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[Resenha] PAVEAU, M-A.; SARFATI. G-E. As grandes teorias da linguística: da gramática comparada à pragmática. São Carlos, SP: Claraluz, 2006.

A impulsão dos estudos em ciências da linguagem se dá em 1784 com a “descoberta” do sânscrito, por sua vez, passando pelo crivo de William Jones, que destaca o fato de que essa língua Indy tem afinidades com o latim e o grego.
É assim que surge a noção de gramática comparada, termo cristalizado por F. von Schlegel em uma publicação, o irmão desse propõe uma tipologia para as línguas, a saber, isolantes, afixantes e flexionais, posteriormente usadas por Humboldt. Mas é com Jacob Grimm no início do século XIX e a partir de seus estudos comparados do latim/ grego/ gótico que se tem a “Lei de Grimm”, em exemplo, onde nas línguas germânicas há um “f”, no latim e grego comportam um “p”, entretanto a mudança fonética é uma tendência geral, ou seja, não é seguida em todos os casos.
Uma ideia fundante nesse período é a de mudança linguística desenvolvida pelo dinamarquês Rasmus Rask ao comparar a forma de numerosas palavras de diferentes línguas, assim demonstrava o parentesco que sons de uma língua se estabeleciam com outra, consubstanciando o postulado naturalista de estabilidade das espécies. Rask divergia de muitos linguistas de sua época, porquanto não concordava com a hipótese de língua-mãe, cujo alvo tinha Franz Bopp. Ele é um dos cientistas alemães aderentes da ideia do organismo linguístico de sua época que criam no sânscrito como tronco inicial da qual todas as línguas indo-europeias derivariam ao final de uma longa transformação por um dos processos de organização flexional das línguas derivadas do sânscrito, resultante de um estado de afixação que estavam disjuntos pelo passado.
Prospectando outro aspecto dentro da gramática comparada, a antropologia linguística de Wilheim von Humboldt, retomando a concepção de língua como expressão do gênio popular. Nesse sentido, Humboldt defende a relação de um material sonoro cada vez mais específico que articula representações semânticas que concebem a noção de forma interna da linguagem, sendo essa aproximada do esquematismo kantiano. Posto isto, pode-se dizer que Humboldt prossegue suas pesquisas por reconhecer três princípios. Um que alvitra que a linguagem é um modo de atividade do espírito. Outra que percebe a linguagem como unificadora da dimensão espiritual a material, sonora, ou seja, a linguagem seria um receptáculo do espírito para se exprimir através da matéria. E a última, a forma interna da linguagem determinante para uma organização particular de cada idioma.
No declínio do comparativismo está a Linguística histórica de August Schleicher, constituindo ao mesmo tempo uma síntese e uma superação de Rask e Bopp. O método comparatista tinha por finalidade reconstituir os intervalos que separam duas línguas parentes, ao que Schleicher recusava o postulado de que o sânscrito constituiria a língua-mãe, portanto, formula a hipótese do indo-europeu, e partindo dessa conjectura todo empreendimento comparatista redefine-se em linguística histórica, reconstruindo os lapsos dos estados de evolução das línguas. Dessa forma, o esforço de Schleicher marca duas inovações metodológicas, o esquema de árvore genealógica em linguística e a reconstrução do indo-europeu primitivo.
Schleicher, de modo semelhante a Bopp, considera as línguas como organismos vivos, distinguindo diferentes estados de evolução, um pré-histórico, marcado pela emergência das informações cada vez mais complexas, outro estado histórico caracterizado por involução da organização formal das línguas. Assim, Schleicher diverge de Humboldt no que concerne à avaliação filosófica das diferenças idiomáticas, porém, partilha com esse último a herança das gramáticas gerais, a convicção segundo a qual a linguagem representa uma formalização sonora do pensamento, o qual é influenciador de muitos outros cientistas da época.
Com o positivismo sendo a principal vertente metodológica aplicada nas ciências, a gramática comparada ganha um novo fôlego através da crítica ao historicismo. Um dos primeiros a receber as críticas, dos auto-proclamados neogramáticos, é Schleicher seguido por Humboldt. Esses linguistas positivistas afirmavam o primado das leis fonéticas, cujas análises deveriam produzir explicações das causas que conduzem às mudanças, para tanto, a observação indutiva e dedutiva utilizadas como perspectiva explicativa das ciências. É nesse contexto que a natureza das mudanças linguísticas é asseverada como advinda das ações mecânicas em relação às quais a vontade humana nada valia. Ao lado da causa mecânica (articulatória), se aventa a tendência à analogia, pertencente ao plano psicológico. Dessa forma, portanto, a lei da analogia possui em sua base formal, lei fonética (causa articulatória) a causa psicologia.
Uma das grandes contribuições desses novos comparativistas é denunciarem o caráter ilusório da escrita em relação à fala, portanto, elegendo os sons como objetos de suas análises. A partir desse ponto de vista que surge a Dialetologia ao reexaminar as repartições difusas de mudanças ocorrentes em diferentes regiões geográficas. Aqui nascem debates teóricos que envolvem três grandes problemas, a saber, a função e a natureza da linguagem seguidasdo estatuto da ciência linguística.
