Moído

"Hahaha... Você é patético! Me esquece! Sério..."

Fito os caracteres sem conseguir ler. As letras ficam esquisitas, enfileiradas, formando palavras que sequer compreendo em tamanho assombro.

O aparelho vibra, anunciando outra mensagem.

"Ah, e faz o favor de apagar meu número das suas agendas"

Foi assim que essas mensagens ganharam o nome de "torpedo"?

Sinto-me empalado por um arpão, com terra na boca e um mar nos olhos.

Mas não derramarei mais meia lágrima por qualquer mulher ingrata.

Não derramarei.

E escorre. É só uma, que deixo escorrer; a única que autorizo a escorrer.

Outras escorrem.

Uma avalanche delas.

Sem permissão.

Esta deve ser a terceira vez que reafirmo que não sei cumprir promessas.

Quando tudo acaba, começa a primeira promessa: não gostar de mais ninguém.

Depois me comprometo a ficar o resto dos meus dias sozinho.

Depois me comprometo a não me envolver com quem me interesso.

Por fim, o fim é o mesmo: gatos curiosos, cismados, andando atrás de mim aonde quer que eu vá na casa.

Miando.

Arautos dos corações alquebrados.

E eu torcendo pra me metamorfosear em louva-a-deus para enfrentar a próxima cópula.

Para enfrentar o fim vindouro.

22/03/2012

Rafael P Abreu
Enviado por Rafael P Abreu em 22/03/2012
Reeditado em 22/03/2012
Código do texto: T3569815
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2012. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.