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O Filho da Terra- Terceiro Capítulo "A Carona bem vinda?"

  O vento sopra quente no rosto de Sansão. As suas pernas tremem de receio ao ver o sorriso gratuito do caminhoneiro. A moça desconfiada e com o rosto sujo de poeira da estrada, trata de se esconder atrás da sua mãe Rose.

                                   Caminhoneiro:

  - Onde duas senhoritas vão, enfrentando essa estrada de fogo?
     - Desejam uma carona!? Não estou aqui para lhes fazer mal.
 

                                     Rose:

  - Eu agradeço de coração a boa vontade do Senhor, mas iremos seguir o nosso caminho a pé mesmo.


                               Caminhoneiro:

  - Mas esse sol não há de fazer bem para a pele de vocês. Tão brancas.
   - Andem não façam muita cerimônia, Aqui por essas bandas não é de costume passar caminhões ou carros. Aproveitem essa chance!

  Sansão cutuca com o seu dedo o ombro de Rose e fala.

                               Sansão:

  - Minha mãe, esse caminhoneiro tem razão. Não aguentamos mais nem um minuto ficar nesse sol. Vamos aproveitar essa carona.

                                     Rose:

  - Já que não temos opção minha filha, vamos subir logo.

                              Caminhoneiro:

  - Fiquem em paz, eu sou um homem trabalhador, não faço mal nem para uma mosca.

  Com um ar ainda desconfiado, as duas sobem na boléia, com muita dificuldade. Rose senta ao lado do caminhoneiro carregando nos lábios um sorriso amarelo. Então o homem dá a partida, levantando a poeira por onde passa.


                                  Caminhoneiro:

 - Mas me diz, o que duas senhoritas fazem andando sozinhas, nessa estrada tão perigosa?

                                  Rose:

 - Necessidade seu moço. Na nossa roça tudo queimou com o calor do sol, não teve chuva esse ano. Aí passar fome não dá mesmo.


                                  Caminhoneiro:

 - Passar fome é pior coisa que existe. Uma pena que a terra é tão generosa para uns e tão ingrata para outros.

                                  Rose:

 - O problema não é a terra, sempre tirei o meu sustento dela. O vilão dessa história toda é esse sol que queima o que toca, não dá espaço para a chuva. Assim temos que sair do nosso cantinho, e tentar algo novo no desconhecido.

  O homem concorda balançando a cabeça e depois olha para Sansão.

                                Caminhoneiro:

                 - Essa moça do seu lado é sua irmã?


                                  Rose:

          - Não, não... Essa moça é a minha filha querida.

                                 Caminhoneiro:

      - Está de brincadeira!? A senhorita tão nova já tem filha moça?

                                      Rose:
 - Sim! Casei com o pai dela muito novinha, ai logo em seguida engravidei dele. Também amei muito ele.

                                   Caminhoneiro:

                   - E o seu marido? Onde se encontra?

                                     Rose:
  - Ele morreu, faz muito tempo atrás. Sansão nem teve a chance de conhecer o pai. Morreu em uma emboscada.


                                   Caminhoneiro:

      - Que coisa terrível, quem poderia ter feito tal maldade?

                                    Rose:

      - Eu não queria tocar nesse assunto, o senhor me desculpe.

                              Caminhoneiro:

       - Que isso, eu que me excedi na curiosidade. Eu que lhe peço desculpas.
        - Vocês vão descer onde? Tem algum lugar em mente?

                                   Rose:

  - Um lugar onde tiver trabalho honesto e um lugar onde podemos encostar o nosso corpo moído da estrada.

  O homem coça a barba e presta atenção na estrada com buracos.

                                Caminhoneiro:

  - Trabalho não falta nessa terra, para quem tem força de vontade. Está escurecendo e vou ter que parar. É arriscado dirigir numa estrada tão escura.

                                      Rose:

                 - Onde o senhor vai parar o caminhão?

                               Caminhoneiro:

  - Aqui próximo se encontra uma hospedaria, é bem simples, mas acolhedora. A Dona é a minha amiga Valdeci.

                                   Sansão:

  - Mãe, poderíamos passar a noite nessa hospedaria. É arriscado seguir a viagem nessa estrada tão deserta.

                                     Rose:

 - A sua amiga não vai ter problema de receber, duas retirantes, com a mão na frente e outra atrás?

                                   Caminhoneiro:

 - Valdeci tem o coração de ouro, minha senhora. Se ela quiser cobrar a hospedagem de vocês duas, eu arco com a despesa. Fiquem tranquilas.

                                     Rose:
 - Poxa eu não queria causar incomodo, e nem perguntei qual é o nome do senhor.

                                     Caminhoneiro:

 - Eu prestando atenção na estrada, nem me lembrei de mencioná-lo. Me chamo Jairo, muito prazer.
 

Vinicios Gonsalo
Enviado por Vinicios Gonsalo em 28/12/2016
Código do texto: T5865948
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Sobre o autor
Vinicios Gonsalo
São Paulo - São Paulo - Brasil, 25 anos
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