A PRÁTICA DA ESCRITA E DA LEITURA NAS SÉRIES INICIAIS PARA CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECÍFICAS NA SALA DE AULA REGULAR

Soleno Rodrigues de Oliveira

² Ana Karina Nogueira de Andrade

RESUMO

Este artigo tem por finalidade estudar o desenvolvimento do processo da leitura e da escrita nas séries inicias do ensino fundamental, em se tratando de crianças com necessidades educacionais especificas; sua inclusão na sala de aula regular, o papel do professor de português e obviamente a participação desse aluno na aprendizagem dessas disciplinas. Ou seja, a relação de discentes e docentes e os meios favoráveis de reflexão sobre as dificuldades que os alunos, nessas condições, encontram na sala de aula. E quanto a isso, apresentam-se alternativas para que ocorra um aprendizado eficiente. O ambiente escolar é um campo vasto para que se possa fazer um trabalho pedagógico onde todos saem ganhando, na perspectiva de criar um mecanismo que absorva, no contexto da leitura e da escrita, os alunos com necessidades eduacionais específicas de hoje, como também, as gerações futuras.

PALAVRA-CHAVE: leitura; escrita; inclusão; crianças com necessidades específicas.

1. INTRODUÇÃO

O presente estudo tem como objetivo analisar como vem efetivando-se o trabalho pedagógico no cotidiano escolar, no que diz respeito às práticas de ensino e aprendizagem da leitura e escrita desenvolvidas nas séries iniciais, no ensino fundamental, para as crianças com necessidades educacionais específicas, a sua inclusão na sala de aula regular e o comportamento do professor de português ao lidar com esses alunos. Essa temática surgiu após serem percebidos vários episódios que chamaram a atenção dos pesquisadores quanto ao aprendizado do aluno com deficiência educacional, na escola regular. E foram muitas as dificuldades encontradas por esses alunos na aquisição da prática da leitura e composição de textos, como também a atuação do professor na sala de aula.

Em princípio, ensinar língua portuguesa, que envolve leitura e produção de textos, é uma grande responsabilidade do professor dos anos iniciais do ensino fundamental. Isso acontece na sala de aula regular, evidentemente, com mais dificuldade, quando essa situação envolve alunos com necessidades educacionais específicas. Sabe-se que é através do domínio da leitura e escrita que o aluno terá uma maior facilidade para aprender outras disciplinas. A formação de um bom leitor, é imprescindível, pois, aquele que sabe interpretar a palavra bem interpretará as coisas e os fatos do mundo. Sendo assim, o professor deve exercer com eficiência suas práticas pedagógicas relacionadas à aprendizagem da leitura e escrita para que o aluno, principalmente, o aluno com dificuldade de aprendizagem, desenvolva as aptidões que o leve ao hábito de ler, e assim, evoluindo aos poucos o tornando um sujeito crítico, pensante, inserido de modo dinâmico na sociedade. Para que isso ocorra, faz-se necessário que o professor procure desenvolver técnicas de escrita mais coerente com o que se quer abordar, levando em consideração as dificuldades que os alunos terão pela frente.

Portanto, o professor precisa utilizar uma forma simples de escrever; como também orientar o aluno na sua condição de leitor. Valendo-se disso, o professor precisa socializar cada vez mais os conhecimentos disponíveis a respeito dos processos de aprendizagem da leitura e da produção textual. E quanto aos níveis de interpretação e compreensão, o processo de aprendizagem dependerá muito da formação do leitor. O professor com suas habilidades e técnicas deverá levar o aluno ao gosto de ler. Portanto, quanto melhor o professor entender o processo de construção do conhecimento, mais eficiente será seu trabalho. Afinal, ensinar de fato é fazer aprender. E o aluno com dificuldades educacionais, por ser mais vulnerável , o seu desempenho escolar, no que diz respeito a leitura e a produção de texto ,é uma questão que deve ser analisada com o máximo cuidado, apoiado pelo que foi apresentado, e os resultados pode até não vir imediatamente, porém, certamente, que a evolução desse aluno virá, desde que os esforços em conjuntos aconteçam.

