O DESTINO DE POBRE SEM ESTUDO E SEM PROFISSÃO

Há um triste paradoxo no Brasil. Os professores se graduaram e muitos viraram mestres e doutores, as famílias das crianças e adolescentes recebem Bolsa Família para que os estudantes não sejam mais obrigados a dividir o tempo entre os estudos e o trabalho. As escolas passaram a contar com recursos tecnológicos e os estudantes têm maior acesso a acervos literários e livros didáticos. As vagas e os transportes escolares existem num número nunca visto antes.

Nunca se teve tanto acesso a informação. A TV, a internet e os livros estão acessíveis a quase todos,entretanto, nunca uma geração de jovens esteve tão perdida. Grande parte perdeu o respeito, os valores e a direção. Não aprendem quase nada, seja da vernácula, da matemática, geografia, história os ciências.

Diferentemente da atual realidade, na minha época quase todas as crianças pobres trabalhavam. Na zona rural éramos obrigados a faltar na escola para fazer os mutirões de plantações e colheitas. Chegávamos cansados à escola após trabalhar o dia inteiro e fazer longas caminhadas, mas aprendíamos muitas coisas com as professoras quase todas leigas.

Levávamos nossas brochuras em qualquer embalagem que encontrávamos. Não tínhamos mochila, nem caderno de matérias, tampouco tênis ou roupas de marca.

Hoje, com todo o tempo disponível apenas para estudar, muitos jovens não o fazem. Muitos nem são dignos de serem chamados de estudantes, porque não o são. Estudantes são pessoas que estudam! Hoje, muitos apenas frequentam a escola para receber o benefício do governo ou para exibir seus cortes de cabelo, suas roupas e smartphones!

- Você é sobrinha da fulana?

- Não sei. Ela é minha tia!

Não sabem nem o nome dos membros familiares porque as famílias já não existem e as que ainda resistem já não conhecem a hierarquia! Os criadores são subjugados pelas criaturas!. E assim chegam aos 10, 12, 15 anos sem saberem lavar um prato ou com o domínio das matérias básicas, mas aos 8 ou 9 anos já falam de namoro e se assanham até pra casar!

Para ficar bonito nas estatísticas alguns professores aprovam alunos sem nada saber, outros o fazem por pressão dos seus superiores ou com medo de serem chamados de chatos! É assim que as pessoas sensatas e responsáveis costumam ser conceituadas por essa geração.

Alguns pais ainda procuram a escola para justificar a preguiça crônica e mórbida das suas criaturas e têm a audácia de pedir para que os professores tenham mais paciência com as suas proles! Sempre aparecem uns peritos dando laudo verbal de que o filho tem um problema que afeta a aprendizagem, mas é interessante que tal problema cognitivo não os impedem de aprender a sacanagem!

Viciado no celular e nos jogos eletrônicos, o garoto tem horror à escola, inventa doenças e mil motivos para não estudar, mas eu tenho a solução: Leva-o para uma roça ou para qualquer trabalho braçal por alguns dias. Não tenho dúvida alguma, que tendo que escolher entre as duas opções, ele voltará sorrindo para a escola!

Já desprovidos de qualquer autoridade perante as suas proles, muitos genitores culpam as leis e os governos.

E nesse habitat vamos construindo um geração de pessoas sem noção das responsabilidades e dos compromissos que a vida nos exige. Pobres, que sem escolaridade, conhecimento e sem profissão, não terão outra a coisa a fazer senão reclamar do destino!