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Por que a Saori Kido é um péssimo personagem

Entre os que assistiram a Cavaleiros do Zodíaco (ou Saint Seya), há uma opinião quase unânime: a de que Saori Kido, a principal personagem feminina da série, é inútil e nada faz além de precisar ser salva. Infelizmente, é algo do qual não dá para discordar, principalmente se levarmos em consideração que, na história, ela é a reencarnação da deusa Atena. Sendo a reencarnação da deusa grega da sabedoria, guerra e justiça, poderia ter tido um papel mais fundamental na série. Só que sua participação se resume (em todas as sagas) a ser uma “donzela em perigo”. É inegável que ela é muito bonita com seus cabelos de tonalidade roxa, só que não tem personalidade e chega a ser patética de tão frágil.
Além do fato de ser uma inútil, ela tem um perfil muito mal feito, que não condiz com seu passado. Sabemos bem que foi adotada por um idoso milionário chamado Mitsumasa Kido que, sabendo que ela era Atena reencarnada, tratou de cria-la como sua neta e prepara-la para um dia cumprir sua missão de liderar os Cavaleiros quando o mal ameaçasse o mundo. Para isso, o senhor também recolheu os cavaleiros, ainda muito crianças, de orfanatos e os levou para sua mansão, onde os pobres meninos eram maltratados por Saori, que era uma menina mimada e insuportável e pelo mordomo bajulador Tatsumi. Mitsumasa, que deveria se preocupar em formar o caráter da deusa que ele estava preparando para proteger o mundo do mal, nada fazia. Ele só a aconselhou no sentido de tratar bem Seya e os outros depois de morto, aparecendo para ela em espírito. Vale mencionar que, na saga das Doze Casas, ao ser atingida por uma flecha no peito, Saori lembra que uma vez, após ela ter maltratado muito um dos cavaleiros, montando-o como um cavalo, seu avô havia lhe dito que ela poderia fazer o que quisesse, mas que um dia teria que passar por um julgamento. Então, ela percebe que tinha que passar por aquilo por ter tratado tão mal os cavaleiros no passado. Não teria sido muito mais sensato que o Mitsumasa a tivesse punido naquela ocasião? Precisamos educar as crianças para que elas se tornem adultos de bom caráter e não precisem ser punidas pela vida.
Bem, após falar do passado de Saori, por que podemos dizer que seu perfil não condiz com seu passado? Simples. Como alguém criada por um milionário, preparada para um dia assumir seus negócios e que era tão arrogante, mimada e egoísta, insuportável mesmo, tornou-se tão sem personalidade, uma verdadeira “mosca morta”? Ela poderia, depois do espírito do avô aconselhá-la a tratar os guerreiros com mais doçura, passar a ter mais compaixão, com mais empatia, porém, não poderia nunca se tornar uma pessoa tão frágil e indefesa. É uma pena que aquela que poderia ser uma heroína forte no mangá e no anime seja tão apagada. E isso num país que já produziu heroínas muito poderosas como Sailor Moon, as Guerreiras Mágicas de Rayearth e a inesquecível Apple do clássico Zillion dos anos 80.
Além de Saori, Cavaleiros do Zodíaco tem muitos outros personagens descartáveis e chatos e incongruências no roteiro que fazem vergonha. Hoje, olhando para trás, percebemos bem várias falhas na história, como as sagas que não faziam parte do mangá e aparecem no anime apenas para prolongar a história, personagens que parecem evaporar – como os outros cavaleiros de bronze e os cavaleiros de aço – e  o fato de Seya sempre ser o herói, apesar dos outros lutarem melhor do que ele, sacrificando-se para que o vilão seja vencido. Entretanto, todas essas falhas são superadas pela fraqueza da personagem Saori, que para uma deusa, não serviu para nada em quase toda a história. Muitas simples mortais conseguem ter mais utilidade que ela.
Maria Cândida Vieira
Enviado por Maria Cândida Vieira em 22/08/2019
Código do texto: T6726307
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Maria Cândida Vieira
Campina Grande - Paraíba - Brasil
2013 textos (98503 leituras)
7 e-livros (276 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/09/19 11:58)
Maria Cândida Vieira