Temperança

humanamente melhor e bem...

aprendo sobre os mistérios silenciosos do acaso

o destino desvendo sobre a presença incomparável de ser

carregando pelo mundo essas parcas experiências

avivo minhas mãos para o alto, ao absoluto

criando asas, caindo pelo abismo...

humanizando o meu destino

e namorando a angústia suprema de viver

chuto balelas pelo escuro que há

e espero vir à tona a fatídica derrota de meu medo

juro forças, junto fraquezas e levanto ansioso...

para não mais divisar a limitação da rotina inebriante.

dançando com a liberdade em terrenos baldios

pulo os cacos de vidro e corro sem fim ao brilho do seu olhar

ofuscando meu escuro, minha solidão...

é o fim do túnel que me espero

taciturno, venço os declives...

e no alto da montanha posso lhe ver...

estás longe e estás viva...

alegria enfeitice meu pesar

dê lenha a esse fogo potencialmente perigoso

para juntos pensarmos em saltar

e caindo de tristezas seguiremos tentando

caminhando muito devagar.

ofereço essas dores, ofereço esse silêncio...

e me prostro diante a essa imensidão.

aportando distante o vento forte da madrugada

como um véu que deita sua mão sobre a minha face

sentiremos nascer, novamente, o sol...

temor pela vida, pela estrada aberta... há possibilidades

continuo a flutuar pelo escuro

tateando o invisível e dando margens ao acaso.

Josué Viana
Enviado por Josué Viana em 18/07/2017
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