Para a função, Rousseau veicula duas teses, a primeira, diz que no estado primeiro da natureza a linguagem era a expressão das emoções, enquanto que a segunda o estado mais tardio a linguagem é rebaixada a expressão das necessidades. Ao que os neogramáticos rompem com tais concepções, preconizando uma função comunicativa da linguagem. No tocante da natureza da linguagem, há uma forte consideração dessa como um organismo vivo. Ao passo que o estatuto de ciência da linguística para por uma revisão metodológica em conjunto com outras ciências em decorrência da emergência gradual do positivismo. Porém, é com o americano William D. Whitney (1827 – 1894) que emerge a ideia de uma Linguística Geral.
Para Whitney o estudo dos fatos da linguagem é priorizado como um dos seus objetivos. Também propõe limites à linguística, tais como a recusa da perspectiva metafísica e teológica escoltadas pela distinção ente linguística e psicologia. Além de tentar equilibrar o antigo e o novo, hierarquizando dados vindos do comparativismo e da ciência da linguagem, que desembocaram na faculdade de linguagem.
Nesse sentido o linguista norte-americano instaura a linguagem como faculdade antropológica (capacidade do povo) e a atividade linguageira específica ligada ao domínio de uma língua (produto adquirido). É essa distinção que fortemente caracteriza a transmissão e aprendizagem da linguagem como atividade histórico-cultural. Assim, sem negligenciar a contribuição individual, a linguagem é uma obra coletiva, ao que Whitney profere desse entrelaçamento dinâmico, ninguém se dá conta do uso que faz da linguagem, embora, saiba que fale, ou seja, existe o caráter inconsciente na faculdade da linguagem.
Ainda que para ele o ponto de vista utilitarista prevalecesse, a língua como meio de comunicação, nitidamente, Whitney promove uma ruptura, mormente, com a concepção de língua como instituição na qual os signos são ao mesmo tempo convencionais e arbitrários (CLG tratará com bastante propriedade esse aspecto) e o ataque ao apagamento do parâmetro humano da linguagem seguida pela crítica do postulado de assimilação das leis linguísticas as leis naturais (presentes nas obras de Schleicher e Müller).
Nesse pique, a gramática comparada ganha em Gaston Paris (1839-1903) uma roupagem que permite promover uma filologia científica, mas é com o aluno de Paris, Jules Gilliéron (1854-1926), que os estudos da linguagem, pela dialetologia, ganham força na França. Entre um povo extremamente puritano, Gilléron funda uma geografia linguística, que tem como um de seus representantes P. Passy (1859-139), cuja reflexão se dá no campo das restrições da forma ortográfica em detrimento das formas orais. Outros que aprofundam pontos da incipiente ciência da linguagem são Darmesteter, Bréal e Meillet.
Arsène Darmesteter (1846-1888) sustenta uma concepção naturalista da linguagem, a qual ele acredita transpor a ontogênese das significações, porém sem cair no mito da origem absoluta, em meio a um historicismo temperado. Nessa ótica, proclama a linguagem como representação do pensamento, ou seja, a palavra é criada na medida em que exprimi o pensamento, surge nesse sentido uma psicologia das significações, cuja maior contribuição será a semântica, substancializada por Bréal.
Michel Bréal (1832-1915) busca explicar os fatos linguísticos pelo uso linguístico, ao discernir na tentativa naturalista de dissimular o antropomorfismo, cujo metaforizado estilo faz o pesquisador desconsiderar seu objeto. Ele formula os postulados concernentes à natureza e às mudanças linguísticas, destarte, funda o domínio da ciência das significações. Bréal evita usar terminologias categóricas demais, já que esse fato pode ser resultante da concepção compreensiva da psicologia social de G. Tarde que certamente influenciou-o. Desse modo, o paralelo que há entre Bréal e os neogramáticos é evidente, pois se por um lado ele difere deles quanto ao objeto de estudos, por outro as orientações da gramática comparada são as informantes de seu projeto, que, ainda que atenuada, postula regularidades sistematizáveis, cuja oposição à ciências do sons, passa a se chamar semântica. A partir dessa configuração geral, o elemento subjetivo ganha evidência, na medida em que o semanticista reconhece que elementos tanto objetivos e subjetivos compõe o caráter heterogêneo da linguagem. A título de exemplo, os tempos verbais expressariam, juntamente com os diversos recursos lexicais, verbais, sintáticos, “desdobramentos da personalidade humana”. Tais apontamentos serão de certa forma, retomados por outros linguistas, Bally, Benveniste, Ducrot entre outros como Meillet.
A. Meillet (1866-1936) também contribui para o desenvolvimento da gramática comparada na França, entretanto, sua perspectiva difere de seus antecessores, porquanto seu enfoque é movido pelas causas sociais como fonte de mudanças linguísticas. Meillet acredita que com as leis fonéticas, a analogia e o empréstimo, a estrutura da sociedade seja o quarto princípio de explicação das mudanças linguísticas, então, nasce uma distinção entre a linguística geral e a linguística como ciência social. Assim, Meillet é, juntamente com Bally, protagonista da sociolinguística francófona, por resolver a aparente antinomia linguagem/sociedade ao ressocializá-la em individual/coletivo.