O objetivo geral da presente pesquisa é estudar o desenvolvimento do processo da leitura e da escrita nas séries inicias do ensino fundamental, em se tratando de crianças com necessidades educacionais especificas. Como metodologia foi realizada uma revisão bibliográfica do tema trabalhado.

2. OS ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECÍFICAS E A APRENDIZAGEM DA ESCRITA E DA LEITURA

Os alunos com necessidades educacionais específicas são aqueles que durante o processo educacional, apresentam dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento que dificultam o acompanhamento das atividades curriculares; dificuldades de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais alunos, demandando a utilização de linguagens e códigos aplicados; e há também aqueles que possuem altas habilidades/ superdotação, com grande facilidade de aprendizagem que os levam a dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes. É então, que o professor de português deve entender que ao aprendizado da leitura e da escrita, neste contexto, faz-se necessário a superação de algumas concepções, no âmbito da prática pedagógica na sala de aula. E a questão principal é como se ensina a ler e a escrever na perspectiva da aprendizagem desses alunos, o seu aprendizado e a inclusão da criança especial em um ambiente escolar regular. E bom lembrar que o Art. 206 da Constituição Federal, diz que o ensino será ministrado com base no princípio de igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. A escola é o meio mais favorável para a educação de todas as pessoas. Na riqueza do convívio com a diversidade é que há o verdadeiro crescimento.

Ensinar é marcar um encontro com o outro e inclusão escolar provoca, basicamente, uma mudança de atitude diante do outro, esse que não é mais um indivíduo qualquer, com o qual topamos simplesmente na nossa existência e/ou com o qual convivemos um certo tempo de nossas vidas. Mas alguém que é essencial para nossa constituição como pessoa e como profissional e que nos mostra os nossos limites e nos faz ir além (FREIRE, 1999 p. 69).

As pesquisas realizadas sobre o aprendizado da escrita e da leitura, tanto na área da linguística como na psicologia, foram apontando para necessidades urgentes de mudanças na concepção que se tinha até então, destas disciplinas e do ensino e aprendizagem de ambas, Leite (2001). Daí, pode-se enfatizar a inclusão escolar como uma fórmula garantida para criarmos as situações que venham facilitar esse aprendizado, onde a criança com necessidades educacionais específicas é um dos seus principais atores. Inicialmente, para a leitura, podemos dizer que ler não é simplesmente decodificar, converter letras em sons, sendo a compreensão uma consequência natural dessa ação, Geradi, (2006). E no tocante ao aluno com necessidade de educação especial, de acordo com Glat e Blanco (2007), alunos com necessidades educacionais especiais são aqueles que apresentam algum tipo de dificuldade de aprendizagem, precisando de diferentes metodologias e /ou suportes educacionais para aprenderem. E é então que se apresenta uma forma mais democrática de ensino e aprendizagem, no que diz respeito a leitura e a escrita envolvendo alunos com necessidades educacionais específicas. E no sentido mais abrangente, pode-se afirmar que a escola vem produzindo grande quantidade de leitores que são capazes de identificar qualquer texto, porém, com enorme dificuldade para compreender o que ler. Sabe-se que o processo de leitura indica que não se deve ensinar a ler por meio de práticas centradas na decodificação. Entende-se que se deve fazer o contrário, ou seja, oferecer aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a ler usando os procedimentos que os bons leitores utilizam:

Um leitor competente é alguém que, por iniciativa própria, é capaz de selecionar, dentre os trechos que circulam socialmente, aqueles que podem atender a uma necessidade sua. Que consegue utilizar estratégias de leitura adequada para abordá-los de forma a atender a essa necessidade". (PCNs, 1997 P. 54).

