Windy

Quanta estupidez isso de dar dois passos e voltar um pra ver a impressão da sola do tênis na areia. Quanta estupidez ser eu no agora mutável que já não é mais e já mudou. Caminho por uma estrada vazia, na contramão, faz frio, venta, está escuro e um ou outro farolete de caminhão surge de repente; então vai se aproximando e um trovão passa ao meu lado com um vento de desolação incrível. Continuo caminhando, dando meus passos imbecis e olhando as solas dos tênis das pessoas que me precederam nessa caminhada estúpida. Quantos, assim como eu, caminharam aqui com o coração partido? Quantos, como eu, sentiram o vento no rosto? E mais quantos olharam esse depósito de areia e se compadeceram do segurança que passa a noite ao relento ouvindo um rádio de pilha? Mais adiante tem o prostíbulo e já consigo ver a silhueta de uma endomorfa ordinária e fétida; face borrada de batom, olhinhos de porca no cio, faíscando na ânsia do cheiro do dinheiro e de talvez um pouco de prazer nessa vida filha da puta. Sou interpelado:- "Quer diversão?". Com um olhar vazio que lanço, ela compreende que o que eu preciso é enfileirar garrafas de cerveja diante de um teclado e curtir o que eu mereço: a solidão.

Windson for the Derby - Melody of a Fallen Tree

03/07/2011 - 01h04

Rafael P Abreu
Enviado por Rafael P Abreu em 03/07/2011
Reeditado em 03/07/2011
Código do texto: T3071888
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