É a partir dessas contribuições, dos métodos da gramática comparada, aplicada sem outros ambientes e por outras menos estanques que outro corte surgirá com as reflexões do “Curso de Linguística Geral” de Saussure.
Ferdinand de Saussure (1857-1913) teoriza a linguística moderna a partir da plasmação da língua como sistema e a desconstrução do sujeito psicológico livre e consciente da reflexão filosófica da época. Diante disso, Saussure é consagrado o pai do estruturalismo, mesmo nunca citando a palavra estrutura.
O mestre de Genebra ao conceitualizar a linguística evidencia uma antinomia fundamental, a distinção entre langue e parole. A primeira é social, registrada passivamente, psíquica, soma de marcas em cada cérebro e um modelo coletivo, enquanto que a outra é individual, ato de vontade e de inteligência. Assim, é correto dizer que a língua é um fato social, porém, pode ser vista sob duas perspectivas, individual ou coletiva, o “Curso de Linguística Geral” assume a segunda como o viés a ser tratado pela ciência da linguagem.
Outro ponto relevante na teoria saussuriana é a predominância da língua oral em relação à língua escrita, pois em seu entendimento “é preciso, portanto, libertar-se da palavra escrita e estudar os sons da língua, substituir o artificial pelo natural”. Ao propor tal contraponto lança-se as bases da fonologia e a distinção dessa da fonética, haja vista, que a anterior está fora do tempo, ao passo que a posterior é uma ciência histórica. Outro aspecto que é de extrema importância é a teoria do signo.
O linguista genebrês cinde com a ideia de que a língua seria a tradutora do pensamento, ou seja, a língua não é o reflexo da realidade externa nem interna, partindo desse ponto Saussure destaca a natureza do signo, constituído de significado, conceito, e significante, imagem acústica. Dessa forma, ele articula fonética (ciência do som material) e fonologia (ciência da imagem acústica) para dar liame a essas duas entidades psíquicas.Ao fazer a caracterização do signo, Saussure levanta suas características de imutabilidade, já que ninguém pode mudá-lo a seu bel-prazer, e a arbitrariedade da associação entre significado e significante, como exemplo, o significado irmã tem o significante [sister] e em português o significante [irmã], Saussure percebe uma relação entre determinadas associações como o caso de dezenove, em que os dois elementos constituintes do significado são motivados a construírem o significante [dezenove]. Há, portanto um laço tênue de motivação em certas construções linguísticas, i.e., o relativo pode ser absoluto ou relativo, imotivado ou motivado. Desse modo, a arbitrariedade concerne ao signo, a linearidade concerne somente ao significante, ou seja, há a consideração de seu caráter temporal.
No desenvolver do CLG, Saussure chega a diferenciar duas linguísticas, uma sincrônica e outra diacrônica, ou seja, tudo que se relacione com o aspecto estático é sincrônico, o que diz respeito às evoluções é diacrônico. Neste sentido tem-se a linguagem dividida entre língua/fala, essa por sua vez entre sincronia e diacronia, todavia, a autonomia de ambas permite atribuição de valor entre as unidades linguísticas somente na abordagem sincrônica. O mestre do curso estabelece o valor em uma relação negativa, porquanto é somente através do jogo de oposição que os signos se dotam de valor. A partir da natureza relacional das unidades do sistema, Saussure situa a atividade da língua em duas esferas, as relações sintagmáticas e as relações associativas, sendo a primeira o encadeamento linear das unidades da língua, e a última,as associações entre palavras, fora da cadeia do discurso.
A partir de Saussure funda-se o estruturalismo nas ciências da linguagem, em especial na França, ao passo que quase no mesmo período Bloomfield, na América do Norte, desenvolve uma argumentação no que concerne à autonomização da linguística. Visto isso, é o francês Charles Bally (1865-1947), um dos contribuintes do CLG, o atuante da recepção francófona da teoria de Saussure. Bally preconiza uma concepção da linguística inteiramente voltada para o estudo das produções verbais, em contrapartida concorda com seu mestre ao dar à escrita uma aproximação da cadeia falada. Aponta para a estilística, situando essa ao lado da fala, pois a primeira se relaciona com a subjetividade linguística e para sua análise há de se adentrar o domínio da língua falada. Nesse sentido, Bally distinguiu na língua falada duas esferas, afetiva e subjetiva, é diante dessa que a estilística deve trabalhar. Outra distinção feita por este linguista é a divisão tema/proposição, hipótese fundamental na linguística textual, porquanto comporta delinear a construção frasal da coisa que da qual se fala (tema) e o que se diz dela (proposição). Ao lado de outra divisão dictum/modus, o primeiro como representação extralinguística e o segundo apresenta-se como o modo do dizer, que a filosofia da linguagem inscreve-os, com Austin, em atos da fala, ato locucionário e ilocucionário. Portanto, é assim que Bally promove uma concepção sócio-pragmáticapautada na atividade enunciativa fundada, que visa os mecanismos de expressão no sujeito falante, pois, toda fala se caracteriza por sentimentos, de maneira que seja erigida na troca verbal, ou seja, num local de confrontação simbólica, margeandoa perspectiva da recepção na atividade linguística ao levar em consideração que a presença do co-enunciador opera como coerção na enunciação. Enfim, Bally, depois de Bréal, antes de Benveniste e Ducrot, propõe um lugar fundamental para a subjetividade do sujeito nos estudos linguísticos.
