CIGANA

Cigana, que escreves

partituras na surdina

roda-samba musical.

Canta sílabas melódicas

compostas por gênios

da tangente matriarcal.

Do teu semblante mudo

noto que escorre lágrimas

de poemas inspirados.

E que, todas às flores

desertas escarsas de amor

tragam-te beijos, e, nutre.

Nutrindo a selvagem

passeata dos infernos

infames, aqui residentes.

Defuma-me as entranhas

carroças apáticas: Me faz

alimento. Comportas o ermo.

Eternizas nomes, e, poemas

maestrados em cartas

alforriadas por Drummond.

Joga-os lacradamente,

em inquebráveis garrafas,

pras senhoras de Oxum.

Batuca com tuas mãos

donzela africana, pontos

ancestrais na roda da Jurema.

Circunda o som do bambu,

lava-me à cabeça com

água purificada do mato.

Disfarça-te na espírita

cigana das festas, e,

me rouba os cortejos d'amor.

Wesley Moraes
Enviado por Wesley Moraes em 04/10/2017
Código do texto: T6133115
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