O bêbado na sarjeta e o sorriso dos transeuntes

FATOS REAIS

Os olhares condenam

O prostrado ao chão

como um cão machucado e vadio

Abandonado até pela solidão

Todos os olhares sentem pena mas,

Ninguém estende as mãos

Ao passar julgam

É só mais um subproduto da civilização

Que pela televisão vendem felicidade

nas cervejas e cartazes

álcool espalhado pelas vidas

consumindo inconscientemente a sociedade

Happy hour, válvula de escape

Alívio imediato temporário

destruindo Famílias, operários

Feliz sem válvula não há limite, vá ultrapasse

Deitado na lama em suas próprias fezes

Em casa a família talvez espere

As lamentações e reprovações alheias seguem

Tamanha e intensa Reprovação

Este?! Não é mais cidadão

Apenas mais um fracassado

Derrotado lambendo o chão

Ironicamente na porta da Igreja

Os transeuntes passam, passam...

Ele não.

Mergulhado e lambuzado nas fezes

imundo impregnado dos falsos valores promessas da civilização

Vítima, adoecido, consumido

Enquanto as calçadas estão cheias

De consumidores

É natal

Ninguém lhe presta favores

misericórdia ou caridade

Quando muito, seus olhares

Todos comprando suas felicidades nas dores

Porém não a dos que o julgam

Esses são inconscientemente seus próprios julgadores

Eis o Progresso a Ordem em nossa nação

Todos em cada um por si, não se amam

Não podem parar para o próximo,

Talvez na próxima vez.

Olharão para ele novamente afogado

Jogado, cagado e fedido e dirão:

Não é possível, ele, outra vez?!

Feliz NadaTal a todos!!!

Lauro Camilo
Enviado por Lauro Camilo em 10/12/2017
Reeditado em 10/12/2017
Código do texto: T6194906
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