Ao lado de Bally, estão Gustave Guillaume (1883-1960) e Tesnière (1893-1954). Guillaume dispõe a língua através do mentalismo da psicomecânica da linguagem ao asseverar que o pensamento constrói a linguagem tal como Piaget, em outras palavras, privilegia a noção de linguagem como representação sobre a de linguagem como meio de comunicação. A crítica que faz a Saussure refere-se à dicotomia langue/parole, pois essa oposição lhe parece insuficientemente sólida por não descrever a totalidade do ato de linguagem, a partir dessa crítica propõe a fala a-física e fala física, sendo a primeira a língua enquanto possibilidade e a segunda a utilização da língua enquanto discurso, ou seja, da fala ideia que se passa para a fala efetiva. Guillaume sugere três patamares de análise linguística, a saber: psicossistemática, como descrição do sistema da língua; psicomecânica, a descrição dos dados obtidos pela psicossistemática e, por último, a psicossemiologia, como efeito dos signos.Além disso, ele desloca a concepção saussuriana da língua ao redefini-la como “um sistema de sistemas”.Ao passo que Tesnière trata de uma sintaxe estrutural ao terseu objeto de estudo a frase. Para tanto, tenta compreender as relações que as palavras tomam na frase por meio do conceito de conexão, cuja hierarquização das relações sintáticas ele chama estema. Para se estabelecer o estema de uma frase é preciso transformá-la da ordem linear à ordem estrutural, de forma a dar uma definição de produção/recepção ao postular que falar uma língua é transformá-la da ordem estrutural à ordem linear, à semelhança da sintaxe gerativa-transformacional de Noam Chomsky. Em relação às restrições da gramática tradicional, Tesnière delimita o conceito de actante, como uma forma de sujeito, qual um complemento do regente que participa do processo de ocorrência da ação, cujo nome é“nó verbal”, isto é, pivô da organização frasal. Ainda, contribuiu para o ensino sob a perspectiva da tradução ao expor a noção de metataxe, que concerne em expressar as mesmas ideias em línguas diferentes através de estruturas sintáticas distintas, quer dizer, as traduções que comportam metataxe são em certa media profundas, já que a finalidade última da tradução seria o conteúdo semântico, Tesnière, portanto, preserva o paralelismo entre o plano estrutural e o plano de conteúdo.
O estruturalismo desenvolvido até aqui ganha novo fôlego com a corrente funcionalista, possuidora do ponto de um ponto de vista que privilegia as constantes mudanças da linguagem em sociedade. Os debates iniciais surgem nos Círculos linguísticos de Praga e Copenhague, o primeiro representado nas figuras de Troubestskoï e Jakobson, e o segundo em Hjelmslev. Roman Jakobson (1896-1982) retrabalha a primeira tipologia funcional da linguagem proposta pelo psicólogo e linguista alemão Karl Bühler (1879-1963), a saber, a função cognitiva, visando informar, a função expressiva, exteriorizando o estado interno do locutor e, por fim, a função conativa, cujo objetivo é influenciar o destinatário. Por esta proposta de Bühler possuir pouca clareza na medida em que as funções expressiva e conativa estão centradas no destinatário, portanto, Jakobson as reformula em funções, referencial, expressiva, conativa, fática, metalinguística e poética. Conquanto essa classificação seja aceita até hoje, critica-se tanto o fato de as funções não se apoiarem em elementos estruturais específicosquanto serem encontradas nos sistemas não-linguísticos de comunicação. Outro ponto forte em Jakobson é seu pendor em estudar a língua literária, de forma a aproximar a linguística da literatura ao asseverar que essa é a expressão da cultura e da civilização. É na rebarba de Bühler e Jakobson que Michael Halliday propõe a relação entre as estruturas gramaticais de uma língua e suas funções, estabelecendo assim três funções, ideacional, cuja interioridade do locutor e seu mundo exterior são expressos, interpessoal, a qual permite o estabelecimento entre os membros da sociedade, e a textual, que permite a organização do discurso referente à situação. No que tange as funções, os linguistas de Praga acreditam que em um enunciado possa haver mais de uma, no entanto, apenas uma se sobressai, enquanto que Halliday, em contrapartida, afirma que todas estão presentes simultaneamente numa sentença sem prioridade de uma sobre a outra.
