Águas Fluentes

Foram-se de mim as lembranças,

Deixaram-se levar pelo tempo.

A sós estou depois da partida:

Esqueci-me das grandes e fortuitas alegrias,

Já as lágrimas ocupam o lugar

Que antes fora só quimera e utopia.

Hoje os rios que correm em meu caminho

Não sei se vão ao mar,

Correm sem ribanceiras

A impor paradas breves;

Só há quedas como em grandes cachoeiras,

Há nuvens de tempestade em suas cabeceiras.

Deixai Senhor, que corram essas águas,

E venham banhar em meus rios

Vívidas e inesgotáveis fontes

De pureza cristalina.

Deixai que volte a inocência

E reine ainda nessas margens:

O brilho infantil no olhar!

Para que não se corrompa

A vida em nenhum momento,

Deixai ir a hipocrisia,

Deixai ir o medo se afogar no mar!

PauloAndrade
Enviado por PauloAndrade em 14/06/2017
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