putos dos becos

Eu, menino dos becos

Herdeiro legítimo do mal

Cai a noite nas ruas da minha sobrevivência

Chove desespero sobre essas veias de indigência

Eu, rapaz das favelas

Trafico bocados de esperança que restam

Nas entranhas minhas de homem

Que luta contra fome e mazelas

Eu, menino sem sonhos

Na voz de populares impiedosos, estendo

Minha mão a caridade penosa de gente ingloriosa

Para salvaguardar esta vida que vai se rompendo

Eu, rapaz de pouca sorte

Vou virando latas nas avenidas, meu lar

Antes que chegue a fome anunciando me a morte

Ou antes, da noite mandar o frio me devorar

Eu, menino herdeiro das trevas

Onde o sol jamais nasceu, vou catando

Restos desta vivência infernizada

Quem sabe o sol um dia virá me visitar.

ALANITO (O MENSAGEIRO)
Enviado por ALANITO (O MENSAGEIRO) em 26/02/2017
Código do texto: T5924170
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