Ao mesmo tempo, o descritivismo consolida-se por uma concepção mecanicista da linguagem. É nesta linha que constitui a teoria geral da linguagem proposta por Leonard Bloomfield (1887- 1949) em sua obra “Le Langue”. Bloomfield adota um modelo behaviorista de descrição dos processos linguageiros, primando peça descrição como uma escolha metodológica na qual não há historicismo nem funcionalismo, o que o distingue de seu colega e contemporâneo, E. Sapir.É dessa feita, que a linguagem behaviorista é transposta para representar o esquema de interação linguística, de modo que haja sempre um estímulo (S) haverá uma resposta (r) que por sua vez consistirá no estimulo (s) para outra resposta (R), esquematicamente tem-se: S-r-s-R.
Decorrente dessa perspectiva, a significação de uma forma linguística estará subordinada ao esquema acima, em outras palavras, condicionada a resposta que proporciona ao ouvinte ou destinatário. Ao tomar esse pressuposto, a sua reflexão sobre o funcionamento da linguagem caracteriza a enunciação como organização das formas linguísticas e constituintes, conceitos centrais em sua teoria, de acordo com Peveau e Sarfati (2007).
Bloomfield caracteriza as formas linguísticas com sinais que pronunciadas, suscitam respostas a uma situação, no entanto, para especificá-las sãs distingue entre formas lexicais, combinação de fonemas que possui um sentido estável, e formas gramaticais, combinação do que o linguista chama de taxema (traço de disposição gramatical, como uma interrogação ou exclamação). Para a análise bloomfieldiana, grosso modo, os constituintes compõem elementos que referem-se às ações e seus realizadores. A partir destas caracterizações, o linguista define a gramática de uma língua como sistema de arranjo de formas linguísticas, nesse sentido ele propõe quatro tipos de arranjos: de ordem (Ex.: em português, SVO), modulação (Ex.: exclamação, interrogação e etc.), modificação fonética (Ex.: do + not = don´t) e a seleção de formas (Ex.: beber leite). Portanto, o funcionamento dessas classes de arranjos é visto como o objetivo da linguística para Bloomfield, objetivo que seus sucessores realizam sob o nome de distribucionalismo, em particular Harris.
Zellig S. Harris (1909- 1992) é um dos grandes proponentes do método distribucional e da gramática transformacional. Harris faz uso do método descritivo da língua, que consiste em inventariar as unidades estruturas, em seguida determinar as regras de relacionamento. Harris sustenta dois planos na língua, fonológico e morfológico, consequentemente, as unidades da língua são divididas em elementos fonemáticos e morfemáticos. Em contrapartida, para Saussure, a unidade não existe em si mesma, ela não é dada a priori, ela só existe no interior do sistema da língua, definida negativamente em ralação às outras. Dado a distribuição repousar sobre o contexto imediato, a posição de Harris em relação ao sentido, não dá margens a paralelismos entre estrutura morfológica e sentido externo, a esse ponto, a tal opção metodológica é um tanto restrita para tratar de casos de ambiguidades como precisa Peveau e Sarfati (2007). Mas este linguista passa da abordagem distribuicionalista para o transformacionalismo, que é o segundo momento de sua pesquisa, influenciando muitos estudiosos, como o francês Maurice Gross (1934- 2001).
O projeto transformacionalista, é da noção que a transformação responde a uma interrogação sobre as relações estabelecidas entre frases. Para Harris, a relação entre frases é fundada na transformação, cujo suporte se dá em frases simples para construção de frases complexas.
Outro ponto que Harris é iniciador é na chamada análise de discurso, pois é ele quem cunha essa expressão e sugere que discurso é um enunciado contínuo, de forma que para o linguista a análise de uma estrutura linguística vai além da frase.  Para dar conta de uma análise maior que a frase ele usa o método das classes de equivalências, em que o eixo horizontal representa as classes de equivalência contida numa única frase, e o eixo vertical representa as frases sucessivas, de maneira a formar um esquema de ocorrência das classes de equivalência em todo o texto de acordo com Peveau e Sarfati (2007).
A linguística bloomfieldiana não influenciou somente Harris, mas também Kenneth Pike (1912-2000). Este adota a concepção behaviorista de Bloomfield, por outro lado, postulava que a linguística deveria se inspirar em outras ciências humanas. Propôs uma integração da fonologia à função e à significação. É nesse sentido que Pike assevera que o comportamento humano é estruturado e não fruto do acaso, portanto, desse modo funda a tagmêmica cuja principal unidade é o tagmema, a qual é dotada de quatro características simultâneas, a saber, lugar, classe, função e coesão. De acordo com Paveau e Sarfati (2007), a tagmêmica se difere da maioria das correntes linguísticas norte-americanas de sua época, já que ultrapassa os limites da frase para até a estrutura total do texto, sem deixar de lado seu contexto.
