Instantes

Por um instante, percebi o quanto a vida é frágil. A queda de uma gaiola da janela, a fuga do passarinho, que em choque parou de voar. A nossa corrida para salvá-lo. A percepção de que uma distração mínima é fatal.

A visão daquele sopro ainda presente no pequeno peito, a esperança.

Na gaiola partida, ele ainda sente-se em casa. Está em choque e vivo. Que susto!

Mas enquanto ele respira, eu suplico ao protetor dos animais, São Francisco de Assis, por sua vida, e mantenho minha fé, ainda que os três andares de um prédio sejam um indício lógico de fatalidade.

Estou povoada por esta sensação de que a realidade que criamos é maior do que a capacidade que temos de enxergar a verdadeira realidade. E assim, evitamos o mistério.

Instantes, um segundo de distração, a falta de consciência perdida num pequeno ato. O efeito borboleta se faz, e tudo acontece como num dominó, que deve ser parado por alguém. E que este alguém seja eu.

Que eu possa, com este evento, perceber a importância de cada palavra, de cada olhar, de cada sorriso. Que o conhecimento do que ocorre a minha volta seja fundamental para o próximo passo que virá. Que a delicadeza de cada gesto seja mais importante do que os preceitos que carrego em minha mente, e que o desfrutar da novidade seja mais desejado do que o orgulho de meus preconceitos.

Conhecer não é apenas um acúmulo de informações e formações. Conhecer é também observar, receber, intuir, aceitar. Abrir espaço para ouvir e ver, esperar, perceber. Ser inteiro em cada ação, para não fazer de qualquer maneira. Estabelecer um tempo para cada coisa, com dedicação integral, conectada no todo do qual fazemos parte.

Samanta Obadia
Enviado por Samanta Obadia em 18/02/2012
Código do texto: T3506089