. Trago na lembrança muito do que vi desde a infância, e certas paisagens ficam arraigadas. A imagem que me vem à mente é a releitura do meu olhar sem limite, que derruba a incerteza e me seduz no redescobrir a beleza e o significado da vida; com isso, renovo as energias e aumento a minha capacidade de realização, como em Augusto Branco, “...A beleza está nos olhos de quem vê...O mundo é o que você enxerga, mas principalmente o que você quer enxergar e o que você quer fazer dele.”
Olhar sem limite é olhar para dentro e decidir o que é importante na vida; olhar a paisagem e recompor as imagens saborosas; ato capaz de iluminar a emoção que encontro nas palavras, como no livro de poesias de Miriam Portela, No Fundo dos Olhos.
Só que os tempos são outros: de diversidade, flexibilidade e artes. Estou pronta para olhar (sem limite) novas paisagens? É próprio de a pessoa vislumbrar o futuro; e lembro-me de Jaime Vaz Brasil, no livro Olhos de Borges, “...(onde o parto dos escritos / não nascidos pelos olhos?)...”
Muitas vezes olho e não gosto do que vejo, causa-me inquietação e insatisfação. Cada olhar, nesse sentido, altera a emoção e a mente fica sobrecarregada de preocupações; posso dizer que hoje sou estressada. Em Lígia A. Leivas, “Um olhar que se despede, perpassa a porta entreaberta...”. Em vez de ficar paralisadas, procuro olhar para o outro lado da porta na sensação de ser visível, de ver o colorido da natureza e abrir mão para optar. A palavra de ordem é olhar sem limite para ver o mistério revelado e obter as conquistas desejadas na vida pessoal. Benedito César Silva pergunta, “Só com olhos de poeta é possível ver?”, e Murilo Mendes responde, “Meu novo olhar é o de quem já sabe / Que a alegria e ventura não permanecem...”.
Tânia Du Bois
Enviado por Tânia Du Bois em 09/03/2016
Código do texto: T5568817
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Tânia Du Bois
Balneário Camboriú - Santa Catarina - Brasil, 63 anos
418 textos (50458 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/09/20 13:56)
Tânia Du Bois