Decomposição

Toda carne tem

seu cerne,

íntimo e anônimo,

Surge e desvanece

entre a sujeira e a sujeição

sugestão de gosto, delírio e prazer

Ignomínia predileta

a carne é profanação

templo inerte em erosão

eros, psique e janus

em inveja, distúrbio

tumultos de deserção

flébil, doravante fértil

Carne, que repousa

febril, sem intenção

em berço de alívio

após o regurgitar

da agonia,

tardes canônicas

noites apócrifas,

pelos ouriçados

em toques plenos

decididos,

coleio, entre ventre

e pernas, passeantes,

vulva rebuscada

universo que intumesce

Ébrios em todo desejo

Misto de mosto e Lucidez

Carne, cerne de um corpo

que perdeu seu tempo,

a vida é efêmera

morre-se pelos sonhos

e os sonhos

destroem por dentro,

distopia

que à realidade se alia

Márcio Diniz
Enviado por Márcio Diniz em 25/01/2011
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