E no aspecto da educação especial e a inclusão do aluno com necessidades específicas no ambiente escolar regular, não pode ser diferente; e quando se referem a escrita, os autores não pensam de outra forma , em se tratando da capacidade de criação ou (re) criação, por parte de quem estar produzindo um texto, LURIA (2003, p.65), afirma que a criança precisa entender que a escrita, é um sistema simbólico, de representação da realidade, que não tem significado em si, mas representa um outro contexto. Deduz-se claramente que a criança terá a liberdade necessária, do ponto de vista criativo, de como elaborar o seu trabalho, no que diz respeito, a leitura, e principalmente, a produção textual; e o autor vai adiante, Luria (1994) defendendo que a criança é capaz de compreender, mesmo antes de se alfabetizar, o que leva uma pessoa a escrever, e possivelmente a tomar gosto pela escrita, e essa possibilidade estende-se também à criança com necessidades educacionais específicas. No entanto, é preciso que o professor se antecipe, que faça inferências a partir do contexto do conhecimento prévio que o aluno possui, e que verifique suas suposições - tanto em relação à escrita quanto ao seu significado; e o professor que atua no ensino fundamental na área de códigos e linguagens, ou seja nas séries iniciais, bem como todos os profissionais da educação, que trabalhem a leitura e a escrita, devem estar sempre predispostos a angariar novos conhecimentos ,sobretudo quando se trata de assuntos correlacionados a questão da deficiência educacional, e quando possível trabalhar esses conhecimentos com seus alunos, fazendo uma análise pedagógica de cada aluno, sua capacidade cognitiva e disposição à aprendizagem da leitura e da escrita. O dinamismo é a cara da nova educação escolar. E é imprescindível fazer sempre o aluno ler bastante ,sobre vários temas. Há até uma proposta interessante, "aprender a ler lendo", e isso significa, adquirir o conhecimento da correspondência fonográfica, compreender a natureza e o funcionamento do sistema alfabético, dentro de uma prática ampla da leitura (Geraldi, 2006).E a proposta da inclusão visa exatamente atender as necessidades do aluno, tanto na escola como na vida em sociedade.

Uma sociedade inclusiva vai bem além de garantir apenas espaços adequados para todos. Ela fortalece as atitudes de aceitação das diferenças individuais e de valorização da diversidade humana e enfatiza a importância do pertencer, da convivência, da cooperação e da contribuição que todas as pessoas podem dar para construírem vidas comunitárias mais justas, mais saudáveis e mais satisfatórias. (SASSAKI, 1997, p. 164)

É comum, nas séries iniciais, a criança lidar com a leitura através da oralidade, e isso tem dado bons resultados; porque, os textos lidos, de acordo com Geraldi (2006) geralmente, crônicas, fatos jornalísticos, e também contos de fadas, e obviamente que esses textos possuem uma certa facilidade para serem memorizados, e a aprendizagem é percebida como o somatório desses elementos mínimos. A criança aprende através da repetição seguindo um modelo pré-estabelecido. A aprendizagem torna-se um processo mecânico, repetitivo, não levando em conta o contexto sócio- histórico cognitivo e emocional, e nem o desenvolvimento psicológico da criança. E como já foi dito, exige-se dela adaptação ao método e não o método a ela. Assim, não leva à criança a compreensão do texto, uma vez que é cobrada uma leitura mecânica cujo entendimento lhe é dificultado. E essa prática de exercício de interpretação de textos não permitem que a criança seja sujeito de sua leitura; embora os textos possuam conteúdos pertinentes ao universo infantil e serem de fácil assimilação. No entanto, a criança antes de se tornar alfabética, já consegue (re) construir essas histórias. E assim, pode- se, de forma pedagogicamente apropriada, desde a mais tenra idade, envolver a criança, no mundo da leitura; e a sala de aula, claro, é o local mais apropriado para o desempenho dessa atividade. Porém, vale salientar, que até mesmo no intervalo da aula, nos momentos recreativos, essa 'leitura’ é oportuna. O relato de uma professora, afirma que no intervalo da aula, ler é muito mais proveitoso do que na aula, propriamente dita. Pois, a criançada está à vontade, sem intervenções, por alguns deslizes que possa acontecer, e que evidentemente causaria algum tipo de constrangimento com relação à prática da leitura, naquelas condições, onde a descontração prevalece. E claro, a criança especial, em tese, terá melhor oportunidade de aproveitar esses momentos, pois essa situação democrática é um importante fator que vai colaborar com o seu aprendizado.

