Borboletas em mim

Elas sempre estiveram em mim, as borboletas...

Entre os cachos dos meus cabelos, brincando com a textura dos fios.

Pousadas nos lóbulos das orelhas, azuis e brilhantes, pingentes de luz.

Nos meus dedos, anéis de matizes multicoloridos a enfeitar os gestos.

No meu vestido, espalhadas pelas mangas e nas dobras da saia godê,

acompanhando os movimentos dos quadris, quando eu andava...

Eu as desenhei, inúmeras vezes, em todos os pedaços de papel que encontrei...

Os cadernos, os bilhetes, as cartas e as receitas, viviam repletos de borboletas,

em cada espaço outrora branco, que ousasse sobrar...

Elas sempre estiveram em mim, as borboletas...

Quando eu chorei, soluçando abraçada ao travesseiro,

uma roubou-me uma lágrima e trocou-a por um sorriso embevecido...

Quando adolesci, as borboletas vieram morar no meu estômago

e dançavam, agitadas, quando olhavas nos meus olhos...

No ritual de passagem de menina a moça, foram as borboletas

Que costuraram meu vestido de baile que deslumbrou-te tanto, meu amor...

À noite, pensando em ti, novas borboletas nasciam das palmas das minhas mãos,

pequenas e frágeis em tamanho, grandes e fortes em natureza.

Consigo amar assim, com a leveza das asas que batem harmoniosamente,

com a ousadia do voo, sem empecilhos, voo apenas de beleza e paz...

Compõem-me a alma, as borboletas...

Elas voam para fora de mim quando estou apaixonada, em nuvens, em todas as direções...

Elas entram bem dentro de mim, quando me emociono, frente ao mar,

lendo um poema ou escutando uma canção...

Alojam-se ali, entre o encantamento e o fascínio que moram no meu peito...

São parte do meu corpo, as borboletas...

Quando a ti me entrego, entre minhas pernas, borboletas derramam néctar e mel...

Sobem pela derme, em sobrevoo rasante, tocando levemente as asas,

despertando a pele para o amor...

Entre meus lábios, descansam...

Quando o orgasmo me toma, as borboletas em profusa agitação,

em arrebatamento me inebriam...

Vivem em mim, as minhas borboletas...

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Ganhei de presente um acróstico, de um amigo querido: Alberto Lobo de Campos. Obrigada pela gentileza e carinho!

BORBOLETRAS

Beth se escreve: Elisabeth

O paraíso se escreve aqui

Replico alterando a frase:

Borboletas estão em ti...

O godê é coisa passada

Lembranças dum largo tempo

E mesmo na escassez das flores...

Trazes em teu pensamento

As borboletas de outrora, que

São aquelas mesmas de agora!

Lyzzi
Enviado por Lyzzi em 06/06/2018
Reeditado em 16/02/2021
Código do texto: T6357488
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