O sentido das raças, Frithjof Schuon.

Schuon em sua obra "o Sentido das raças" fala com maestria dos diversos elementos que formam as grandes tradições religiosas, como: seu aspecto social, antropológico e filosófico.

O capítulo inicial, Schuon faz uma comparação do sistema de Castas Hindu com os demais sistemas sociais que se formaram em torno das outras religiões. E para ser mais específico, nenhuma tradição tem um sistema social tão bem ordenado(não no sentido dos fatos acontecerem de forma perfeita, mas de estar bem estabelecido pela norma religiosa) quanto o sistema Hindu, apenas o Islam com a Sharia tem algo vagamente parecido. Mas nem tanto, ja que a Sharia rege apenas como os fatos devem se desenrolar no sistema social, mas não em QUAL sistema social. O sistema de castas, não é só uma organização social para manter o convívio pacífico, mas também uma manifestação das possibilidades metafísicas que são inatas de cada ser humano. A capacidade sacerdotal, guerreira, comercial e de servidão são possibilidades que está inata em nós, mas nenhum sistema social parte da premissa de se formar um organismo social que tenha como objetivo manter essas possibilidades vivas. O sistema de castas é justamente isso: a manifestação metafísica de forma viva, passada adiante através da hereditariedade. Tem uma ambiguidade nisso: a verdade espiritual que está se mantendo viva e a funcionalidade social, que ele também mantém.

Schuon argumenta também, que o Hinduísmo com seu sistema de castas e o seu suposto "atraso" tecnológico, permitiu manter-se o antigo artesanato, que tem um aspecto poético e dignidade muito maior que o maquinario industrial capitalista. O artesanato aliado ao sistema de castas, permite que se passe de pai para filho um antigo saber, que inclui toda essa arte e dignidade mencionada, logo o artesanato é um meio para de manter a tradição viva. O artesanato também, exclui o tão debatido "mundo do trabalho" já que o trabalho moderno é uma criação artificial e vulgar. As máquinas roubam essas funções artísticas e poéticas do artesanato para se dar margem a vulgarização do homem, criando assim o proletário, ou melhor a coletividade do "proletariado". Veja, a luta proletária só existe por isso: o homem nesse novo sistema é obrigado a lutar. Já que a maquina e o burguês roubaram sua dignidade que ele tinha antes com o artesanato. A briga proletária costuma ser debatida apenas no nível patrão e empregado, mas também existe esse aspecto da máquina envolvido.

João Issa
Enviado por João Issa em 03/02/2025
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