NADA

Eu sou perante a vida, um assassino

Perante as convicções, uma incerteza

Deixei de ter a minha alma presa

Ao majestoso, ao belo e ao divino

Sou as sobras de sonhos de um menino

Um servil seguidor da vil tristeza

Um fugitivo, inútil, sem destreza

Que vagueia sem rumo e sem destino

Sinto que sou alguém que nunca fui

E aquele alguém que fui, eu já não sou

A pessoa que em tempos foi amada

Sou um micróbio, um verme que polui

O tempo e o espaço aonde estou

Eu sou - melhor dizendo - eu não sou nada

Oscar Fernandes
Enviado por Oscar Fernandes em 26/02/2015
Reeditado em 26/02/2015
Código do texto: T5150575
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