Noam Chomsky será um dos grandes linguistas do século XX ao romper com paradigmas, além de formalizar rigorosamente a linguística (ORLANDI, 2012) com o modelo gerativo-transformacional, a qual é centrada na sintaxe como cerne da análise da língua. Chomsky dá o estatuto de autônoma para sintaxe ao defini-la quanto ao estudo dos princípios e dos processos cujas frases são construídas. Deste modo, o linguista acredita elaborar um modelo capaz de explicar todas as frases gramaticais de uma língua, no plano de sua estrutura sintática. Ao propor que a partir de frases nucleares surgirão frases complexas ou derivadas, as quais poderiam ser transformadas em suas primarias, quer dizer, através do processo de transformação de estruturas elementares se gera outras estruturas assim infinitamente. Diante disso, se institui o modelo padrão, por sua vez, introduz novos conceitos, competência/ desempenho e estruturas profundas/ superficiais. O par competência e desempenho faz analogia com a distinção saussuriana língua / fala. E estruturas profundas são as germinativas em relação às superficiais, isto é, as profundas se originam e originam as superficiais. Um aspecto que chama atenção na teoria sintática é seus três componentes, sintático, que é constituído por regras e esquemas e permite engendramento de outras estruturas, semântico, auxiliar à interpretação em conjunto com o componente fonológico. Estes aspectos dão, segundo Paveau e Sarfati (2006), uma dimensão mentalista ao seu modelo, uma vez que implica a presença de esquemas internos ao sujeito, anteriores à produção das frases, de modo a se afastar do distribucionalismo e a se aproximar do empirismo e mecanicismo.
Por outro lado, surgem as linguísticas enunciativas como crítica à linguística da língua saussuriana, em outras palavras, trata-se de uma linguística do código cujos atos da fala devem ser relacionados, já que esse não possui realidade empírica, sendo que o mesmo se manifesta em discurso por meio de uma modelo de produção e interpretação. De acordo com Paveau e Sarfati (2006), nessa perspectiva a unidade superior de análise e a frase.
A gênese da noção de enunciação remonta a C. Bally e M. Bakhtin, ainda que se apresente Émile Benveniste como pai da teoria da enunciação. Bally ao tratar da questão do discurso indireto livre que tem por origem a enunciação, e Bakhtin, para quem a concepção de linguagem necessariamente considera a enunciação. Outro linguista a participar da noção de enunciação e Roman Jakobson com seu esquema de comunicação.  Mas é com as definições de Benveniste (1902-1976) que a teoria da enunciação ganha corpo. A definição canônica de enunciação que ele dá é: “A enunciação é este colocar em funcionamento a língua por um ato individual de utilização” (1989, p. 89). Benveniste compreende a língua sob dois domínios, semiótico e o semântico, de acordo Paveau e Sarfati (2006) o primeiro consiste no domínio da língua, enquanto que o segundo no da fala, assim, o semiótico quer dizer intralinguístico por considerar o sistema de signos em relação de oposição entre si, mas a semântica pertence ao quadro da enunciação. Com efeito, para esse linguista a frase é unidade do discurso na medida em que o locutor aí se exerce, além de que Benveniste a considera somente existente no momento em que é proferida. Paveau e Sarfati (2006) observam que a abordagem dele é gramatical da enunciação. Outro conceito de crucial importância para se entender o pensamento desse linguista é o aparelho formal de enunciação, pois é através dele que se pode perceber as marcas da “colocação em funcionamento da língua”. Para caracterizar as marcas da situação de enunciação, Benveniste usa a palavra dêixis (mostrar em grego), assim as formas dêiticas recobrem geralmente ao mesmo tempo os indicadores pessoais e espaços-temporais. Nesse sentido, Jakobson utilizara o termo embrayeur (trad. Ing. Shifter). Deste modo, há os dêiticos pessoais, eu e tu (1/ e 2° pessoa) diferentemente da 3ª, ou seja, a não-pessoa, além dos dêiticos espaços-temporais indicado por demonstrativos, advérbios, adjetivos.  Outro aspecto relevante em sua obra, segundo Paveau e Sarfati (2006), são os planos de enunciação, que traduz o investimento do locutor em seu texto, a saber, são dois, da história e do discurso. Na enunciação histórica há domínio da escrita, predominância da 3ª p., não possui marcas dêiticas, a referência é o tempo do acontecimento enunciado, ao passo que a enunciação do discurso há o domínio da oralidade, todas as formas pessoais, marcas dêiticas, referência é o tempo da enunciação.
Outra teoria enunciativa é a de O. Ducrot que parte da polifonia de Bakhtin para dizer das vozes da enunciação, embora ambos não falem da mesma coisa no uso da palavra polifonia, mas perseguem o mesmo objetivo, colocar em discussão a unicidade do sujeito falante. É nesse sentido que Ducrot instaura dois lugares de inscrição da polifonia, a negação na medida em que seu enunciado supõe um de pensamento inverso, e a ironia, pois essa permite ao locutor apresentar sua enunciação sob o ponto de vista de outro enunciador. Ducrot também trabalhou em suas obras a questão do posto e do pressuposto.
Ainda dentro das teorias da enunciação, tem-se Antoine Culioli ao postular três níveis de representação de fenômenos, os quais correspondem a uma tríade terminológica precisa, em outras palavras, é linguageiro o que resulta da atividade de linguagem; linguístico o que concerne às oposições de construções textuais e metalinguísticas à atividade do linguista. Para essa atividade ele formula algumas ferramentas, entre elas a lexis e noção. Segundo Paveau e Sarfati (2006), Culioli postula a partir da noção de enunciado a co-enunciação, porquanto o emissor é também seu próprio receptor. Para esse campo este linguista elabora operações enunciativas, entre elas estão, a operação de localização e as operações constitutivas de um enunciado.
