Copa do Catar: dia de enfrentar o ferrolho ...Suiçaí...?

(republicação)

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Olho no ferrolho

Da mesma forma que o saudoso Professor Plínio Malachias se jactava de ser a maior autoridade brasileira em complemento nominal, com direito a registro no Guinness Book of Records, o Diminhas, colega de rachas e peladas, se posicionava - e deve se posicionar ainda... - como o supra-sumo sacerdote na doutrina e na prática do ferrolho.

E não podemos senão nos indignarmos enquanto esse reconhecimento de excelência não for atribuído a essa insigne dupla de cidadãos de Pitangui, a tricentenária Velha Serrana das Alterosas Minas Gerais.

Aluno de um, e companheiro do outro desde os albores daquela década dos anos sessenta de tantas realizações, posso contudo, apenas secundar a opinião do mano menor Beu que pode por tempo mais dilatado associar-se a essas verdadeiras feras em seus distintos ofícios.

O célebre latinista e também lente de excelência da cátedra de Língua Portuguesa, Professor Newton Souza Braga, colega de magistério do citado Professor Malachias corroborava, sem hesitação e com um entusiasmo incontido as asserções plínicas, tanto no varejo quanto no atacado. E até parodiando aquele também talentoso e criativo articulista do influente noticioso Município de Pitangui, Newton arrematava o seu juízo: Si non è vero, è bene trovato. E estávamos conversados, e doutrinados.

Quanto ao egrégio ferrolhista Dimas, cabia destacar, ab initio que ele já provinha da afortunada circunstância de serem dois os Dimas de sua rua, a Ignácio Camillo, que não continha mais do que uma dezena de casas: o Freitas, e ele próprio, Alves de Oliveira.

Mas vamos ao seu métier, sem mais delongas: Dimas era um marcador de rara excepcionalidade. Em peladas rueiras ou em situações campais mais bem aplainadas, malgrado pedregulho e poeira, ou barro em ambos os ambientes, jamais consegui dar-lhe um drible ou mesmo vencer sua marcação, o seu pé - de ferro - salvador sempre, continha e rebatia minhas investidas... Mas o leitor há de perguntar, e o que isso tem a ver com o ferrolho...? E me apresso em responder, pleno de convicção e prova: quase tudo.

Dimas era adepto dessa estratégia originária da Suíça, e estendida mundo afora como retranca, catenaccio, etc, a partir de suas próprias observações e intensa prática, sobretudo no futebol de botões, quando com um atacante apenas, coalhava a sua grande área de defensores, pouco se importando com a beleza do espetáculo ou com a loucura dos adversários e, o empate, de placar e de tempo, era o mínimo que conseguia no embate.

Paulo Miranda

Enviado por Paulo Miranda em 18/08/2021

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Paulo Miranda
Enviado por Paulo Miranda em 28/11/2022
Reeditado em 28/11/2022
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