Porém, ainda assim, é bom que se lembre que cabe ao professor sempre procurar dá orientações, de forma discreta, e o resultado é, facilmente, percebido: positivo. E na maioria das vezes essa maneira de leitura ganha um toque de seriedade. Os personagens, na visão das crianças, não são apenas divertidos, engraçados, eles possuem sensibilidade, as emoções aparecem espontaneamente por, evidentemente, fazerem parte da condição humana. Encontra-se no PCNs (1997) a seguinte opinião:

Para aprender a ler, portanto, é preciso lidar com a diversidade de texto, e os leitores para participarem de atos de leitura de fatos, é preciso negociar o conhecimento que já se tem e o que é apresentado pelo texto, o que está atrás e diante dos olhos recebendo incentivo e ajuda " (PCNs, 1997, p.54).

De acordo com essa visão, pode-se afirmar que essa prática envolve a integração com a obra e que possibilita aos alunos a se espelharem nos autores, dando assim, oportunidade de um hábito constante da leitura, tendo como requisito a valorização das hipóteses levantadas dos mesmos, e motivando-os a uma leitura mais organizada na sua vida cotidiana. O domínio da leitura está na capacidade do sujeito colocar em ação todos componentes necessários para a demanda da língua numa sociedade letrada. Não basta apenas dominar a técnica do ler e escrever precisa desenvolver a competência. Ser usuário de uma língua, é saber fazer uso dos diferentes materiais escritos, se orientar e informar, saber falar, ler e escrever textos nas mais variadas situações sociais do mundo letrado. A apropriação do sistema da escrita é um processo complexo, que envolve tanto o domínio do sistema alfabético-ortográfico quanto a compreensão e o uso efetivo e autônomo da língua escrita nas práticas sociais do contexto em que essas práticas são requeridas.

Sendo assim, o bom leitor, e é o que se pretende fazer, sobretudo, de um aluno especial, como já observamos , é aquele que não apenas compreende o que ler, como também consegue identificar elemento subentendido, contido no texto que possa relacioná-lo com o outro texto, ou seja, criar uma situação de intertextualidade. Essa capacidade requer uma habilidade que favoreça uma visão capaz de relacionar uma situação de um texto para outro texto. As crianças aprendem a ler participando de atividades de uso da escrita junto com pessoas que dominam esse conhecimento. No caso, a criança com necessidades educacionais especiais, na convivência com as crianças ditas normais, pode haver uma interação interessante, a aprendizagem de uma forma dialógica, onde a troca de informações contribui para o aprendizado de todos os envolvidos nesse processo educacional. É difícil uma criança aprender a ler quando se espera dela o fracasso. Isso, vez por outra, acontece com a criança com necessidade educacional especial. Como também é difícil a criança aprender a ler se ela não achar finalidade na leitura. E é então que o professor deve implementar suas técnicas de ensino-aprendizagem, sobretudo, na perspectiva do aluno especial. E quando se trata da escrita, ao se produzir um texto, deve-se, em princípio, procurar viabilizar sua leitura, no sentido de torná-la fácil sua compreensão.

Esse é o primeiro passo para que o aluno se identifique com a elaboração de uma escrita de fácil assimilação e, evidentemente com uma abordagem significativa, onde possa destacar seu conteúdo e sua originalidade, dento do universo do conhecimento do aluno. E na escola, de acordo com Geraldi (2006), é interessante dizer que a redação, o texto, não deve ir ao encontro dos interesses dos alunos. Pode parecer um paradoxo, mas segundo o autor, em se tratando de despertar a criatividade da criança para produzir, é preciso que ela conheça o diferente, o que está além do seu horizonte de compreensão, ao menos, até aquele momento. E a partir daí o professor dará ao aluno condições para que ele possa recriar aquelas situações até então desconhecidas pela sua capacidade de observação e entendimento.

Porém, o que geralmente acontece nas escolas é uma repetição de assuntos, ou seja, textos vazios, sem conteúdo, cheios de lugares comuns , e isso não oferece aos leitores (alunos) uma oportunidade de apresentar ideias para construção de textos imaginativos, com temas atuais, onde a criança, além de atualizar as informações que lhe chega, ainda poderá sentisse a vontade para opinar sobre assuntos que prende a sua atenção , mesmo considerados, delicados, tais como, racismo, drogas, machismo, etc. Nesse contexto, Geraldi (2006) recomenda, principalmente, aos professores para que desenvolva a produção de textos com a possibilidade de trabalhar os assuntos de forma não repetidas.

