Ami, que no mangá é uma garota discreta e centrada, além de ingênua, aparece na capa em pose sensual com traje exíguo. O autor coloca esses escrachos de mistura com a ingenuidade dos personagens principais. 

 

DNA² volume 4: Karin continua com problemas

 

DNA² volume 4: Karin continua com problemas

Miguel Carqueija

 

Masakazu Katsura pelo jeito é especialista em comédias escrachadas, embora não se possa negar a sua criatividade e a capacidade de dotar os seus personagens de psicologia.

No caso de DNA² ele conseguiu criar um enredo de ficção científica que envolve viagem no tempo, distopia e genética. Num futuro décadas à frente, a humanidade — ou pelo menos o Japão — se vê a braços com uma explosão demográfica assustadora, e a sondagem temporal identifica o responsável como sendo o – assim apelidado – “Megaplayboy”, que teria engravidado 100 mulheres, e seus filhos teriam a mesma característica, resultando na situação referida. Em consequência o casamento tornara-se restrito e era mais fácil obter licença para ter um bicho de estimação que um filho.

Há um forte conteúdo erótico na trama, embora em tom humorístico, sem cenas de sexo, mas exibindo imagens com ângulos chamativos, além de fortes cenas de violência até com desnudamento. E mesmo que nenhum estupro se consuma e os maus sejam derrotados, o mangá é proibido para menores de 14 anos, mas a meu ver só deve ser lido por adultos de cabeça feita.

Karin, a operadora de DNA, uma garota impulsiva e poderosa, é enviada ao passado para impedir que Junta Momonari, o garoto de 16 anos ingênuo e tímido, se transforme no Megaplayboy. Mas ela faz tudo errado, disparando sobre Junta a cápsula trocada, que torna o DNA do rapaz instável, de modo que, principalmente nas horas de perigo, ele vira o seguro de si Megaplayboy.

Após o quiproquó com Ryuji, no volume 3 (Ruyji, rival de Junta no coração de Tomoko Saeki, atingido acidentalmente por um dos projéteis de Karin, adquiriu poderes assustadores e travou uma grande batalha com o Megaplayboy), Karin continua em sua aflição para resolver o problema de Junta que, longe de parecer um megaplayboy, continua virgem. Karin até sente uma química por ele e vice-versa, mas ela sabe que pertencem a épocas diferentes.

 

A parte mais séria desse volume é a longa conversa entre Karin, a viajante do tempo e operadora de DNA, com a colegial adolescente Ami, uma das três amigas de Junta. Karin, que no fundo também tem queda pelo Junta (apesar dele ser muito sem sal, a não ser quando emerge a personalidade perigosa do Megaplayboy), conta toda a verdade a Ami, para tentar convencê-la a namorar o rapaz. Pela lógica de Karin, se ele tiver um namoro honesto o seu DNA se equilibrará e assim Junta não vai virar um super-libertino, desequilibrando a sociedade. Curiosamente, se Karin obtiver sucesso acabará com a superpopulação do futuro de onde ela vem, mas milhões de pessoas deixarão de existir.

 

Resenha do volume 4 do mangá “DNA²”, de Masakazu Katsura. Editora JBC, São Paulo-SP, 2009. Editora Shueisha, Japão, 1993. Tradução: Karen Kazumi Hayashida. Neste volume 4, “Predisposição”, os capítulos (chamados “datas”, provável alusão a “Star Trek”) 27 a 35.

 

“Eu vi muita coisa que não imaginaria nem em sonhos acontecendo. Não me espantaria se você me contasse que é uma extraterrestre...”

(Ami para Karin)

 

“Contei que no futuro sofremos grandes problemas com a superpopulação. E o Junta é conhecido como Megaplayboy, por ter engravidado 100 mulheres (acrescentei o fato dele já estar morto nessa época).

(Karin)

 

“Que eu vim do futuro para alterar o DNA problemático antes que ele começasse a ter relações com as mulheres.”

(Karin)

 

“Resumindo, foi tudo culpa sua. Que tal se virar sozinha, sem a minha ajuda?.”

(Ami para Karin)

 

"É muita falta de privacidade você saber onde estou e escutar todas as minhas conversas."

(Ami para Karin)

 

Karin dera a Ami um objeto dizendo ser um amuleto da sorte, mas esta, percebendo ser na verdade um rastreador, o devolveu. Karin é uma comédia, de tantas gafes que comete tentando acertar.

 

Karin tenta convencer Ami, a amiga de infância de Junta, a namorar com ele; pois pela sua personalidade ela o poderia controlar, mantendo estável o seu DNA e adormecendo a personalidade do Megaplayboy, o “outro eu” de Junta. Mas a Kotomi entra na história, e acaba se aproximando de Junta. Ambos unem esforços para controlar suas disfunções que aparecem em ocasiões emotivas: Junta com vômitos, Kotomi com flatulências (assunto pouco visto na ficção). A essa altura surge uma colega de escola de Kotomi, a Mako, que a quer prejudicar por inveja; e o irmão de Mako é um garoto que possui poderes, mas não o de teletransporte de Junta. Entretanto, Iwazaki é capaz de telecinesia. A pedido de Mako ele atrapalha uma apresentação de Kotomi como ginasta, fazendo Junta cair sobre ela. Junta fica sabendo que tem agora um novo inimigo, capaz de telepatia e telecinese, que quer medir forças com ele.

Karin está monitorando tudo o que acontece com Junta.

O autor mexe com desejos e sentimentos de adolescentes na faixa de 16 anos em meio a uma história fantástica, e que na verdade agem com grande independência que certamente não corresponde ao Japão real.

Não é dos meus mangás favoritos. Há nos personagens uma certa inocência, o enredo prende a atenção, mas há exagero nas cenas e imagens e excesso de escracho.

E o argumento, embora imaginoso, não tem pé nem cabeça.

A série (mangá e animê) ficou famosa, certamente pelo seu aspecto original e os detalhes de ficção científica: paradoxo temporal, distopia no futuro, assunto relacionado à Genética.

 

Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 2025.