A Relação de Raul Seixas com a Morte

Este artigo visa à análise do falecido cantor Raul Seixas com a única certeza da vida que é a morte. Teremos enfoque nas canções “Canto para minha morte” e “Ouro dos Tolos” em que ele lida diretamente com a temática.

Raul nasceu em 1945 na cidade de Salvador, na Bahia. Durante sua vida “Ele chegou a largar os estudos mas, a pedido dos pais, retornou à escola e prestou vestibular para direito. Ele também iniciou estudos em outras duas áreas de interesse, psicologia e filosofia”, conforme relata o site Bol . Viveu tendencialmente entre Bahia e São Paulo.

Todavia a análise dos aspectos da interpretação dele com a morte por intermédio de “Canto para a minha morte” em que ele chega a usar da figura de linguagem da personificação para ilustrar a figura da morte e dar traços humanos inclusive a esta, pois vislumbra que ela o encontre vestida de cetim e que aplicar-lhe-á o implacável beijo. O cantor consegue se transportar de sua realidade para um momento futuro incerto de enredo, mas que ele consegue no presente dele constituir e elencar possíveis cenários do que possa acontecer de maneira que ele deixe para trás algumas coisas inacabadas.

Ainda nesta canção, ele cita a volatilidade da vida, pois apresenta algumas ocupações – quiçá frívolas – que ele se ocupa. Entretanto a morte pode ceifá-lo antes que ele venha a concluir todos esses afazeres e hobbys. Assim sendo, ele “pede” a ela que demore a chegar e lhe remover desta existência.

Por sua vez na canção “Ouro dos Tolos” há trecho onde ele cita que não ficaria inerte em sua residência esperando a morte chegar. Trecho esse que denota pontos da vida do tal e explicita o quão ativo era o mesmo. Tentava usufruir da vida da melhor maneira possível e vivenciá-la em toda sua plenitude antes que fosse levado desse mundo.

Podemos correlacionar ambas as letras de modo a interpretar a visão do Raul frente a morte como tendo certeza da chegada dela em momento inoportuno pois não lhe daria margem para escolha nem para conclusão de todas obrigações aos quais havia se predisposto. Entretanto, ele ansiava pela tal por crer haver nela algo de libertador.

Desta maneira, podemos concluir que a relação do músico com tal fato era de aguardar que a mesma somente demorasse a vir. Desta forma a refutava, mas a ansiava, paradoxalmente. Tinha a certeza da chegada dela, mas desejava que a mesma não fosse tão apressada para fazer com que ele saísse desse mundo tão brevemente. De maneira que quando ela optou por o solapar, ele a “obedeceu” apenas e seguiu as vontades dela que iam contra o que ele ainda deveria concluir, mas não mais tempo havia para continuar.