A experiência com textos variados e de diferentes gêneros é fundamental para a constituição do ambiente de letramento, a seleção do material escrito, portanto, deve estar guiada pela necessidade de iniciar as crianças no contato com diversos textos e de facilitar a observação de práticas sociais de leitura e escrita nas quais suas diferentes funções e características sejam consideradas. Nesse sentido, os textos de literatura geral e infantil, jornais, revistas, textos publicitários, entre outros, são os modelos que se podem oferecer as crianças para que aprendam sobre a linguagem que se usa para escrever. (BRASIL, 1998, p. 151-152).

Levando em consideração, que o aluno com necessidades específicas também vem com o conhecimento prévio, cabe ao professor trazer textos que desperte nele o interesse de entender o seu mundo, como também descobrir algo novo, que evidentemente, vai somar aos conhecimentos que ele já possui. Neste caso, o PCNs (1997), também aponta para esse caminho, que é o de promover a descoberta, por parte do aluno, de situações que favoreça suas estratégias de resolução das questões apresentadas pelos textos. Ou seja, um novo horizonte de situações diferentes daquelas até então vivida pela criança, reconhecendo as suas limitações. E essa atividade só poderá ser realizada com a intervenção do professor, que deverá colocar-se na situação de principal parceiro, agrupar seus alunos de forma a favorecer a circulação de informações entre eles, como também a interação com as crianças ditas normais, procurar garantir que os diferentes grupos sejam o único instrumento a serviço da troca, da colaboração, consequentemente, da própria aprendizagem, sobretudo em classes numerosas, nas quais, deve-se envolver todos os alunos da mesma forma e ao mesmo tempo, na situação da aprendizagem da escrita e da leitura.

Nesta dimensão, Stainback e Stainback (1999), afirmam que a inclusão escolar necessita de professores especializados em todos os alunos, que saibam que a inclusão só pode ser compreendida no contexto de uma educação para todos. É preciso que o professor entenda que essa inclusão deve ser pautada no princípio da igualdade entre os homens, no respeito à individualidade e nas possibilidades de cada um, na equidade e na justiça, na paz e na cooperação. E assim, o professor terá uma postura democrática, dando oportunidade ao aluno, de descobrir aos poucos seus próprios caminhos literários, no tocante a prática da escrita e da leitura; e se os componentes de um grupo expressam as suas opiniões, de forma a ser compreendidas por todos os integrantes; pedagogicamente, esse grupo se torna interessante, criativo, porque o professor não é a única figura a se destacar, o ideal é que todos os participantes se tornem importantes com a suas respectivas colaborações.

Portanto, a leitura na sala de aula, como também a escrita, nas condições de deficientes educacionais, compreende-se as análises dos autores, e evidentemente até onde pode-se analisar, chega-se facilmente a uma conclusão, trata-se de um trabalho árduo, porém, gratificante, para ambas as partes , o professor ,como também o aluno, juntos, saem satisfeitos pelos resultados obtidos, todos ganham com essa experiência tão gratificante e recompensadora. O exercício de ler é o que há de mais oportuno para compreender o que se está lendo, e o aluno ciente disso, deve se esforçar continuamente, e junto com o professor e os seus coleguinhas trilhar o caminho da leitura, procurando tirar o máximo proveito para um aprendizado de qualidade que o torna apto para os seus empreendimentos futuros, como leitor e produtor de textos. Pode até parecer redundância, mas é oportuno que se ressalte essa situação. Como também, e bom que se lembre, a leitura , pode acontecer de forma silenciosa, como também, bem sabemos, em voz alta ou pela escuta de alguém. No entanto, alguns cuidados são necessários: facilitar a leitura em caso em que possa haver diferentes interpretações; propor atividades de leitura de fácil assimilação; refletir com os alunos sobre as diferentes modalidades de leitura.

