VIBRAÇÃO

eu ouvia

o intervalo do vento

desfiando sopros

no desalento

das folhagens

e meu sentir

costurava

fio a fio

as fibras

dos solavancos

do rio

naquelas miragens

parecia que a água

nos flancos

flutuava

torturada e tímida

respingando brilho

e eu ouvia

e eu ouvia

à beira dos cantos

o piar

tristissimo

de uma cotovia

levitava sem motivo

minha lágrima

prestes a despencar

sem pressa

e era de uma ternura

expressa

tão cálida

tão delicada

que meus ouvidos

nítidos

não a puderam reter

e eu ouvia

e eu te ouvia

até mesmo

depois de morrer

Mileite

Mileite
Enviado por Mileite em 30/07/2016
Código do texto: T5713658
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2016. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.