Aqui se tem certo desvio das linguísticas enunciativas para as discursivas, as quais se fundamentam na dimensão transfrástica dos enunciados, e sob esse rótulo Paveau e Sarfati (2006) etiquetam a linguística textual, a análise do discurso e a semântica de textos.
O texto passa a ser objeto a partir de Harris, e passa a ter uma relação com discurso, na medida em que o primeiro refere-se somente ao discurso, enquanto o segundo é a soma do texto e das condições de produção. Um autor significativo nessa perspectiva é Teun van Dijk por postular uma gramática do texto a partir de uma abordagem cognitiva, já que considera as capacidades que os sujeitos possuem de reconhecer textos bem formados. Van Dijk postula três níveis de textualidade, microestrutural, marcado por unidades semânticas de base, macroestrutural, relacionado às grandes proposições de funcionamento não mais semântico, mas cognitivo, e superestrutural assinalado pela organização da produção e interpretação dos discursos em gêneros. Paveau e Sarfati (2006) apontam algumas noções da linguística textual como fundamentais, como coesão e coerência.  Diante delas há os organizadores textuais, a saber, marcadores de retomada no plano frástico (anáfora no caso de pronomes), morfemas de ligação no plano transfrástico (advérbios e conectores), e os marcadores referentes ao conjunto do texto no plano suprafrástico ou macrossintático. Mais uma noção acerca da linguística do texto, segundoPaveau e Sarfati (2006) é a de progressão temática que consiste no par tema/rema, os quais estão presentes em toda informação, na medida em que a informação é o rema do tema, isto é, sobre o que se informa. Nesse sentido, de acordo com Paveau e Sarfati (2006), haveria dois tipos de progressão temática, uma constante, na qual cada frase possui o mesmo tema, porém outro rema, em contrapartida, haveria uma linear, na qual o rema da unidade anterior passa a ser o tema da seguinte. A linguística textual para construiro conceito de tipologia textual parte dos tipos elementares e secundários de Bakhtin conforme afirmam Paveau e Sarfati (2006), em outras palavras, têm-seos gêneros de discurso primários ligados à produção espontânea e corriqueira, e seu desdobramento em secundários, presentes em textos escritos mais elaborados.
A evolução da linguística tem sua evolução com J. M. Adam, quem propõe avanços no que tange a articulação com o domínio da análise do discurso, fato que implica certo número de observações sobre os objetos texto, discurso e gênero, assim, texto é um objeto abstrato por ser definido como agenciador de unidades, o discurso constrói-se a partir da interdiscursividade, os gêneros (de discurso) constituem uma categoria de pensar o texto integrado a seu campo cultural, portanto, o texto como objeto concreto é um enunciado completo, o resultado sempre singular de um ato de enunciação. Adam para entender o funcionamento do texto distingue a operações de textualização em segmentação e ligação, uma dependente da outra.
Um divisor de águas é o surgimento da análise do discurso nos anos 60, propondo ser um campo autônomopor seu conjunto de noções, ferramentas e métodos específicos. Paveau e Sarfati (2006) ao se referirem a AD, dizem que essa considera o primordialmente as condições de produção tanto do texto oral quanto escrito. Os mesmos autores acrescentam a análise do discurso um posicionamento teórico particular, no sentido de se apoiar nas ciências humana, historia filosofia, sociologia, psicanálise entre outras, além dessa perspectiva trazer a transdisciplinaridadea balia, não deixa o rigor teórico nem a competência linguística de lado, produzindo uma sólida armadura segundo Paveau e Sarfati (2006). Entre os intelectuais que integram o quadro teórico da AD, estão entre outros, Foucault, Michel Pêcheux, Maingueneau e Louis Althusser (1918-1990), este último propõe uma concepção cara à análise do discurso francesa, a de “aparelho ideológico do estado”. “Ao articular o marxismo e psicanálise, Althusser declara que “a ideologia é eterna, como o inconsciente”, e, formula, ainda, a seguinte ideia: “ideologia representa a relação imaginária dos indivíduos com suas condições reais de existência” apud Paveau e Sarfati (2006).Este teórico considera a ideologia uma existência material, materializada em práticas discursivas, portanto, introduz o conceito de interpelação, isto é, a dimensão discursiva da ideologia. Dessa forma, à medida que a ideologia é essencialmente discurso, é a análise dos discursos que permitiria um desmascaramento racional. De acordo com Paveau e Sarfati (2006), é Pêcheux quem capta a herança althusseriana para organizar o arcabouço teórico da AD.
Falar em análise do discurso é falar em formação discursiva, essa noção foi elaborada por Michel Foucault (1926- 1984), para ser a relação entre práticas discursivas e sociais. Nesse tocante que Foucault propõe para que uma formação discursiva seja considerada como tal, constitua-se de elementos comuns, como, objetos, tipos de enunciação, conceitos e escolhas temáticas. Portanto, a existência desses elementos permite uma definição de discurso como conjunto de enunciados, na medida em que se apoiem na mesma formação discursiva, essa estreitamente ligada às praticas discursivas. Na esteira do pensamento de Foucault que se constituem os trabalhos de Pêcheux e Maingueneau.
