PONTAS SOLTAS DE MANUEL PAULO



Penso ser patente o meu amor por livros, por tê-los como caixas mágicas, que tem dentro de si a presença de sentimentos... De pensamentos que mesmo não sendo originalmente meus, fundem-se com os que trago comigo, na maioria das vezes, enquanto em outras alargam por demais o meu ângulo de visão, quando não descortinam outros horizontes para a minha percepção... Levando-me para além de mim...
Por vezes são também caixas de Pandora, que trazem em si as mazelas do mundo contemporâneo, e de épocas passadas, das mais próximas quanto das mais remotas... Indícios de nossa História, que muitos desconhecem, e que muitos dão as costas, quando pensam que não fazem parte de nossa herança, e que não são as bases de nós mesmos...
Mas, gosto também dos livros que nos aproximam...
E hoje, falo com prazer, do livro de Manuel Paulo, poeta português, editado pela Editora Chiado, que pode ser encontrado nas páginas do site da editora.
Falo, porque é um verdadeiro abraço, a remessa deste volume que tenho em mãos, um abraço do tamanho de um oceano...
Falo deste livro “Pontas Soltas”, com a alegria de ler um livro de poemas, que só não é de minha lavra por eu não ter o conhecimento e a vivência de Manuel Paulo, mas que em muito reflete a mim mesmo, no que tange ao apreço á família, ás amizades, ao passado... Ás bases que fundamentam a nós mesmos enquanto pessoas e que dão base para os nossos sonhos existam e insistam em se tornarem reais...
Sem falar que sou amante do mundo Lusitano, tendo em vista para um breve futuro uma viagem àquelas paragens, tendo como porto certo a Torre do Tombo, onde o nosso passado, guardado permanece, esperando que dele tomemos posse...
Quanto ao livro “Pontas Soltas” de Manuel Paulo, digo apenas que deve ser lido sem pressa, sem arroubos de terminá-lo a um só fôlego... A mim parece, um bom vinho do Porto, do qual sem pressa conheçamos o seu buque... Após o gosto!
E no meu caso, este “Pontas Soltas” de Manuel Paulo embriaga e enternece!
Como consta em seu prefácio, suas composições apresentam estruturas e ritmos variados, com linhas temáticas muito marcadas, partindo de sua interioridade, de seus sonhos, sobre si, sobre os outros que lhe passam ao lado e interpela, sobre o mundo controverso.
Só esporadicamente sua poesia é intervencionista, intervenção esta que é feita junto com o outro, daquele que trata por irmão e a quem muitas vezes se dirige tratando-o por tu.
Irmão porque, como ele, mergulhado num mundo de contradições, até horrores, onde o bem e o mal se confrontam... Mas, a esperança é uma palavra chave em suas composições, pois para Manuel Paulo a esperança é o motor que anima e faz acreditar na mudança.
E a crença em Deus, renova as forças do lusitano poeta.
Recorrente em sua produção poética é a temática da infância, muito ligada a pessoa de sua mãe...
Assim, Manuel Paulo trás em seu “Pontas Soltas” poemas seus, de meus temas mais caros...
Ao longo da obra há a apresentação de símbolos frequentes noutras obras do autor: as flores, a rosa, a rosa vermelha e que significam sempre o momento em que o sonho se torna verdade e que o bem se impõe ao mal.
Para finalizar, falando sobre a estrutura dos poemas, que se compõe alternadamente de citações de autores consagrados e dele próprio, que servem de inspiração aos poemas que se lhes seguem. Acompanhando cada citação há uma fotografia mais ou menos simbologicamente alusiva.
Assim, “Pontas Soltas” de Manuel Paulo é um livro também de um belo visual.
Como acredito, que quando escrevemos o fazemos primeiramente para nós mesmos, e que a fortuna de nossos livros se estabelece quando os nossos leitores se apoderam de nossos escritos e os tornam seus, vou embalado pela poesia deste amigo poeta luso, (...) “Trocar palavras escritas/ por sonhos calados/ sonhados no ventre da mãe”, pois degustar esta obra trouxe-me esta vontade com certa urgência...
Mas, aviso, leiam este livro, “Pontas Soltas” de Manuel Paulo, pois sei, cada leitor encontrar-se-á em outras passagens mais!
E para finalizar esta indicação, deixo registrada uma impressão:
São de “Pontas Soltas” que são feitas as cordas, as pontes, as recordações, as emoções, que podem aproximar irmãos, como foram dois braços, que atravessando o atlântico num ato espontâneo, tornaram-se um caloroso abraço, que fundiram num só, dois corações!
E para mim a virtude de um livro se consiste nisto!
E para mim a poesia também é isto, fazer das “Pontas Soltas” de duas almas geograficamente distantes, como que um reflexo uma da outra... Quando não, sua extensão!

Edvaldo Rosa
www.sacpaixao.net
18/01/2017