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Quem é Ricardo?

Quem é Maria? Quem é Joaquim?

O sistema escolar brasileiro, do século XIX,  não sabe. Só sabe quem é o modelo de estudante que essas crianças e adolescentes são forçadas a tentar atingir. Imagine uma forminha quadrada e uma estrela amarela do mesmo tamanho. Tente encaixar a estrela amarela nessa forminha. Já sabe que não conseguirá, né? Pois bem, o sistema escolar brasileiro, dito tradicional, funciona assim. Só existe um formato ou modelo de estudante. Enquanto que existem Ricardos, Marias e Joaquins... Todos, estudando as mesmas matérias, fazendo as mesmas provas e tirando notas distintas e coloridas. Por quê? Preguiça do Ricardo. Maior esforço da Maria. Poderia ser apenas isso, mas na maioria das vezes, a falta de esforço está associada à uma consciência instintiva do estudante ou do indivíduo quanto aos seus próprios limites. Não estuda porque o cérebro não acompanha a mesma velocidade ou não consegue guardar a mesma quantidade [ou tipo] de informações ou mesmo porque se desenvolve mais lentamente e ainda não atingiu o nível que está sendo exigido. Já li um artigo comentando sobre estudantes superdotados que vão mal na escola ou abaixo das ''expectativas' porque apresentam desenvolvimento mais longo de suas constituições neurológicas. Mas isso, a escola pré-histórica que temos não faz ideia.  Não é surpresa que a maioria dos estudantes brasileiros vejam-na mais como um local de socialização do que de aprendizado, e, ainda que aprendam e reconheçam a dedicação dos professores, não tem como um modelo único funcionar para uma diversidade.

Então o que proporia para substituir este dinossauro industrial anglo-germânico de dois séculos atrás?

Que todos continuem a ser expostos ao mesmo currículo mas que tenham peso ou avaliação personalizado aos seus perfis cognitivos e psicológicos. Que os boletins se baseiem  nesses perfis e não no modelo do aluno "exemplar", que apenas alguns poucos conseguem alcançar. Se Ricardo é melhor em matemática do que em português,  que sua avaliação o incentive em sua força mas não perca de vista sua fraqueza. Que no português, sua maior  lentidão e limitação sejam respeitadas e trabalhadas dentro de suas possibilidades. Do contrário, será como tentar encaixar uma estrela em uma forminha quadrada.

Se ficará mais trabalhoso para o professor fazer provas especializadas, então que o número de professores seja aumentado ou, o de estudantes por classe diminuído. Ou então que o professor seja orientado a dividir sua turma em sub-grupos, e/ou que faça pequenas provas ao longo do período, e/ou que tenha um professor-ajudante, enfim, existem muitas possibilidades para lidar com esse desafio tão necessário, porque já passou da hora da escola ''tradicional'' abrir seu espaço para uma concepção ''moderna'', cientificamente comprovada, segura, eficiente, realista e empática com os estudantes. Não adianta ensinar o que é inteligência [não em seu todo], agindo com estupidez.

Que todos os estudantes tenham mapas de aptidões e tendências comportamentais determinados para que possamos construir modelos de ensino [e tratamento] especializados. Do contrário, e continuará a mesma corrida maluca e a escola como vilã da história, como um lugar de opressão, onde muitos estudantes aprendem a odiá-la, até mesmo chegando a odiar o próprio conhecimento.

E com implicações tanto no ensino superior quanto aos concursos públicos. A palavra-chave é o verbo ''especializar'', que é quase o mesmo que respeitar a diversidade humana, em relação à sua variedade de perfis cognitivos e psicológicos.
Thiago Fávero
Enviado por Thiago Fávero em 06/08/2019
Código do texto: T6713592
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Thiago Fávero
Bicas - Minas Gerais - Brasil, 31 anos
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Thiago Fávero