O poema "Sofredora" de Augusto dos Anjos retrata a imagem de uma mulher que está sofrendo profundamente. O eu lírico descreve sua condição com empatia e compaixão, explorando a angústia e a tristeza que a envolvem.

Na primeira estrofe, o eu lírico menciona a "fria palidez do rosto" da mulher, que é coberto pelo "sendal da tristeza". A palavra "sendal" sugere um tecido delicado, enfatizando a fragilidade de sua condição. Ela chora, e as lágrimas perolam suas faces, agravando ainda mais seu sofrimento.

 

Cobre-lhe a fria palidez do rosto
O sendal da tristeza que a desola;
Chora – o orvalho do pranto lhe perola
As faces maceradas de desgosto.

 

A segunda estrofe apresenta a imagem poética do "rosário de seu pranto", evocando a ideia de que as lágrimas caem como contas de um rosário. Essas lágrimas fazem com que as "brancas rosas" do rosto da mulher murchem, e delas emana um "perfume de lágrimas". Essa imagem combina beleza e tristeza de uma maneira poética, destacando a dor que a mulher carrega.

 

Quando o rosário de seu pranto rola,
Das brancas rosas do seu triste rosto
Que rolam murchas como um sol já posto
Um perfume de lágrimas se evola. 

 

A terceira estrofe sugere que, embora a mulher tente, às vezes, forçar um sorriso, a tristeza e o desconforto logo retornam. Ela é retratada como bela na dor, "sublime na Descrença". A referência a "Descrença" pode sugerir que a mulher perdeu a fé ou a esperança em alguma coisa, tornando seu sofrimento ainda mais profundo.

 

Tenta às vezes, porém, nervosa e louca
Esquecer por momento a mágoa intensa
Arrancando um sorriso à flor da boca.

 

A última estrofe faz uma comparação com Jesus no Jardim do Getsêmani, quando ele estava prestes a enfrentar sua crucificação. A imagem da mulher "soluçando no Horto" evoca uma profunda dor e agonia, ressaltando o intenso sofrimento que ela experimenta.

 

Mas volta logo um negro desconforto,
Bela na Dor, sublime na Descrença.
Como Jesus a soluçar no Horto!

 

O poema "Sofredora" destaca a capacidade do poeta de explorar a complexidade das emoções humanas, retratando a dor, a tristeza e a beleza em um contexto de sofrimento e desespero. É uma obra que evoca empatia e reflexão sobre o sofrimento humano.