Encontra-se no PCNs (1997) uma forma de leitura que pode muito contribuir para o melhor aproveitamento, relacionada a questão da formação de leitores, tratando-se da prática da leitura na sala de aula, e que também envolve alunos com necessidades específicas, é a leitura colaborativa. Uma atividade em que o professor lê um texto junto com os alunos, e durante a leitura, todos procuram questionar as pistas linguísticas que possibilitam a atribuição de determinados sentidos. Trata-se, portanto, de uma excelente estratégia didática para o trabalho de formação de leitores. É de suma importância que os alunos envolvidos nessa atividade possam explicar para os seus colegas de classe os procedimentos que utilizam para atribuir sentido ao texto: como e por quais pistas linguísticas lhes foi possível realizar tais ou quais inferências, como anteciparam determinados acontecimentos, validar antecipações feitas, etc. Diga-se, Souza (2003) que o homem é um ser histórico-social, situado no tempo e no espaço, alguém produtor de texto, que tem voz, dialoga, interage, entra em confronto com o outro e que o professor que leva em conta essa realidade, procura no processo de ensino da língua, considerar, problematizar e questionar as necessidades de vida do educando. Nesse sentido, a sua preocupação maior não é só como programa, mas preocupa-se com o aluno contextualizado. O tempo da criança é ocupado com conteúdo e atividade que desenvolvam o raciocínio, o discernimento, a criatividade, a competência comunicativa e o gosto pela leitura. Assim, tudo isso aumenta a autoestima, e a confiança, desenvolve o lado afetivo e ainda ajuda a criança a compreender a si mesmo, o outro e o mundo. Também nesse processo, pode-se argumentar que a aula se constitui em um diálogo entre educador e educando, mediado pelo conhecimento, um espaço onde a criança, tem a palavra, ouve, fala, lê, escreve, opina e questiona, e o aluno com necessidades específicas não deve ser tratado de forma diferente daqueles que não tem deficiência . Pois assim, a criança com necessidades educacionais específicas tende a ser também maleável na recepção do conhecimento. E o conhecimento não vem pronto, é produzido a cada momento e é algo questionável e dinâmico. Então se concebe a possibilidade de interrogar o texto, fazer a diferenciação entre a realidade e a ficção, a identificação de elementos discriminatórios e recursos persuasivos, a interpretação de sentido figurado, a inferência sobre a intencionalidade do autor, são alguns dos aspectos dos conteúdos relacionados à compreensão de textos, para os quais a leitura colaborativa tem muito a contribuir. A compreensão crítica depende em grande medida desses procedimentos,

A alfabetização refere-se à aquisição da escrita enquanto aprendizagem de habilidades pela leitura, escrita e as chamadas práticas de linguagem. Isso é levado a efeito, em geral por meio do processo de escolarização e, portanto da instrução formal. A alfabetização pertence assim, ao âmbito individual. (TFOUNI, 1998, p.9)

Pode-se constatar que a prática da leitura na sala de aula, mesmo com a participação do professor, depende de vários elementos ou situações, que segundo Geraldi (2006) e o PCNs (1997) são determinantes para que se atinjam os objetivos previstos. Como destacado, a leitura na sua iniciação, nas séries iniciais, onde a escola é a principal responsável pelo sucesso ou insucesso dessa difícil tarefa que a de preparar novos leitores, e no tocante a inclusão de alunos com necessidades específicas, é um trabalho contínuo, sempre procurando inovações nas metodologias utilizadas, pois é essa flexibilidade que irá ao encontro do mundo infantil, da dinâmica, da descoberta, tão pertinente ao universo da criança. E o professor tem que estar atento ao desenvolvimento dos seus alunos, quanto ao que acontece na sala de aula, e perceber as dificuldades e os avanços, sejam individuais ou coletivos. E contando sempre com o apoio, não apenas da turma que ele coordena, dirige, aplica as tarefas, e inclui as crianças, principalmente as especiais, e às vezes bem pequenas, no mundo da leitura, mas também, é preciso a colaboração de outros seguimentos sociais, ou até mesmo das instituições, em suas diversas linhas de ação, com a intenção de despertar na criança o gosto por essa tarefa tão interessante e prazerosa que é a leitura e a escrita.

Ainda analisando a linguagem, Smolka (2003), afirma que a língua é um produto cultural construído na interlocução, num processo dialógico. Para esse autor, produzir linguagem tanto na modalidade oral como escrita é produzir discurso. Por isso, há necessidade de se trabalhar a leitura e escrita como prática discursiva e dialógica no processo de aprendizagem, desde a fase inicial.

