VISITANTE SOTURNO

VISITANTE SOTURNO

era quase meia noite

estava quase dormindo

quando ele

sorrateiro no vício

embriagado de repetições

veio vindo

veio vindo

meus olhos inquietos

semiabertos de quase penumbra

pendiam em pálpebras de quase sonho

e ele insistente

num intermitente martelar

caía-me sobre o corpo

revirava-me nos linhos dos lençóis

entre ais e não mais é hora

implora-me à lucidez

agora

agora

agarra-me à razão

amarra-me

e não mais digo não

levanto-me

quase em espanto sórdido

meu mórbido sono se vai

eu arrastada em algema

rendida à pena e ao papel

escrevo o poema

causador de tanto tropel

Mírian Cerqueira Leite

Mileite
Enviado por Mileite em 29/07/2018
Código do texto: T6404111
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.