ORBITANDO

ORBITANDO

Sigo orbitando

Acumulando bagagem

Abraçando a esperança

Nessa desesperança perimetral

De línguas de Babel

Suportando dores de iguais

Em tantas desigualdades

Resignação nem pensar

Salvo em lapsos de momentos

De tempestades e calmarias

Que independem de minha vontade

De olhos cerrados penso na vida

Na perpetuidade ilusória

Apartado da realidade

Que vai corroendo a carne

Jogando por terra os gostos

De todos os amores

Marcas e cicatrizes

Cantos de perdizes

Entre dores e flores

Vontade de ir embora

Jogando tudo fora

Noves fora amores e paixões

Que preencheram vazios

Quais enchentes de rios

Solapando margens ressecadas

Que depois de umedecidas

Voltaram à secura

E na terra dura

Pisei espaços espraiados

Para finalmente

Aportar em lugar algum

Arnaldo Ferreira
Enviado por Arnaldo Ferreira em 09/07/2022
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