Uma arte negra de um negro sangue inolvidável
Uma arte negra de um negro sangue inolvidável
(Uma arte bravia, digníssima de todo respeito e admiração)
Portugal, ainda no século XVI, detinha um dos maiores e mais expressivos impérios coloniais de toda a Europa, no entanto, carecia de mão de obra para, de fato, colonizá-lo efetivamente. Visando a suprir este déficit, os colonos lusitanos, no Brasil, iniciaram a captura e escravização dos povos indígenas, o que tão-logo, transpareceu-se impraticável.
Virtude diversos fatores circunstanciais, tomaram, pois, como solução primeira, o tráfico de escravos, em sua maioria, africanos.
Vivia em condições humilhantes; desumanas, fadado a trabalhar à exaustão e constantemente castigado, punido com torturas físicas acentuadas.
Neste ínterim, nasce uma arte de soberana importância para a independência do Brasil e, evidentemente, um marco de nossa história.
Uma arte que merece exímio respeito, enlevo e distinção.
Essencialmente, uma técnica de combate que surgira como uma esperança de liberdade e de sobrevivência, como uma luz-única em meio a tanto sofrimento, a tamanha escuridão... Um instrumento para que o negro fugido de seu destino, foragido de sua morte, pisado por armamento hostil por deuses-humanos Capitães-do-mato, pudesse sobreviver e ensejar um descendente liberto da injusta-certa punição a todos de sua "raça" presente e oprimida pelos brancos deuses da terra-brasil genocida.
"Símbolo da cultura afro-brasileira, símbolo da miscigenação de etnias, símbolo de resistência à opressão, a capoeira mudou definitivamente sua imagem e se tornou fonte de orgulho para o povo brasileiro. Atualmente, é considerada patrimônio Cultural Imaterial do Brasil." (Trecho de autoria desconhecida, favor avisar-me caso conheçam.)
Referências:
Decânio Filho, Ângelo - A herança de Pastinha, Coleção São Salomão, Salvador, 1997
Coutinho, Daniel - O ABC da capoeira angola; Os Manuscritos do mestre Noronha.