O HOMEM QUE EU AMO

Vive parado. Obsoleto. O homem que eu amo.

Sem fala e juízo.

Tem a mão pálida porque acontece às vezes de o sangue falhar.

O homem que eu amo

Eu amo porque nasci assim.

Porque meu sangue foi feito da mesma tintura

Errônea e frágil.

E porque não sei mais.

Nunca foi uma vez covarde nem tristonho. Nem solitário.

Solitário nunca.

Foi sim ausência.

Eu cultivo ampulhetas. Nunca com pavor de tempo,

Mas do tardar.

Tudo que demora cicatriza. O meu corte não tem cura.

Tem voz de liberdade o homem que eu amo.

E peito de gaiola.

O que dá entre a voz e o peito é o medo.