D. Maingueneau enquadra a aparelhagem conceitual e metodológica da AD.  Segundo Paveau e Sarfati (2006), ele aponta três conceitos fundamentais, a formação discursiva, a superfície discursiva e o discurso, que é a relação que une as duas últimas. Ele também supõe sete hipóteses, a saber, a intercompreensão, o sistema de restrições, a competência interdiscursiva, a prática discursiva, prática intersemiótica, inscrição sócio-histórica e discurso e interdiscurso, sendo a última fundamental para o desenvolvimento básico da análise do discurso, pois o interdiscurso tem precedência sobre o discurso, o que quer dizer que o ponto de análise não é o discurso, mas um espaço de trocas entre vários discursos.
Ainda dentro das teorias enunciativas tem-se a semântica de textos que defende a dimensão simbólica da linguagem pela via textual. Francois Rastier é um dos vanguardistas dessa perspectiva, e entre suas proposições encontra-se os componentes semânticos que são instâncias imanentes de codificação e fenômeno manifesto, sendo sistema funcional (dialeto), normas e uso constituintes da primeira instância, enquanto que o texto em suas manifestações é pertencente ao fenômeno.
Dentro das reflexões linguísticas outro horizonte teórico toma corpo, as teorias pragmáticas. Essa perspectiva surgida na filosofia integra-se com a linguística, ou se adapta mesmo possuindo identidade própria. Entre os teóricos dessa abordagem se encontra John L. Austin (1911-1960) com a teoria dos atos de fala.
Austin introduz a hipótese performativa que é a realização de ação pela linguagem verbal, e em contrapartida a constativa, que descreve o estado das coisas. Conforme Paveau e Sarfati (2006) ambos os usos da linguagem cotidiana são dependentes das convenções em que são enunciados, portanto, a teoria dos atos de fala está sob o ponto de vista do locutor, porém as condições de produção não podem ser deixadas para traz. A partir desse ponto Austin afirma que um ato de fala é um processo complexo formado de três atos estreitamente intrincados (PAVEAU; SARFATI 2006) (KOCH, 2006), um ato locucionário, que consiste em um ato de referência, um ilocucionário, que apresenta o que se faz naquilo que se diz, e um perlocucionário, realizado pelo fato de dizer aquilo que é dito. Austinteve um continuador, S.R. Searle, que segundo Paveau e Sarfati (2006) reconstruiu a teoria dos atos da fala através de alguns critérios de comunicação.
Na esteira das teorias pragmáticas está Grice com a hipótese do caráter intencional da comunicação ao dar forma à teoria daconversação, e para tanto ele postula o princípio da cooperação. Esse princípio subsume algumas máximas, como a de quantidade que consiste em não dizer nem mais nem menos do que o necessário, de qualidade que quer dizer não afirmar o que se sabe falso e não afirmar aquilo que não se pode provar, de relação (relevância), isso é, seja pertinente, e a máxima de modo, em outras palavras, a não expressão de maneira obscura e ambígua. De acordo como Medina (2007), o desrespeito às máximas resulta em implicaturas conversacionais, que são produzidas não pelas convenções, mas por necessidades intencionais de produção de sentido.
Também é destaque na pragmática, Oswald Ducrot, advogando em favor de um “estruturalismo do discurso ideal”. Ele formula e articula os conceitos de escalas argumentativas, posto, pressuposto, implícito e subtendido. Diferentemente do pressuposto, o subentendido surge das inferências que o co-enunciador produz a partir do contexto, ou seja, o subentendido é relativo à recepção do enunciado. Já o pressuposto necessariamente é decorrente do posto, em outras palavras, o pressuposto está subjacente ao posto, como em “José parou de fumar” há um pressuposto de que José fumava. Nesses aspectos Ducrot proporciona desenvolvimento da análise semântica.
Ainda, há outras correntes pragmáticas como a pragmática cognitivista de D. Sperber e D. Wilson partindo de Grice. Retomam o código e a codificação a partir da inferência e postulam a teoria da pertinência. E a Escola de Palo Alto com a pragmática cultural, sob a figura de P. Watzlawick, pesquisa, dentro da cultura o sistema de comunicação e suas características sem deixar de lado a semântica.
Como diz Orlandi (2012), o interesse pela linguagem não é recente, remonta há séculos atrás, antes de todo o caminho aqui destacado, e se ainda esse interesse se mantém vivo, não há dúvidas, continuará por muito tempo, o que quer dizer que teorias estão por vir, mas que não se deve esquecer o trajeto percorrido, pois a antítesecarrega algo da tese, estando essa, ainda que minimamente presente na síntese.





Referências

KOCH, I. G. V. Inter-ação pela linguagem. 10ª ed. São Paulo: Contexto, 2006.
ORLANDI, E. O que é linguística. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2012.

Thiagobsoares
Enviado por Thiagobsoares em 08/10/2017
Reeditado em 08/10/2017
Código do texto: T6136605
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Thiagobsoares
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