QUESTÕES RACIAIS: OLIVEIRA VIANA & GILBERTO FREYRE

Observa-se que os autores Gilberto de Mello Freyre, ligado ao pensamento do hibridismo; e Francisco José de Oliveira Viana, ligado à corrente do pensamento racista, defendem e apresentam diferentes teorias e visões referentes à questão racial brasileira.

Enquanto o pernambucano Gilberto Freyre, simpatizante das teorias do antropólogo Franz Boas, se posiciona contrário à primazia da raça branca em relação às demais raças, o carioca Oliveira Viana apresenta um pensamento racista, alinhado às teorias do arianismo e da superioridade da raça branca e inferioridade da raça negra.

Freyre, no seu livro Casa-Grande & Senzala (1933), defende que a miscigenação (mistura das três raças) foi um fator de vital importância para se alcançar a democracia racial nas terras brasileiras. Por outro lado, a obra de Oliveira Viana é conhecidamente marcada pelo racismo.

Nos seus estudos e trabalhos, Oliveira Vianna busca provar, cientificamente, a inferioridade da raça negra e defende o clareamento da população brasileira, como saída para conquistar o progresso. Do lado oposto, Gilberto Freyre faz a defesa da miscigenação do povo brasileiro como saída para propiciar a evolução social. Para ele, a miscigenação (brancos, indígenas e africanos) durante o período colonial brasileiro contribuiu para a formação de uma raça mais forte e uma cultura mais estruturada.

A mais difundida e comentada teoria de Gilberto Freyre é justamente a da "Democracia Racial", que prega a igualdade entre todas as pessoas, independente de cor e raça, possibilitando a construção de uma sociedade sem exclusão racial.