Sendo assim, acreditamos que o sucesso da leitura e da escrita na sala de aula, no processo de inclusão, além de ser uma atribuição do professor, do ponto de vista pedagógico, também se deve contar com a participação de outros elementos que não podem ficar ausentes na construção dessa facilitação ao desenvolvimento de um trabalho eficiente. E esses elementos que estamos recorrendo, encontra-se, na maioria das vezes, bem próximo da escola. A comunidade, por exemplo. Esta possui um papel , assim como , a escola e o professor, muito relevante na preparação desses leitores, fornecendo o material necessário; tanto para a possibilidade da leitura, com livros pertinentes ao universo infantil, como também a oralidade, as histórias infantis contadas pelos mais velhos e que na maioria das vezes fazem sucessos , atraindo a curiosidade da criança e dando a possibilidade dela recriar essas histórias que lhe foram repassadas; E nesse aspecto as situações familiares, histórico-social, etc ; e isso dar à criança, a oportunidade de despertar o seu talento criador. Contata-se esse pensamento:

Podemos entender tal relevância no sentido da participação crítica nas práticas sociais que envolvem a escrita, mas também no sentido de considerar o diálogo entre os conhecimentos da vida cotidiana, constitutivos de nossa identidade cultural primeira, com os conhecimentos de formas mais elaboradas de explicar aspectos da realidade. (GOULART, 2002, p. 52).

E certamente que essas crianças, mesmo com as dificuldades que elas apresentam: necessidade educacional específica, elas são agraciadas, com essa forma de aprendizagem onde as facilitações culturais, sociais e psicológicas contribuem para o alcance dos resultados, e irão trabalhar, no futuro, para formarem outros leitores, nas mesmas condições de aprendizagem, que vai além da aquisição da prática da leitura e da escrita . Cientes dessa situação, podemos construir, uma escola inclusiva, com pessoas preparadas, conscientes de seu papel sócio-educativo-cultural, e sobretudo, amantes da escrita e da leitura. Figueiredo e Gomes afirmam que (2007, pp. 49-50) essas expectativas:

[...] se manifestam nas diversas situações de interações sócio- familiares e escolares. Embora possam existir diferenças no desenvolvimento das crianças, é importante ter consciência de que elas podem se beneficiar de diferentes experiências no contexto familiar e escolar. Desejar que todos aprendam igualmente é uma tarefa impossível, mesmo em se tratando de pessoas ditas normais. Essa compreensão possibilita uma educação pautada no respeito aos ritmos e às potencialidades individuais.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que o ensino da leitura e da escrita para alunos com deficiência educacional específica em uma sala de aula regular, deve começar cedo, desde as séries iniciais; quanto antes as crianças se apropriarem desses ensinamentos e obviamente das práticas das mesmas, mais poderão desenvolvê-las com êxito em seus anos de escolaridade. Sendo assim, serão capazes de utilizá-las como práticas discursivas com muita facilidade durante sua trajetória escolar. Com base na reflexão mencionada neste trabalho, é necessário compreender a prática pedagógica como elemento de produção do conhecimento, dessa forma, ocorre a necessidade e precisão do alfabetizar a criança com deficiência educacional específica de forma que ela esteja sintonizada com a leitura e a escrita. Assim, constitui-se em um trabalho feito pelo educador e também pelas pessoas que participam do aprendizado dessa criança, requerendo mudanças significativas acerca de práticas pedagógicas através das disciplinas acima mencionadas para o seu aprimoramento nas séries iniciais, e consequentemente, na formação dos leitores, do presente e do futuro.

ABSTRACT

This article has for purpose study the reading process development and writing in series of initial fundanental education, to be treating children with special needs education: inclusion in your classroom regular room; teacher's paper portuguese and obviously this student participation in teaching these subjects. That is, the relationship of students and teachers and reflection of favorable media on the difficulties which the students in such conditions, is in the classroom. What about that, is presented alternatives paraque occur a learning efficient. Environment school is a vast field for which may make an educational work where all out ganhabdo in creating perspective a mechanism to absorb, bo context of reading and writing the students with special needs today, as well as future generations

KEYWORD: READING; WRITING; iNCLUSION; SPECIAL CHILDREN

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Soleno Rodrigues e Ana Karina nogueira
Enviado por Soleno Rodrigues em 27/06/2016
Reeditado em 29/06/2016
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