SOPRO

E o dia veio vindo em passo inverso

Ao desse rumo em que seu senso errava

Tão sempre o mesmo, utópico, diverso

Da realidade às rédeas freio ou trava.

Seu sonho agonizante era o universo

Em ruínas ao que nunca se importava.

Estranha a sua fala, assim, vazia

Do espírito a legitimar o gesto,

A queixa esdrúxula, seu vão protesto

Alheio ao que razão por si trazia.

O agora é sopro, um sábio já dizia

E o que se quis não vale esse indigesto

Silêncio após queixume desonesto

Pouco importando se acha que é poesia.

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Israel Rozário
Enviado por Israel Rozário em 01/04/2021
Código do texto: T7221234
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