SÓ PARA RAROS
SÓ PARA RAROS
PREFÁCIO
O folclore, os valores culturais e artísticos que representam com fidedignidade os costumes, as crenças, o cotidiano, as lutas e as expectativas regionais dos grupos humanos que fincaram suas raízes históricas sobre o solo argiloso do Recôncavo Baiano, são manifestações populares que não devem ser relegadas a plano secundário sob pena de perda inexorável desse patrimônio, mercê do esquecimento e, sobretudo, do desconhecimento.
Discorrer sobre a temática de fatos reais e/ou fictícios, atemporais e/ou datados, supérfluos e/ou emblemáticos, envolvendo a gente que habitou e ainda habita a região do massapê, nas cercanias da sede do município de Amélia Rodrigues-Ba, foi tarefa a que se propôs o escritor autodidata Edrick Kemal, nascido e criado na região em comento onde conviveu com todos os tipos, da gente, que o ajudaram em sua formação e sobre quem ele discorre, com simplicidade e pureza, como forma de agradecimento pelo muito que recebeu e pôde acumular durante o período de sua infância, adolescência e fase adulta.
Dificuldades diversas não permitiram que o autor de “Só para raros” obtivesse diploma de nível superior, entretanto, como poucos, na região, ele soube por meio de compilações, criação própria e observações, retratar com singeleza as nuances que matizam os “os causos”, as crendices e o cotidiano da “gente” que, há mais de três séculos, se estabeleceu no massapê de Amélia Rodrigues-Ba.
Aconselhamos, pois, aos leitores interagirem, mentalmente, com as tramas e acontecimentos narrados no desenrolar desta prosa, mesclada com versos poéticos, e aproveitarem sua leitura para compreender como transcorre o dia a dia do “Lapiau” em seu constante envolvimento com a cana-de-açúcar, usinas e alambiques, elementos que impulsionaram o progresso regional à custa da mão de obra de negros, mestiços e brancos pobres, em diferentes modalidades de serviço e que constituíram o mundo onde nasceu e viveu Edrick Kemal.
Amélia Rodrigues-Ba. Março de 2007.
Engº Agrº José Rodrigues Filho.