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10 melhores Poemas de Leminski analisados e comentados por Rebeca Fuks: "Invernáculo":
Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quem sabe maldigo mentiras,
vai ver que só minto verdades
Assim me falo, eu, mínima, quem sabe, eu sinto, mal sabe.
10 melhores Poemas de Leminski analisados e comentados por Rebeca Fuks: "Invernáculo":
Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quem sabe maldigo mentiras,
vai ver que só minto verdades
Assim me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto, mal sabe.
Esta não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.
O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro, eu, quase.
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"Em Invernáculo Leminski se dobra sobre e a questão da linguagem e constrói um poema autorreflexivo. Ao longo dos versos o eu-lírico observa como é trabalhar tendo a língua - algo que o antecede e que o sucederá - como matéria-prima.
Percebemos no poema como o autor se coloca como uma espécie de "vítima da língua", alguém que vive a mercê das suas normas e obrigações. Por ser um herdeiro desse patrimônio linguístico (que nem ao menos pertence ao seu país, tendo sido originalmente trazido de Portugal), o eu-lírico sente-se de certa forma intimidado e bloqueado.
A língua lusa, como ele se refere, não é a sua ("Esta não é a minha língua"), e promove um sentimento de não pertencimento na sua própria língua. A alternativa encontrada é trabalhar em busca da sua própria experiência com a língua, [à]a margem da formalidade.".
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A autora dessa obra de estudo literário é Rebeca Fuks:
Rebeca Fuks ...
Rebeca Fuks:
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).
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Rebeca Fuks