Bolinho de chuva.

Pois é, ainda chove.

Gotinhas prateadas brincam de escorregador na minha vidraça.

O sábado passa.

Tive vontade de comer bolinhos de banana salpicados com açúcar e canela: bolinhos de chuva.

Ninguém mais me fará bolinhos iguais aos dela.

Observo os pingos de chuva escorrendo... escorrendo...

Sopro a vidraça e desenho um coração, como fazia quando a gente morava na casa amarela.

Hoje, a casa está vazia e o meu peito repleto de lembranças.

Gotas brotam dos meus olhos e escorrem... escorrem pelas minhas faces...

Chovendo me vejo.

Embaçaram meus óculos... alguém os terá soprado?

Talvez.

Ao retirá-los, percebo algo desenhado.

Reconheci o contorno daqueles lábios: -

Mãe, foi como se mais uma vez você tivesse me beijado!

20/9/2002 – lua crescente

Anita D Cambuim
Enviado por Anita D Cambuim em 07/08/2018
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