TEMPO DE VIVER

TEMPO DE VIVER

Meus olhos

cavalgam no tempo

e já não te veem.

Meus olhos

eram tão cheios de paz…

Eram vida

num tempo de viver

e dormiam azuis

em céus negros de estrelas

que brincavam de esconde-esconde

entre filetes de pratas e cristais.

Naquele tempo galopavam

em tua voz doce e branda

e hoje que não estás mais

estão cegos por dentro.

Te procuram

em meio a uma cegueira

sem sombras e sem traçados.

Nesses meus olhos de hoje

entrelaçados

de fios de lumes antigos

de fitas de antigos costumes,

como saudade puxam

feito lembranças esticam,

e em mim as tramas como ficam?

Eis esta vida sem suspiros

flutuando sobre a morte

sem pausas no ritmo do vento

que em sussurros vem do norte

e de vida se encanta e se ilumina

nesses meus olhos de ver.

E o tempo secretamente ainda canta

que ainda há tempo

e é o tempo de viver.

Mírian Cerqueira Leite

Mileite

Mileite
Enviado por Mileite em 30/07/2016
Código do texto: T5714142
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