Refulgência negra


Nos vezos do meu ver,
Às vezes,
Vive,
Linda e mui torva,
A sombra, a calmaria
– De morte vulto refulgente –,
Livre
Das sogas vãs do vão volver dos dias.

“A vida é tola!”, diz-me a sombra,
O vulto
De morte autoaplicada.
“Que escureça!
Desmancha-te no nada infindo oculto
Com um decidido tiro na cabeça!”

Assim,
Às vezes,
Esse vulto vem,
Sempre sorrindo,
Solto,
Sem trapaça...

Assim,
Às vezes,
Quero ser ninguém!...

Assim,
Às vezes,
A razão me laça!
Firmínio dos Hades
Enviado por Firmínio dos Hades em 03/10/2014
Reeditado em 10/06/2017
Código do texto: T4985874
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